segunda-feira, 3 de julho de 2017

Sabedoria salomónica

Do tempo das primeiras letras lembro aquela história em que Salomão, perante duas mulheres que o procuraram reivindicando a mesma criança, cada uma afirmando ser a mãe, mandou cortar a criança ao meio e dar metade a cada uma; vendo que uma delas, arrepiada com tal sentença, lhe rogou que então entregasse o menino à outra, o rei não teve dúvidas de que essa era mesmo a verdadeira mãe, a quem ordenou que fosse entregue o filho.
Com o tempo fui conhecendo outras sentenças geniais deste descendente do rei David, o tal que derrubou o fanfarrão Golias com uma pedrada na testa…
Outra decisão impressionante aconteceu quando procurado por três homens, cada um afirmando ser o herdeiro de alguém acabado de falecer: mandou que trouxessem o defunto e cada um deles, munido de arco e flecha, ia disparar contra o cadáver, saindo vencedor o que fizesse disparo mais certeiro. Um deles acertou num braço, outro na cabeça e o terceiro, quando se preparava para cumprir a ordem, olhou para o rei e disse que não tinha coragem de profanar o cadáver do pai, o que deu a Salomão a certeza de que era esse o legítimo herdeiro.
Numa outra questão, o vendedor de um campo, quando soube que o comprador tinha lá encontrado um tesouro, pedia ao rei que o obrigasse a devolver-lhe o achado, argumentando que tinha vendido só a terra, enquanto o comprador dizia que, tendo comprado aquele campo, tudo que lá estivesse lhe pertencia… Salomão perguntou aos dois se tinha cada um filho e filha; confirmado que sim, ordenou que os filhos de ambos casassem e o tesouro seria o dote do novo casal.
Comentário: Eram tempos rudes, Cristo ainda não se tinha revelado na Terra, mas esta forma expedita  de fazer justiça, sem as manobras dilatórias a que hoje assistimos, levando anos a ser ditada uma sentença, era capaz de ser bem mais eficaz e justa, assim fosse possível encontrar juízes tão sábios…

Amândio G. Martins


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