segunda-feira, 7 de agosto de 2017

VENEZUELA, DUVIDAS E CERTEZAS

VENEZUELA, DÚVIDAS E CERTEZAS

“ Estamos muito esperançados que possa haver uma transição na Venezuela e nós na CIA estamos a fazer o nosso melhor para perceber a dinâmica, para a podermos transmitir ao nosso Departamento de Estado e outros. (…) estive na Cidade do México e em Bogotá na penúltima semana, para falar precisamente desta questão e ajudá-los a compreender aquilo que podem fazer”.
Sabem quem fez estas afirmações? O próprio diretor da CIA, Mike Pompeo. O homem recentemente nomeado para aquele cargo por Donald Trump.
Quem é que desconhece o longuíssimo historial da CIA no que respeita a golpes de Estado, proteção de ditadores e outras ações do género, como, por exemplo, a sua colaboração no assassinato de Che Guevara e no do presidente eleito Salvador Allende com o posterior banho de sangue no Chile? Portanto, a CIA e quem manda nela, têm as mãos encharcadíssimas de sangue de milhares de patriotas por se baterem pelas suas pátrias, pela justiça e pela liberdade. Só que, até aqui, faziam-no mais ou menos secretamente. Agora, do alto da sua prepotência e impunidade, fazem-no já assim às claras,mesmo publicamente.


Quem diz a CIA, diz do seu dono, os EUA. O país que no ultimo século, com exceção do holocausto nazi, é responsável pelos maiores crimes da história da humanidade. A começar por Hiroshima(faz precisamente hoje 72 anos) e Nagasaki, acabando na Síria. No primeiro caso, o pretexto foi uma monumental mentira: acabar com a 2ª Guerra Mundial. A Alemanha nazi tinha-se rendido há 2 meses e o Japão com as suas Forças Armadas destroçadas e exangues, sabia-se, ia fazer o mesmo. O hediondo crime, destinou-se a anunciar ao mundo e a avisar a então União Soviética, que possuíam aquela apocalíptica arma. Depois foi a Coreia, 4 milhões de mortos, a maioria civis. A seguir foi o Vietname onde despejaram mais bombas que durante toda a 2ª Grande Guerra. Uma quantidade enorme delas de napalm que queimaram florestas inteiras. E chacinas cobardes e miseráveis como a de My Lai. No Afeganistão, apoiaram os fanáticos criminosos Talibans para derrubarem o Governo que tentava arrancar o seu povo ao analfabetismo, ao quase feudalismo e ao obscurantismo medieval. No Iraque, o pretexto foi outra enorme mentira. Arrasaram-no. Na Líbia, o país da região com melhor nível de vida, idem idem aspas aspas. Agora na Síria voltaram a apoiar o pior que a humanidade já viu; os fanáticos e cruéis assassinos do auto-denominado Estado Islâmico e o ramo local da Al Qaeda. Soube-se agora também oficialmente pela boca de Trump, quando anunciou terem os EUA deixado de apoiar “os grupos anti-regime sírio ou anti-Bachar El Assad”.
Acossada interior e exteriormente, poderá haver críticas em relação a alguns métodos como tem decorrido o processo revolucionário na Venezuela? Poderá admitir-ser que sim!Agora, quem é que tem duvidas das intenções dos que sempre o tentaram liquidar?
Francisco Ramalho
Corroios, 6 de Agosto de 2017


3 comentários:

  1. Ó senhor Ramalho, é tão verdade o sinistro cadastro da CIA como incomensurável é a distância de um Allende para um Maduro... Lembro-me de ter lido, há muitos anos, que um conselheiro do presidente americano o prevenia que apoiar determinado ditador deixava ficar mal o país, porque o sujeito era um "filho da puta".Ouvido o conselheiro, o presidente respondeu: "tem razão, ele é mesmo um filho da puta, mas é o nosso filho da puta"! Parece-me que o drama actual da Venezuela não é o Maduro não ser o F.da P. deles, mas ser mesmo muito mauzinho...

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  2. O seu comentário, amigo Amândio, vem mesmo a propósito. Mas olhe que eu não comparei o Allende ( por quem, tal como o senhor,suponho, também tenho uma enorme admiração) com o Maduro. De qualquer maneira, veja lá, mesmo assim, se não lhe fizeram o que fizeram.Aquilo está mau. Continuamos a viver tempos muito maus.

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