sexta-feira, 16 de junho de 2017

O QUE FAZEMOS AQUI

Pergunto-me o que viemos fazer aqui se raras vezes somos totais, plenos. A maior parte do tempo andamos a cumprir normas, regras, não somos liberdade. O nosso interior não está em harmonia com o cosmos. Somos prisioneiros da culpa, do pecado, do sacrifício que vêm da tradição judaico-cristã que o capitalismo adoptou. Somos formatados por imagens, reinos virtuais, ídolos e, a grande maioria das vezes, não somos senhores de nós mesmos. O dinheiro, o mercado e o trabalho exercem sobre nós uma escravatura sem fim, uma rotina que se repete todos os dias e que afecta os lazeres e a própria arte. Uns poucos senhores- da finança, dos media, da política- controlam as nossas vidas e castram a nossa felicidade. Restam-nos os momentos em que conseguimos resistir, em que somos autênticos, em que o nosso eu se une ao cosmos, ao amor, ao outro. Restam-nos os momentos em que somos realmente livres, em que explodimos, em que alcançamos a iluminação. Restam-nos os momentos de criação, do homem criador, poético, de Nietzsche e de Jesus.

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