quinta-feira, 25 de maio de 2017

Estatísticas. Quanto valem?

Embora as mortes por suicídio em Portugal, tenham baixado, segundo um mapa com fundo negro, publicado por um jornal, os portugueses sofrem mais do miolo. Lido o gráfico, ele diz-nos que as perturbações mentais e do comportamento dos nacionais, aumentaram, mas não se traduziram no número mais elevado de suicídios o que poderá parecer uma contradição. Mas não. Indicam-nos apenas, de que afinal os portugueses não estão tolinhos de todo. No fundo, ainda lhes resta uma qualquer esperança que os possa tirar da angústia em que vivem, e teimam em manter-se com vida, vivendo-a na precariedade. Forte razão deve haver que explique o porquê disto nos acontecer. Qual a razão e a causa para que sejamos os primeiros em tudo quanto é mau, e deficientes no que tem a vida de mais apetecível, saboroso e importante. Relido de alto a baixo o apresentado mapa negro, ilustrado por símbolos que revelam as causas principais de morte no país, e somados todos os que delas são vítimas, verificamos que os portugueses vivem sob a ameaça de bombas várias, que atentam à sua sobrevivência, e muitos morrem mesmo, sem tempo de dizer ai nem ui, ao som de um réquiem silencioso qualquer. Num desconcerto desafinado, e com estrelas só no céu. Qual então a explicação para que tal aconteça, a nós, o povo mais pobre da Europa comunitária? Será só por mero acaso, fatalidade, destino, sentença, maldição antiga de que não nos livramos? Não! É por não termos quem governe com decência, dignidade e respeito pala vida humana, e por terem-nos negado durante muitos anos, condições básicas, para uma melhor qualidade, de vida. Os que sofrem, os que perderam tudo o que completa  uma pessoa e/ou uma família, os marginalizados, os que enveredaram por via disso pela perda da auto-estima, adoecem com mais facilidade do que aqueles que encontram maior equilíbrio, estabilidade, segurança, comodidade e os afectos firmes e incontestados. São os que se viram de repente com a vida de pernas para o ar, num conflito duradoiro, quase permanente, e desistem por falta de meios e oportunidades, para beneficiarem de cuidados de saúde, e com o resto que faz feliz um ser humano. As bombas que nos põem no caminho, escondidas, mas que rebentam em nossas casas e nos ferem e matam, tem uma origem entre outras - os governos da nação e as suas políticas económicas-financeiras de austeridade, de falta de emprego digno, que resulte em reforma de jeito na idade adequada, certo e remunerado, que estão na base destes aumentos das doenças e de conflitos graves. Não reconhecer isto, é querer continuar a esconder as bombas por entre a multidão que ao deflagrarem apanham este mais aquele, que corre desorientada na tentativa de se salvar, no percurso :- casa-farmácia-hospital-casa desfeita-abandono-negritude-caixão. Por isso somos o país aonde as doenças do cérebro, AVC, isquemias, sistema cardiovascular, pneumonias, e os tumores malignos, são as mais responsáveis pelas mortes registadas. Ou não será assim, e tudo se resume a uma qualquer herança genética, um fado, um mau-olhado, uma praga, ou coisa pestilenta e sem cura? O que dirão os inteligentes, que são normalmente os que perpetuam este estado de vida, com falinhas mansas e meigas? Quem tiver ainda paciência que os oiça. Eu já desisti, não vá suicidar-me e estragar as estatísticas!

*(hoje no Destak-págª16) 

1 comentário:

  1. Aqui estou, atendo-me unicamente ao que o seu título me sugere. As estatísticas valem o que valem mas... também valem muito! Ou a excelente evolução e bom valor da taxa de mortalidade infantil são para deitar fora nas nossas análises críticas das publicações do INE?...

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