sábado, 10 de junho de 2017

A VITÓRIA DE CORBY E DO LABOUR

Theresa May foi a grande derrotada das eleições britânicas. Ao não alcançar a maioria absoluta, ao primar pela arrogância, ao ser odiada pelo seu próprio partido, May alia-se aos unionistas da Irlanda do Norte que pouco tempo de sobrevivência lhe garantem ao seu novo governo. Pelo contrário, o trabalhista Jeremy Corby, que tinha contra si quase toda a imprensa e todas as campanhas, atingiu os 40%, o melhor resultado do Labour em 20 anos, e trouxe um novo discurso, em certa medida, próximo do de Mélenchon em França. Ao demonstrar amplas preocupações sociais, Corby denuncia o Estado Big Brother, exigindo o aumento dos impostos sobre as grandes fortunas, a renacionalização dos caminhos de ferro, dos correios e da água e o fim das propinas nas universidades públicas, prometendo um verdadeiro programa socialista que atraiu os jovens e a que não é alheia alguma poesia que ainda lembra a de Maio de 68. Corby denuncia também a intervenção militar do Ocidente no Médio Oriente como uma das causas evidentes do terrorismo jiadista. Prova-se, assim, que a via da "social-democracia" de Tony Blair, José Sócrates e outros, a Terceira Via, da austeridade, da aliança com a direita sempre foi um embuste e que existe, de facto, uma alternativa anti-autoritária e esquerdista.

5 comentários:

  1. Sem dúvida muito encorajadora esta adesão dos jovens às ideias de Corby...

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  2. As pessoas estão fartas destes políticos que estão há muito em cena. Logo procuram outros caminhos que não são fáceis e esperam que as nações tomem outro rumo. A comunicação social, alimentada pelos actuais senhores, não tem capacidade para propor ou analisar as novas vias. Logo, vai fazendo aos que estão na esperança que continuem a alimentá-la. Dos resultados das últimas eleições, embora perdendo deputados, os conservadores da Teresa May foram os únicos que ganharam. Os socialistas em França, que dominavam a assembleia da república, desaparecem e coisa parecida tem sucedido nos últimos tempos noutros países. Os políticos profissionais, cada vez mais mal vistos, têm de desaparecer do mapa, para dar lugar a um mundo novo. De contrário isto vai tudo paar a vala comum.

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  3. Apoio os três. Apenas discordo do amigo Tapadinhas quando diz que " a c. social não tem capacidade para propor ou analisar as novas vias". Não tem, amigo Tapadinhas, devido ao motivo que refere. Porque "alimentada pelos actuais senhores". Portanto, tem! Os seus donos é que não o permitem. Os mesmos donos, que nos retiram a nós, leitores-intervenientes, espaço.

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  4. Amigo Ramalho - Estamos de acordo na plenitude, embora possa haver análises diferentes no pormenor. A vida é difícil e se um jornalista prepara uma peça que prejudique um grande cliente da publicidade, a administração procura-lhe se quer publicar e que o jornal perca o cliente que o alimenta ou continuar com o emprego. O sistema está de tal forma podre que, mesmo os honestos, por vezes, têm de fazer das tripas coração.

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  5. E verdade, amigo Tapadinhas! E têm de comer ( e os filhos, se os tiverem) todos os dias...

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