quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

CASINO


No que depende de si e toca, o Governo socialista faz asneira e mostra o que vale - é fraquinho -, com a mesma facilidade que se esforça por fazer seus os créditos alheios. A economia europeia cresce e leva a nacional de arrasto, o turismo disparou, as empresas exportam mais e o anterior Governo fez o trabalho difícil das reformas estruturais, concluindo com sucesso o programa de ajustamento e pondo fim à intervenção externa da troika. Salvo casos excecionais, a dita devolução de rendimentos às famílias é conversa da treta.

Em compensação, no que os socialistas tutelam e decidem, desaparecem armas dos quartéis, o Estado falha miseravelmente no combate aos incêndios e auxílio às vítimas, o atendimento nos hospitais degrada-se, as dívidas aos fornecedores acumulam-se e parte do terceiro setor anda em roda livre, com a conivência de ministros incapazes de assumir o óbvio.
Neste Governo de maridos e mulheres, genros e noras, tios e sobrinhas, filhos e enteados, vive-se em circuito fechado, dentro do restrito número de "apparatchik" de confiança de António Costa. E por causa disso, começa a perder-se a ligação a critérios básicos de bom senso, que determinam estruturalmente o funcionamento de qualquer sociedade.
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) existe para ajudar os pobres, não para brincar aos banqueiros. Que sentido faz desbaratar 200 milhões de euros do dinheiro que recebe de uma espécie de oligopólio dos jogos de fortuna e azar - nos termos da lei exclusivamente para financiamento do apoio aos mais necessitados - na compra de 10% de um buraco imenso chamado Montepio, que nos querem convencer valer mais do que o BPI e o BCP juntos? Alguém acredita nisto?
Ao pé do Montepio, o caso Raríssimas é uma brincadeira de crianças.
Pedro Santana Lopes confessou esta semana ter sido pressionado pelo Governo e pelo Banco de Portugal para levar a SCML a embarcar na aventura do Montepio. A atual Mesa da SCML decidiu concretizar o disparate. É bom que tudo se esclareça.
Em qualquer outro país civilizado, perante o que a Raríssimas revelou, Vieira da Silva já não seria ministro, sem que fosse precisa intervenção do chefe de Governo. Em Portugal mantém-se. Já que é assim, convirá ao menos que explique tudo muito direitinho, também sobre o Montepio.
Como é evidente, não é aceitável que os socialistas tratem agora o setor social, onde faltam recursos para quase tudo, com a mesma leviandade com que em tempos desperdiçaram milhões em gastos absurdos, noutro caso do regime, à boleia da Parque Escolar.

* Nuno de Melo - DEPUTADO EUROPEU
No JN de hoje 21.12.2017
 
Nota:
Para quem não tenha acesso ao JN tomo a liberdade de dar a conhecer esta crónica com que concordo totalmente. Só espero não vir ser acusado que no Google o Nuno de Melo não existe, que não é deputado europeu e que o JN é desconhecido.
PS
Em virtude de ter dado respostas aos comentários ao artigo "A VERDADE A QUE MUITOS TEMEM ADERIR" do dia 19 do corrente e que já não aparece na página inicial aqui fica o aviso.

5 comentários:

  1. A sua ironia na nota final "percebe-se" em jeito de afirmação pessoal. Depois o que Nuno Melo pensa e diz é uma opinião política por demais conhecida e o Jorge Morais tem todo o direito de a perfilhar, embora esteja nos antípodas do meu pensamento. O que não tem nenhuma comparação com a paráfrase laudatória e pretensamente paradigmática que fez com o texto ("A verdade....") com um nome a encimá-lo mas que parece corresponder a um "fantasma" e cujo teor é muito "mais" que uma banal opção política com a do Nuno Melo, escrita no JN, ambos conhecidos e identificados.

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  2. O que de diferencia de algumas pessoas, é que não preciso de me identificar com o autor de qualquer crónica para estar de acordo com ele. Para outros, basta estar nos antípodas para não concordar. Como se chama a estas formas de estar na vida, não sei. Mas que me sinto bem e livre, ai isso sinto muito embora saiba que pago e de que maneira pela minha coerência. (PS: acredita que embora não me manifeste, estou muitas vezes de acordo com o que leio aqui embora os autores sejam gente da pioria?)

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    1. Mas não era, a conselho seu, "A verdade a que muitos devem aderir"?

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    2. "Temem" é o correcto. O que não altera que o tomasse como conselho seu. Identificando-se com ele, senão não o "postaria".

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  3. No texto inicial de 19 do corrente “O que realmente morreu em Auschwitz?” coloquei em 21 às 14H25 outro comentário pessoal, que não sei se o leu e que se referia a outro de Setembro de 2015 tendo acrescentado, para além de uma noticia que li no JN, o seguinte: ... com toda a franqueza não vejo motivos para certas reacções pelo que agradeço que me indiquem tim-tim por tim-tim onde está o mal. Assim, já que o Fernando Rodrigues me coloca a pergunta, responderei se me elucidar sobre as minhas dúvidas, ou seja, e repetindo-me, onde é que o jornalista/escritor fantasma é fascista.

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