quarta-feira, 10 de maio de 2017

Apocalipse.


Uma imensa mancha castanha cobre a crosta terrestre.
Foi esta imagem que os primeiros colonos europeus viram quando avistaram as pradarias da América do norte.
Com toda a certeza uma visão espantosa e estarrecedora, difícil de conceber que cerca de sessenta milhões de bisontes vagueassem em liberdade.
No inicio do seculo dezanove, os homens brancos começaram a caçar bisontes intensivamente, no final do mesmo seculo restavam menos de um milhar de exemplares.
Este é um dos casos mais paradigmáticos da senha destruidora dos seres humanos, da dizimação brutal que tem exercido na natureza.
Inúmeros milhões de seres vivos (fauna e flora) foram exterminados ao longo do tempo, com maior incidência nos últimos seculos e décadas.
Mas muitos outros estão praticamente ou efetivamente extintos, pois não são observados no seu meio natural á vários anos.
Eis alguns exemplos:
-Cavalo de Prewalsk (Rússia, cerca de mil exemplares).
-Esquilo terrestre (extinto na Alemanha em 1961, existem pequenas colonias na Áustria e republica Checa).
-Hamster comum (Europa, Asia).
-Boi cinzento da Hungria, boi lanudo, cagado de carapaça estriada, ovelha Racka (Puzta, parque de Kiskunbag).
-Abetarda comum (Asia, Europa central e sudoeste, Marrocos).
-Cão da pradaria de cauda preta (América do norte).
-Lebre de cauda branca (América do norte).
-Tatu gigante (América do sul).
-Lobo Guará (América do sul, cerca de 5 mil exemplares).
-Rinoceronte negro (Africa, cerca de 2.400 exemplares).
-Rinoceronte indiano (cerca de 2 mil exemplares).
-Rinoceronte de Java (cerca de 75 exemplares).
-Rinoceronte de Samatra (cerca de 300 exemplares).
-Leopardo (sete subespécies):
Leopardo da China (norte da China, Coreia), leopardo da Anatólia (Asia menor), leopardo da Barbaria, (Marrocos, Argélia, Tunísia), leopardo de Africa (Africa central e sul, sul da Asia), leopardo do Sinai (Sinai), leopardo da Arabia (Arabia), leopardo de Zanzibar (Zanzibar, extinto).
-Jaguar (oito subespécies).
Jaguar do Iucatão (México, norte da Guatemala), jaguar do Panamá (América central, Colômbia), jaguar da Amazónia (floresta do Grenoco, bacia da Amazónia), jaguar da Argentina (Argentina, sul do Brasil), jaguar do Arizona (E.U.A., noroeste do México), jaguar do Peru (Equador, Peru, Bolívia), pantera nublosa (sul da Asia), leopardo das neves (Altai, Afeganistão, Himalaia).
-Ocelote (Arizona ao norte da Argentina).
-Gato ocelote (Costa Rica ao norte da Argentina).
-Gato dourado da Asia (Nepal, sul da China).
-Gato dourado do Bornéu (Bornéu).
-Kuala (florestas de eucaliptos australianas).
-Dingo (Austrália, exceto Tasmânia).
-Leão (sete subespécies).
Leão de Angola (Angola, Zimbabué), leão da Pérsia (reserva de Gir, India), leão do Maçai (Africa oriental), leão senegalês (Africa ocidental), leão do Transval (Transval), leão da Barbaria (norte da Africa, extinto), leão do Cabo (sul da Africa, extinto).
-Tigre (oito subespécies).
Tigre da India (India, cerca de 2 a 3 mil exemplares), tigre da Sibéria (Sibéria, cerca de 200 exemplares), tigre de Java (Java, apenas 3 ou 4 exemplares), tigre de Samatra (Samatra), tigre da Indochina (Indochina), tigre de Bali (Bali, extinto), tigre da China (China, extinto), tigre caspiano (Curdistão, Turquia a Xinpiang, China, extinto), chita (Africa).
-Margai (norte do México ao norte da Argentina).                                                                                  -Gato dos Andes (sul do Peru ao norte do Chile).                                                                                        -Puma (sul do Canada á Patagónia meridional).
-Lobo (trinta e duas subespécies outrora existentes, restam apenas seis, sendo que duas delas, o lobo da grande pradaria, (América do norte) e o lobo vermelho, (sudoeste dos E.U.A.) estão provavelmente extintas, pois não são observados no seu meio ambiente á vários anos.
-Chacal de Simien (região de Simien e de Bale, Etiópia).
-Raposa de orelhas pequenas (América do sul).
-Mabeco ou cão caçador (região do Sara, Africa austral).
-Cão vermelho, (Asia ocidental, China, Indonésia).
-Cão vermelho do extremo oriente (Manchúria, India, Bruma, arquipélago malaio).
-Cão vermelho da Asia ocidental (Asia ocidental).
-Três subespécies do cão vermelho indiano estão no limiar da extinção ou efetivamente extintas.
-Lobo de crina ou aguara guazi (centro e sul do Brasil).
-Urso polar ou branco (região polar Ártica).
-Urso beiçudo (India, Sri Lanka).
-Urso de lunetas (Andes, oeste da Venezuela á Bolívia).
-Mapache dos Barbados (Barbados).
-Panda gigante (regiões chinesas de Shanxi e Ganzu Sichuan).
-Toirão de patas negras (América do norte).
-Lontra marinha (América do sul).
-Lontra de Samatra (sudeste da Asia).
-Lontra gigante do Brasil (América do Sul).
-Lontra felina (litoral do Chile e Peru).
-Lontra da Argentina (Argentina, Chile).
-Civeta das Celebes (Indonésia).
-Fanalue ou euplero (Madagáscar).
-Fossa ou criptoproeta (Madagáscar).
-Fossana ou fouche (Madagáscar).
-Hiena castanha (Africa austral).
-Tamanduá bandeira (América central e sul).
-Preguiça de crina (sudeste do Brasil).
-Tatu gigante (Brasil, Peru).
-Pangolim do Cabo (sul da Africa).
-Na América do norte as pradarias, as estepes de erva alta e as antigas estepes arborizadas, sofrem uma utilização agrícola intensiva, pelo que nelas restam apenas vestígios da vegetação original.
Na América do sul a desflorestação tem aumentado vertiginosamente desde o inicio do seculo vinte, verificando-se uma das maiores reduções de área verde do planeta.
As estepes e as pradarias euroasiática, deram lugar a searas, atualmente restam apenas algumas regiões delimitadas onde vivem os animais selvagens poupados pelos seres humanos.
A grande densidade populacional do subcontinente indiano, extinguiu ou empurrou quase todas as espécies animais e vegetais para as regiões mais espessamente florestadas.
Nos últimos duzentos anos, aproximadamente, a transformação das áreas estépicas em terrenos de cultivo, ou em pasto para animais domestico, tem vindo a modificar permanentemente o ecossistema das estepes, apenas algumas espécies conseguem adaptar-se às novas condições.
Alguns animais roedores e insetos constituem enormes pragas para os agricultores e criadores de gado, pois passaram a alimentarem-se de cereais e canas de açúcar, existindo em quantidades abismais.
Nas estepes de erva curta, a evaporação é superior á precipitação anual, impossibilitando a agricultura sem irrigação artificial.
A exploração agrícola demasiadamente intensiva, provoca o esgotamento dos terrenos estépicos, cuja produtividade vai baixando e com tendência a transformarem-se em semidesertos.
As "badlands" (terras más), terrenos profundamente afetados pela erosão, são progressivamente mais frequentes, pois a destruição do coberto vegetal acarreta uma maior erosão do solo e a perda da camada humerifica.
Nas savanas, o crescimento demográfico, o alargamento da área agrícola, a abertura de poços, com a consequente extração de água, provocou a redução dos lenções freáticos e ao agravamento nítido da erosão, no lugar das gramíneas, surgem espécies lenhosas espinhosas.
A utilização desregrada de uma panóplia enorme de produtos químicos, como herbicidas, pesticidas, fertilizantes, tem contribuído de forma contundente para o aniquilamento da vegetação primaria, além da morte de inúmeros seres vivos animais.
No inicio do seculo vinte, a atividade piscatória torna-se industrial, o volume de captura de peixes é cada vez maior, sem regras eficazes de preservação das espécies, aliado ao aumento acentuado da poluição marinha, tem provocado uma devastação nos seres vivos dos oceanos (fauna e flora), escasseando de forma progressiva as espécies que mais contribuem para a alimentação da população.
O aumento vertiginoso da população tem como consequência o aumento drástico da poluição atmosférica, terrestre, marítima, fluvial, a destruição diária de enormes extensões de terra para a construção de gigantescos aglomerados populacionais, industriais e outras infraestruturas, o cultivo intensivo de alimentos, o gasto desregrado de recursos hídricos, os incêndios, entre outros fatores, tem contribuído para a alteração crescente, violenta, irreversível do clima.
Aproximadamente um bilião de pessoas habitavam o planeta terra no inicio do seculo dezanove, cem anos depois, cerca de dois biliões, três biliões na segunda metade do seculo vinte, quatro biliões a partir de 1975, cinco biliões em 1987, no final do seculo vinte atinge-se os sete biliões, a este ritmo demográfico, prevê-se que no final do seculo vinte e um atinja-se o avassalador numero de onze biliões de pessoas.
Á muito tempo que foi ultrapassado o numero razoável de habitantes no planeta terra, este não tem dimensão e recursos para albergar uma espécie que se multiplica desmesuravelmente, pondo em perigo de rotura todos os vetores de sustentabilidade da vida.
Continuar com este comportamento suicida, significa destruir o que resta do da estrutura natural da terra (ecossistema), a sua capacidade regeneradora não consegue acompanhar o ritmo destrutivo que lhe estão a infligir.
Resumidamente esta é a situação constrangedora atual, no limiar do apocalipse, urge mudar comportamentos radicalmente.
Os animais racionais (homo sapiens) ou humanos, por ironia do nome, são a espécie mais destrutiva do planeta que habitam, a que mais alterou o seu meio ambiente ao longo do tempo, concebeu ideologias, religiões, leis, regulamentos, crenças, tradições, padrões morais, preconceitos, sempre com o intuito de satisfazer a sua comodidade, luxuria, egoísmo e ambição, numa atitude irresponsável, falaciosa, cínica e criminosa.
Na década de cinquenta do seculo vinte criou-se a pilula anticoncecional, contribuiu para o abrandamento da natalidade, essencialmente nos países mais ricos, nos países pobres praticamente não se fez sentir.
A alfabetização, o aumento da cultura geral dos povos, a difusão dos meios de comunicação social, o aumento das condições sociais, a implementação da contraceção, da esterilização, da interrupção da gravidez e de uma forma geral de todos os meios que possam reduzir a taxa de natalidade é absolutamente imperioso.
Quando jovem, decidi não ter descendência, atualmente velho, por força da natureza a minha decisão tornou-se irreversível, estou ciente que é o maior legado que deixo ao universo.
Open your mind (abre a tua mente), renega todos os espartilhos ideológicos, que te tornam mentalmente limitado, castrado, alienado e escravizado.
Age segundo os teus valores, tendo o cuidado premente de não cometeres os erros crassos dos teus antepassados.
Entre outros, lembro-me do incomparável filosofo alemão do seculo dezanove Friedrich Nietzsche.
"Quanto mais olhamos para o abismo, mais perto estamos dele.”

                                                                                              Com amizade.

                                                                                                   Araujo.

4 comentários:

  1. E um texto muito longo (seria ainda mais um bocadinho se os hás tivessem h) por enquanto li apenas na diagonal mas já vi que é muito útil para nos apercebermos bem da desgraça a que chegámos. Desgraça, da inteira responsabilidade da nossa desgraçada espécie. Obrigado amigo Araújo!

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  2. Um texto que se pretende "ecológico", acaba por apelar à esterilização e tudo o que possa dizimar o ser humano. Será que o "castrar" ideológico é também um método anticoncepcional?... Não sei se hei-de rir se chorar... Mas sei que não gostaria de estar nas suas mãos, José Araújo!...

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  3. Li agora com mais vagar e atenção. Trata-se mesmo de um texto ecológico. Um trabalho com muito valor e utilidade para nos apercebermos bem, do mal que temos feito a este planeta, a quase todas as outras espécies e já a milhões de semelhantes nossos, que morreram, sofreram e sofrem devido às alterações climáticas provocadas pela ganância, pela estupidez humana. O texto que suponho ser da autoria do senhor Araújo (penso que deve mesmo levar o acento agudo) não preconiza dizimar o ser humano. Preconiza impedir o seu nascimento com alguns métodos dos quais discordo e critico veementemente. E condeno mesmo, evidentemente, essa perversa estória da esterilização.

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