quarta-feira, 10 de maio de 2017

Com muita sorte, talvez 26 segundos

Segunda-feira, dia 8 de Maio de 2017. Para poder estar informado, habitualmente assisto enquanto almoço ao Jornal da Tarde da televisão pública RTP1. São 13 horas e o pivot como não podia deixar de ser abre o serviço noticioso com as eleições francesas de véspera durante 26 minutos (uma eternidade em televisão). Directos e mais directos, resultados definitivos, entrevistas e mais entrevistas, algumas novas e outras já vistas, "manif." repetidas vezes sem conta, etc. Trata-se de eleições importantes para a França? É obvio. E para a Europa? Aguardemos. Será por lá viverem muitos portugueses? Penso que sim. Irá a França com este novo Presidente encetar novas políticas para Europa? Vamos ver para crer. Poderá Portugal tirar dividendos? Duvido. Será que a televisão pública francesa abre os seus noticiários com os resultados das nossas eleições? Aposto que não - dobrado contra singelo. Com muita sorte, talvez 26 segundos e no fim do noticiário. O tempo demasiado que a nossa RTP1 dispensou à noticia, não é mais que um gesto de subserviência que nos devia envergonhar. Que dirá a isto António Costa, quando há dias num debate quinzenal acusou Victor Gaspar de se ter ajoelhado ao Ministro das Finanças alemão, quando sabe perfeitamente que qualquer um de nós é o que faria em iguais circunstâncias pois Schäuble, vitima de uma tentativa de assassínio durante uma campanha eleitoral, sofreu paralisia parcial e por isso desloca-se em cadeira de rodas obrigando com quem ele conversa muito próximo a tomar idêntica postura. Por isso, a acusação do nosso Primeiro-Ministro é infundada e politicamente desonesta e desleal com a qual qualquer pessoa de bem não poderá estar de acordo. Jorge Morais
 
Publicada no DN-M de 10.05.2017
 
 
                                                                         Ilustração do leitor Paulo Pereira

4 comentários:

  1. 26 minutos é, manifestamente, muito ( metade do noticiário). Mas que as pretéritas eleições francesas eram muito importantes para a Europa e para o mundo, também o reconheço. Já viu o que era uma nazi/fascista assumida à frente daquele importante País? Quanto ás palavras do António Costa, penso que eram metafóricas. Embora não goste nada da expressão, não acha que "qualquer pessoa de bem" pensará assim?

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    1. Que eram importantes, sei que sim e parece que ficou bem demonstrado na carta. Aliás, nem me referi aos imensos programas sobre o assunto durante a campanha eleitoral – 1ª e 2ª volta que mais parecia que as eleições eram nossas. Mas isto é uma opinião pessoal que nem sequer a coloquei na carta muito embora me pudesse a ela referir. A sua observação deixa de ter sentido pois se reparar, começo a carta com a data do noticiário – pós eleições, daí não se ter justificado 26 minutos. Sobre a expressão “qualquer pessoa de bem” colocada após a justificação que dá ao que disse António Costa na AR “penso que eram metafóricas” é a sua opinião que vista por esse prisma, eu não seria pessoa de bem por não a ter visto com esse sentido. Aliás, o seu comentário era aqui que queria chegar - advogado de AC. Mas olhe que não é por se ser 1º Ministro que se passa a ser pessoa de bem. Basta ver as opiniões sobre o anterior.

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    2. Não Jorge Morais, da frase "pessoa de bem", não gosto simplesmente pois divide as pessoas em "de bem" e " não de bem". Ao usá-la, retirei-a do seu texto onde a utilizou exactamente no mesmo sentido de que me diz eu a ter usado para consigo, ou não? E quanto a eu querer ser advogado ( de defesa de AC), neste caso é mesmo isso. Outros serão de acusação, como foi o seu caso. Mas bem sei que não é por se chegar a 1º ministro que se é, no sentido que dá à expressão de que eu não gosto, "pessoa de bem". Senão como teria aportado a esse cargo, Passos Coelho? Ou, se quisermos recuar muitos anos, A. O. Salazar?

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    3. A sua resposta apenas confirma aquilo que eu já sabia. Que temos critérios diferentes em analisar o que dizem ou fazem aqueles com quem nos identificamos, como com quem não nos identificamos. Chama-se a isto ser independente. O que para si, e a prova está neste exemplo, é impensável. Até sei, sem me dizer, os 1º Ministros que para si são gente de bem. . .

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