domingo, 11 de junho de 2017

Máquina do Mundo

Na obra poética de António Gedeão encontrei o poema “Máquina do Mundo”, que passo a citar:
“O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto, é a matéria.
Daí, que este arrepio,
Este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
Esta fresta de nada aberta no vazio,
Deve ser um intervalo.”
É um poema científico arrebatador, extremamente técnico e revelador daquilo que é o Universo. Esta procura incessante tão humana remete-nos para a crença de um universo tão vasto, tão cheio de nada, que podemos encontrar tudo.
São os questionamentos decorrentes do mistério que se faz a partir do Universo que nos propulsam numa busca incessante de algo mais além. Algo transcendente. Algo enorme. Tão vasto como o Universo. Tão vazio como o Universo. Tão cheio como o Universo. Tão arrepiante como um intervalo que teima em não findar. Um intervalo de Universo.
O mistério que se estabelece em torno do Universo, aproxima-nos do divino. Ambos se equivalem quanto à tentativa de investigação do infinito, como se o Universo/Divino fosse alvo controlado pela visão limitada dos nossos olhos de e um objeto a ser facilmente decifrado. Não é.
É a obra de Deus.

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