terça-feira, 27 de junho de 2017

‘Está tudo entregue à bicharada’


Parece-me que já terão ouvido esta conhecida expressão, pelo menos através do povo mais simples, que está intimamente ligado à sua via popular, do que aqueles que, em seus gabinetes e outros lugares afins, só ouvem palavras bonitas, quiçá malcheirosas, mas mantidos no patamar da via erudita, tendo em conta os seus sensíveis ouvidos e obras.
Assim, os eruditos não ouvem os parvalhões que dizem que ‘compram tudo feito’, porque ‘trabalharam toda a vida’, e, portanto, quem ‘lhes comeu a carne, que agora lhes rilhe os ossos’. E por aí adiante. Todavia, culturalmente nada amealharam.
Entretanto, muitos dos ditos eruditos, durante a sua activada vida, trataram, não da sua ‘vidinha’, como chafurdaram, quase a cem por cento, na sinuosa via da mui conluiada corrupção, da qual obtiveram mordomias altamente criminosas, mantendo o povoléu amorfo e cada vez mais dependente do exterior e por este continuadamente saqueado.
Então, vejamos os nossos grandes e iluminados ‘crânios’, que mais não são do que a reencarnação dos vendilhões do templo, pagos a peso de ouro, entregando a banca aos espanhóis, a electricidade aos chineses, a TAP aos brasileiros, os aeroportos e seu espaço aéreo aos franceses, os fiáveis CTT e seus derivados lucrativos a ingleses, franceses, alemães e noruegueses, as comunicações fixas e móveis a angolanos e franceses, a moeda com directrizes do BCE, a nossa economia a cargo do Eurogrupo, e não sei que mais dirigido e saqueado do exterior.
Isto é, não faltará muito para termos de pagar aluguer e renda por tudo que venhamos a ter neste rincão, que já foi nosso, mas que agora ‘está entregue à bicharada’.

José Amaral



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