sexta-feira, 7 de julho de 2017

A "tropa" no seu melhor!

Confesso que o meu lado "castrense" é mínimo. Porque somando pequenas e grandes coisas que observei e vivi,  à estrutura rígida do Exército ( que foi o ramo que conheci) sobra-lhe em dogmatismo aquilo que lhe falta em inteligência e "senso comum". Exemplos? Quem, em plena guerra colonial, não vende uma garrafa de vinho a um soldado pois só o faria a oficiais, como funciona "da cabeça"? Quem diz que não há vinho para vender na cantina e aquele aparecia ( sem o pudor de retirar a cinta que dizia "especial para as Forças Armadas") nos restaurantes de Tete, o que é? Corrupto? Quem diz, no meio do "mato" (sucedeu comigo), a um soldado que não pode sair do quartel pois tem um pequeno rebordo imaculadamente branco duma camisola interior a vislumbrar-se acima da abertura da camisa da farda, é disciplinador ou simplesmente "estúpido e prepotente"? Quem responde a um instruendo médico, em Mafra, que explicou que não podia encharcar os pés porque tinha uma otite crónica supurada, que "os pés não têm nada a ver com os ouvidos", é um líder ou um ignorante mesquinho?
Quem envia "toneladas" de laxantes para os quarteis no "mato" ( onde, como se imagina, a diarreia era prevalecente) enquanto os anti-diarreicos se contavam pelos dedos de duas mãos, porque será? Talvez por que os laxantes se vendiam mal no mercado negro e os seus contrários muito bem... ? Quem se tentou opôr a que fosse dado um louvor a um soldado maqueiro ( que tentou reanimar uma mulher bêbada, suja e ensanguentada) porque este anularia um castigo anterior e assim... o rapaz viria visitar  a mulher  e o filho à "Metrópole"? Comandante justo ou simplesmente desumano?
Vem este rol de más lembranças a propósito do triste espectáculo, agora em tempo de paz, que vem sendo dado com e após o roubo no quartel de Tancos. Todo o falhanço de rondas e outra vigilância que nos foi dado saber. Possivelmente por culpa dos comandantes, cinco, que nada previram, nada supriram, nada fizeram! Comandantes esse que foram EXONERADOS pelo Chefe do Estado Maior do Exército (CEME) mas... provisoriamente (?) pois, logo de seguida o mesmíssimo CEME veio dizer que "mantinha toda a confiança neles" (sic)! Não sem que tenha também dito que se sentia "humilhado" (sic) com o que se passou!
Termino com o lado político e as cativações no Ministério das Finanças. Pelos vistos o actual governo não cativou nem um cêntimo na Defesa. Mas não se salva do "desastre" porque... manteve as cativações do governo anterior  e devia sim, ter estudado os assuntos. O que é facto é que com esta tropa, o problema não terá sido tanto esse (embora tenha sido criado um clima de desleixo por subfinanciamento anterior, mantido) pois o que imperou foi a incompetência dum corpo armado que desde há muito tem uma estrutura e um funcionamento pouco capazes, talvez por falta de "densidade cerebral".

Fernando Cardoso Rodrigues

1 comentário:

  1. Peço desculpa de ter errado na informação sobre as não cativações na Defesa. Onde não as houve foi no orçamento do Exército.

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