domingo, 18 de junho de 2017

Instituto Nun´Alvres (INA)

A Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loiola, possui um rico historial dedicado ao ensino, mas passou por vicissitudes terríveis. Instalados em Campolide, Lisboa, o jacobinismo da primeira República correu com eles e confiscou-lhes os bens; foram acolhidos na Bélgica mas, quando tudo parecia correr bem, a 1ª Guerra Mundial obrigou-os novamente à fuga, desta vez para Espanha, La Guardia, próximo da fronteira com Caminha.
Tendo como padroeiro Nuno Álvares Pereira, que contraíram para “Nun´Alvres”, este nome causava engulhos aos espanhóis, por lhes lembrar Aljubarrota, e foram obrigados a mudar para “Maria Imaculada”. Rebentaram em Espanha as convulsões da guerra civil e o novo regime republicano, com a mesma filosofia dos portugueses de 1910, correu com eles também.
Com um regime em Portugal nos antípodas do anterior, instalaram-se em Caminha, na Casa da Rocha, enquanto não encontravam instalações com garantia de futuro; tentaram Coimbra, mas o bispo de lá não achou boa ideia; havia em Santo Tirso um antigo hotel termal que, pelos bons ofícios de algumas personalidades de relevo, a companhia proprietária cedeu definitivamente. Fizeram-se grandes obras de adaptação para salas de aula, laboratórios, espaços para artes e desportos, para o culto e camaratas, muito importante dado tratar-se de um colégio interno; fizeram lá a escolaridade até à universidade rapazes de todo o país.
Chegou a um ponto que, pelo crescimento do número de alunos, também já externos das redondezas e meninas, os padres-professores já não chegavam, pelo que foram contratados professores externos. Abriu aulas para adultos em regime pós-laboral e é aqui que eu entro. Dado o nomadismo da minha vida naquele tempo, tanto que sou de Ponte de Lima, a mulher é de Leiria, a filha é de Lisboa e o filho de Santo Tiro, fui melhorando a minha formação aos pedaços um pouco por todo o lado.
Colocado em Santo Tirso, um rapaz de lá com quem tinha estado no Serviço de Telecomunicações Militares, na central do Estado Maior do Exército,em Lisboa, sabendo da minha pretensão em concluír algumas disciplinas em falta, sugeriu-me o famoso“colégio das caldinhas”. Aqui chegado, dizer que posso ostentar no cartão o título de ex-aluno do INA – ao jeito daquele ex-passageiro do paquete Niassa… -  não é mentira nenhuma e guardo de lá muito boas recordações.
A caminho de uma aula de física dada pelo padre Nuno Burguete – que também era o Reitor -  em conversa aberta e com aquele descaramento que hoje não teria, lembrei-me de uma coisa que tinha ouvido e atirei: Ó setor, é verdade que os jesuítas respondem sempre a uma pergunta com outra? Resposta rápida e concludente: Quem disse?!


Amândio G. Martins

3 comentários:

  1. Conheço um jesuíta que tem dado respostas sem tergiversar... Por exemplo, num tom nada interrogativo: Esta Economia mata!
    Francisco, como o meu neto mais novito...

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  2. O Papa Francisco comungará certamente do lema do padre Pedro Arrupe, muitos anos Superior-Geral da Companhia de Jesus: "A nossa missão é formar homens para os outros".

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    1. Não tenho dúvidas que para Francisco essa será uma das matrizes do seu pensamento: "seres humanos para seres humanos".

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