quinta-feira, 13 de julho de 2017

Salvar as sementes

A quase totalidade das gentes da terra caíu no engodo das sementes que traziam a promessa de abundantes colheitas, mas nenhuma informação que os prevenisse dos  problemas em que se poderiam estar a meter; e hoje, quase sem se terem apercebido, estão nas mãos das multinacionais da agroindústria…
É que enquanto das sementes ancestrais era só guardar o que precisassem para o ano seguinte, agora nada disso é possível; estão obrigados a comprar, a preços exorbitantes, as sementes de que precisam a cada ano, porque se experimentarem semear da colheita anterior, simplesmente não nasce nada, porque estão assim geneticamente programadas!
Alguns agricultores de países europeus, como a França, já acordaram para o problema, voltando às tradicionais sementes, mas as máfias que se apoderaram do negócio têm o desplante de os ameaçar com processos, afirmando ter um acordo de exclusividade.
Do escritor e jornalista Alexandre Parafita transcrevo um apontamento do que um dia destes escreveu no JN acerca deste momentoso problema.
“Tem sido grande a polémica em torno dos interesses que se movem, à escala global, pelo controlo das sementes, Há multinacionais a deterem patentes que restringem o uso da semente própria pelos agricultores. E se é certo que os protestos mais recentes levaran o Parlamento Europeu a travar a aplicação de uma lei que, pura e simplesmente, ilegaliza a troca e comercialização das sementes tradicionais pelos agricultores, também é certo que a luta não está ganha: com as patentes e outros direitos de “propriedade intelectual”nas suas mãos, as poderosas corporações podem, em qualquer momento, alegar uma concorrência desleal e impedir os agricultores de prosseguirem uma prática milenar no cultivo dos seus campos”.


Amândio G. Martins

3 comentários:

  1. Este mundo começa a ser dominado por ladrões e assim torna-se difícil nele viver. Os espertos apoderam-se de tudo e os honestos sobrevivem com muita dificuldade e ainda com a carga de terem que sustentar os algozes. Se o pessoal não acordar a tempo, não tem oportunidade de dizer basta. Só que os imbecis que comandam o ataque vão também oa fundo junto com os oprimidos. Depois, uma nova e diferente civilização surgirá, porque a vida humana não pode acabar.

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  2. Esta civilização está a afundar-se. Reparem que é uma minoria a provocar os rombos, e outra minoria a tentar tapá-los. A esmagadora maioria, é manipulada pela primeira. A "nova e diferente civilização", amigo Tapadinhas, já não será nos nossos dias. Contudo, que havemos de fazer se não aquilo que a dignidade nos aponta?

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  3. Empenhados em padronizar o paladar à escala global - diz Parafita - esses potentados empobrecem a diversidade da alimentação humana, cada vez mais refém de variedades manipuladas visando maior rendimento.
    No nosso país rural ainda existem cerca de duas mil variedades de sementes, por cuja salvaguarda é urgente zelar!

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