domingo, 24 de dezembro de 2017

Privatizem, privatizem

Quem não se lembra dos embalos piedosos e mentirosos com que nos adormeceram para engolirmos o xarope das privatizações? Que íamos todos beneficiar das virtudes da concorrência, com a EDP a servir-nos kilowatts mais potentes e mais baratos, a PT a telecomunicar-nos a felicidade eterna com tarifas baixas, e, mais recentemente, os CTT a prestarem-nos serviços com selos mais certificados. Ninguém nos informou da submissão de tais empresas ao “divino” interesse dos lucros crescentes, nem de que esse escopo, se prosseguido às três pancadas, é incompatível com o bem-estar comum. Ninguém nos alertou para que os CTT pudessem ser desmantelados, despojados da carne suculenta, sobrando, no final da festança, uma carcaça de ossos que, a continuar assim, o Estado ainda terá de pagar para enterrar. Ninguém nos preveniu de que o princípio do máximo lucro pudesse substituir-se à imprescindibilidade de serviços públicos essenciais. A imoralidade de descapitalizar os CTT, até na distribuição de dividendos em montantes superiores aos resultados obtidos, roça a loucura. Só a avidez a justifica.

11 comentários:

  1. Tal como estamos fartos de ver, privatizam-se os lucros e nacionalizam-se os prejuízos...

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  2. De acordo. Mas não é rigoroso dizer que «ninguém nos informou... ninguém nos alertou...», uma vez que o PCP sempre informou e alertou para o perigo e consequências das privatizações... embora a sua voz e mensagem sejam escondidas ou deturpadas pela comunicação social dominante.

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    1. Claro que o PCP e outros avisaram - e bem! Naturalmente, referia-me aos vendedores da "banha-da-cobra" a quem convinha despachar direccionadamente a "mercadoria", e que só queriam justificar a venda de coisas que não eram suas.

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  3. Serviços públicos somente o Estado os pode desempenhar. E os CTT é um dos mais paradigmáticos! Os isolados ficam sem cartas? Que se "lixem", o mercado manda!
    Uma nota sobre o que disse o Ernesto Silva. É verdade que o PCP avisou. O problema é que o PCP "avisa sempre e em todo o tipo de serviços". Exemplo? Não do PCP mas do comunismo genericamente. Uma vez em Cuba, julguei ter perdido os bilhetes que tinha comprado para um espectáculo, no próprio hotel, estatal como tudo.Coloquei o problema, fizeram oito telefonemas (!) para instâncias sempre imediatamente "superiores" mas... todos "se cortaram" e se, por sorte, não encontrava os ditos, bem ficava a olhar para o balão! Foi em Cuba? Pois foi...

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    1. Cuba... Podia ter valorizado a atenção e diligências efectuadas para ajudar a resolver o problema dos bilhetes que julgava ter perdido...

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  4. E nós a pensarmos que a culpa era das privatizações ( de quem as fez) que deixaram o Estado sem cheta e até com uma divida brutal que somos obrigados a pagar,mas, afinal, a culpa é do PCP.Não é isso que outro escriba mais acima, mais uma vez, jura a pés juntos?

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  5. Quem, neste post, falou do PCP, disse que "avisou". E creio que todos estamos convencidos de que, caso houvesse influência do PCP, essas abomináveis privatiçoes nunca teriam acontecido. Logo, culpa de quê?

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  6. Quando digo mais acima, não é neste texto!

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    1. Realmente, tal como o José Rodrigues, procurei e voltei a procurar no "acima" e nada vi sobre a "culpa" do PCP. Sei agora que afinal foi... "atrás". Sei que que isto será uma minudência mas esta defesa do PCP por parte do Francisco, no caso vertente e neste texto, é totalmente extemporânea porque não houve "ataque".

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  7. Ninguém falou em ataque. Falou-se de culpa. Se procurarem noutro texto acima lá encontrarão num escrevinhador que é useiro e vezeiro a atribui-las todas ao PCP. Claro que eu deveria ter feito o comentário lá. Não quis. Ali, não vale a pena...O Fernando, neste caso, fica-se pelo "comunismo genericamente". Já agora, gostava de saber onde é que ele existe.

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