quarta-feira, 24 de maio de 2017

O 36º e a saída do PDE

Embora o futebol não seja a minha praia, não deixo de acompanhar a modalidade que arrasta tantas multidões e que ocupa em demasia todos os meios de comunicação social. Por isso, enquanto assistia aos festejos do vencedor, fiz uma análise, não de entendido mas de curioso, ao percurso que Rui Vitória (RV) teve que optar para chegar ao resultado final. É que apesar de fazerem parte da equipa uma série de jogadores de qualidade acima da média, a realidade é que quase nunca pode contar com todos em simultâneo e daí a enfermaria nunca teve mãos a medir tal a vaga de lesões que afectaram a sua equipa. Assim, RV entre jogar bonito para deleite dos adeptos mais exigentes ou jogar para pontuar pois só assim se "compram os melões", o mister optou por esta solução muito embora tenha agradado apenas àqueles que pensam mais com a cabeça do que com o coração. Desta forma, já com o título garantido, até pode dar-se ao luxo da na última jornada ter dado oportunidade a quatro jogadores que até aí não tinham tido hipóteses de mostrar o seu valor. Hoje, mesmo aqueles que protestaram pelo facto do SLB não dar espectáculo, puderam festejar o 36º graças ao doloroso "apertar do cinto" que durou 33 jornadas. Se me permitem, e salvaguardando as devidas especificidades, há aqui uma similitude com os festejos da saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE) em que se encontrava desde 2009 e que o actual governo conseguiu encerrar com mérito. No entanto seria politicamente desonesto esquecer que o anterior governo herdou tal situação, não com o país na enfermaria – mas já moribundo, falido, sem dinheiro para mandar cantar um cego - e por isso teve necessidade de por a equipa a jogar para o resultado, o chamado jogo sujo, onde talvez por vezes tenha exagerado nas tácticas, mas que os resultados apareceram mais tarde e assim todos podem festejar, embora com todas as cautelas para não voltarmos a cair em tal situação. Termino com uma frase de Marcelo quando felicitou o actual primeiro-ministro, António Costa, e o anterior, Pedro Passos Coelho, considerando que a decisão de encerramento do (PDE) foi possível "pelo trabalho dos respectivos governos" a que acrescentarei – a uns sai-lhes a fava, a outros o brinde. Jorge Morais
 
Publicada no DESTAK  e  no DN-M  de 24.05.2017
 
                                                                       Ilustração de leitor Paulo Pereira
 

3 comentários:

  1. Devo reconhecer que a história contada pelo Jorge Morais está bem engendrada. Só que a conclusão da "fava" e do "brinde"... Bom, o que eu acho é que, usando a sua metáfora, o bolo-rei de Passos/Portas foi por eles confeccionado, com "ingredientes" por eles "bem" escolhidos, nele não existia "brinde" e "favas" tinha muitas. O do Costa, tinha ingredientes diferentes, existia uma só "fava" e um só "brinde", como é tradicional, e souberam trabalhar para escolher (!) a fatia certa. Falta dizer que "quem pagou as favas" fomos nós todos mas , felizmente, o "bolo-rei" do ano seguinte já foi bem mais comestível, como aliás o Jorge Morais reconhece.

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    1. Antes do mais, grato pelo seu comentário que me parece não desmentir no essencial aquilo que pretendi transmitir. Pelos seus comentários e artigos neste blogue, tenho a certeza que a sua memória é excelente e daí lembrar-se muito bem da situação que tínhamos em 2011. Se António Costa tivesse recebido a mesma herança, tinha alguma hipótese de distribuir como tem feito? Acha que sem ovos se fazem omeletas? Quando acuso que Passos tenha “exagerado nas tácticas” é uma acusação a posteriori e sem conhecimentos na matéria e por essa razão talvez tenha sido injusto mas deixei-me levar pelo coração e não me arrependo. Aliás, as minhas cartas da época são a prova que quando tinha que lhe bater, batia. Outros não poderão gabarem-se do mesmo. É a vida. E obrigado por me ler.

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    2. Quanto ao assunto do seu texto, ambos sabemos o que pensamos do seu conteúdo. Posições diferentes mas, como você diz...é a vida. Por lê-lo, não me agradeça pois leio o que todos escrevem. Honra lhe seja feita a si é porque debate e responde. E isso é muito sadio.

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