terça-feira, 6 de junho de 2017

CARIDADE INSTITUCIONAL



Então já trataram todos do IRS? E foram sensíveis ao apelo do Estado para darem uma facadinha no orçamento do próprio Estado? Não ouviram na própria rádio e televisão do Estado, Antena 1 e RTP, “Você não quer que o seu IRS vá todo para o Estado?”.
Pois é! Esta coisa da caridade é uma coisa muito bonita. Ajudamos os deserdados da sorte ou os que se perderam nos maus caminhos, e nos caminhos do desemprego, dos ordenados ou pensões de reforma miseráveis. Enfim! Ajudamos os que caíram ou foram empurrados para a valeta do sistema e ficamos de consciência leve e alma lavada.
Mas, por acaso, pensaram que ao canalizarem parte dos vossos impostos para essas instituições, Estavam a retirá-lo ao erário público? Ao Estado? A quem deve suportar a Escola Pública, o Serviço Nacional de Saúde ou a Justiça?
Não sabemos ou ouvimos todos, os professores a dizerem que as turmas deveriam ser mais pequenas para que o Ensino Público fosse mais eficaz e não houvesse desemprego na classe docente e auxiliares? Não sabemos todos a escassez de médicos e enfermeiros no SNS? E a morosidade da Justiça, o fecho de tribunais? Quem é que desconhece que deveria haver muito mais investimento público para benefício de todos e do país?E quem é que não ouviu já o Governo a dizer que sim senhor! A manta do Estado deveria ser mais protetora mas que é curta? Ou seja, que o Estado não tem dinheiro para tudo?
Pois é! Isto de milagres, parece que já nem em Fátima, em que as aparições se transformaram em visões. Se as empresas e quem tem brutos lucros não pagam os impostos que deveriam pagar, e se ainda por cima se desvia para as IPSS o que é do Estado, evidentemente que este não cumpre as suas funções, e ainda por cima privilegia e enaltece a caridadezinha.
Francisco Ramalho

Corroios, 29 de Maio de 2017

Hoje,6/6/17 no DESTAK

1 comentário:

  1. Em tese O Francisco terá razão. Na realidade do mundo, não me repugna, no entanto, a caridade e compaixão não institucionalizada. Talvez por isso, tirei a possível "bissectriz" e dou a tal percentagem à Amnistia Internacional que defende os direitos humanos, denuncia crimes contra eles e por aí fora. E fiz-me associado.

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