sexta-feira, 26 de maio de 2017

A greve na Função Pública


O que vou expressar, acerca da greve da Função Pública – com maior incidência nos sectores da saúde e do ensino –, é da minha inteira responsabilidade, sem que tivesse recorrido a outras informações. Isto é, apenas é o ponto de vista de um cidadão comum.
Penso, pois, que forças sócio-laborais, não sei quais, estão a querer fazer finca-pé, numa tentativa de espartilhar a acção governativa do governo de António Costa, ou pior ainda, estão a querer emparedá-lo, enquanto forças políticas mais à direita esfregam as mãos de contentamento, por verificarem que sindicalistas mais à esquerda estão a fazer o jogo da direita, a qual é muito mais sabidola que toda a esquerda junta, uma vez que só passadas quatro décadas depois do radioso 25 de Abril é que foi possível ir prá frente com uma geringonça governativa, que tão bons resultados tem conseguido.
E arregimentar greves às sextas-feiras é como comparar as lutas do operariado às burguesas lutas de hoje, que só prejudicam os que menos têm, enquanto quem ganha milhões, mais cifrões aumenta ao seu descomunal pecúlio.
Só estarei do lado dos grevistas, quando a função pública e a privada fizerem greves para aumentarem o salário mínimo nacional, acabarem com a pecaminosa precariedade em todos os sectores, bem como estabelecer-se um tecto máximo para as reformas e vencimentos de topo em todo o mundo laboral, pois não é admissível alguém ganhar tanto num dia como qualquer um que leve anos a consegui-lo.

José Amaral


9 comentários:

  1. Os barões dos sindicatos, essas mentes brilhantes, não souberam resistir às insistentes provocações da Direita, de que nem greves faziam. Vai daí, atiram com greves em catadupa; finos como alhos, estão concencidos de que o odioso das mesmas vai inteirinho para o Governo, mas enganem-se bem, porque cada vez estão mais desprestigiados! E quando vejo a cara de coruja da D. Avoila sorridente, dizendo que foi uma boa greve, ao lado de tanta gente que se desloca, às vezes de muito longe, para um tratamento ou uma consulta que não sabem quando voltarão a ter, dá-me mesmo vontade de chamar um nome feio...

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  2. Os trabalhadores da função pública não têm aumento de salários e pensões há 12 anos (desde 2005); não têm progressão nas carreiras desde 2011; continuam a receber a hora de trabalho extraordinário a 25% (nos privados já foi reposto o pagamento da 1.ª hora a 50% e as seguintes a 75%); as 35 horas ainda não estão a ser aplicadas a todos os trabalhadores, havendo trabalhadores a desempenhar as mesmas funções e com os mesmos salários que ainda trabalham 40 horas semanais: pela integração de todos os trabalhadores com vínculo precário que desempenham funções permanentes com horário e hierarquia (são quase 120 mil); pela redução da contribuição para a ADSE (num ano aumentou 133%); pela redução da carga fiscal e alargamento dos escalões do IRS. Estas reivindicações imediatas foram apresentadas ao governo PS que as recusou liminarmente com o argumento de que não estão em linha com o programa do governo. O governo pretenderá não aumentar os salários até 2021 e manter o congelamento das carreiras. Com estes problemas e mais alguns outros, que alternativa resta aos trabalhadores? Não vamos ignorar que em muitas situações e problemas existentes para os trabalhadores do sector público e privado (por ex.: caducidade da contratação colectiva), cuja resolução não está prevista ou claramente definida nos acordos que o PS teve que fazer com o PCP, BE e PEV, o governo do PS tem uma posição idêntica ao PSD e CDS, e isso tem acontecido em muitas votações na Assembleia da República. Não se tenham muitas ilusões sobre o PS, que se conseguir prescindir do necessário apoio dos partidos à sua esquerda, voltará a uma prática política de direita, de resto como o fez quase sempre antes da solução governativa encontrada a partir de 2015, PS sozinho ou junto com PSD e ou CDS. Há que ultrapassar preconceitos contra trabalhadores da função pública e sindicalistas...

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  3. Não "percebeu" Ernesto, o problema não é fazer greve. é fazer greve á sexta feira... As greves boas e as más, segundo o nosso conceito.
    Também não imaginava que o Amâncio avaliasse uma sindicalista por ser "feia!! Palavra que não.

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  4. Estas Greves, como todas as IDÊNTICAS antecedentes são única e exclusivamente uma "prova de vida para os Sindicatos" que as organizam e fomentam.

    O interesse desses sindicatos é unicamente se manterem como estão, se não deixam pura e simplesmente de existir e de se exibirem....mesmo que o tempo em vários aspectos seja outro, é o único motivo. o resto......é paisagem................

    E quem fica prejudicado, é que tem que depender nestas sextas-feiras "disto"...

    Mas este flime tem-se repetido, mesmo que tudo à volta melhore....vidas!!!

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    1. Morram os sindicatos, morram... pim!

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    2. Como sempre tem o DOM de fazer interpretações de seu agrado.......vivam as Greves dos Médicos e outras Ordens!!!!!!!!!!!

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  5. O que me revoltou com a Avoila,Dr. Fernando, foi o ar vitorioso com que disse ter sido uma boa greve, quando tem obrigação de saber que quem mais sofre com greves, não são os governos, é o povo mais desfavorecido. Não contesto o que diz o senhor Ernesto Silva, mas respondo-lhe com uma frase feita quie tem aqui todo o cabimento: "o óptimo é inimigo do bom", Dêem tempo ao tempo, porque se o não fizerem, aqueles que dizem dsefender são os primeiros a levar pancada, se a actual situação descarrilar. Veja-se o que diz o "barão" Arménio acerca da ligeira melhoria económica:"é preciso que os trabalhadores sintam essa melhoria". Só que a nova situação que vivemos não pode responder a tudo ao mesmo tempo; além de que os abutres estão de atalaia à espera qie desmorone!

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  6. Só agora vi aqui os comentários ao texto do amigo Zé Amaral. Começo por dizer que ponho o lombo à disposição para não ser apenas o amigo Ernesto a levar bordoada. O amigo Ernesto que se deu ao trabalho de enunciar tão correctamente os motivos da greve e não só. Depois do comentário dele que, evidentemente, subscrevo na íntegra, pouco mais ou nada me resta acrescentar. Dizer apenas ao Sr. Amândio que também eu fui um "barão dos sindicatos" (fui delegado sindical) no BES. Sabe o que ganhei com isso, amigo Amândio? Vir para a reforma apenas com o nível 9 e tive uma promoção por mérito( o amigo Amaral que também foi bancário, se quiser, que diga até ao que podíamos chegar) e se quiser, venha aqui a Corroios, recebe- lo-ei, evidentemente, com todo o gosto, para ver os meus sinais exteriores de riqueza. Dizer ainda que compreendo a observação do Fernando quanto à sexta-feira e estarei sempre com todas as greves justas. Esta, foi uma delas.Finalmente, quem a determinou não é, não são, aventureiros. Aliás, todos aqui o sabem...Têm é outras opções e pontos de vista. Estão no seu direito!

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  7. É difícil analisar uma realidade laboral e social quando existem preconceitos contra trabalhadores e seus representantes... O sr. Górgias navegará na área do PS... Nem representantes do governo ou do PS, desrespeitaram trabalhadores e seus representantes, mesmo podendo não estar de acordo com a greve e os seus objectivos...

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