sábado, 28 de abril de 2018

Aleluia!, ao Museu Nacional da Resistência e Liberdade

O fisicamente degradado Forte de Peniche foi alvo duma tentativa de reconversão para espaço
turístico. Políticos e opinião pública ergueram-se contra tal atentado à nossa memória de
resistência à ditadura de Salazar e Marcelo Caetano. Aquele conjunto arquitetónico será um
memorial museológico.
   Pelo Forte de Peniche, prisão tenebrosa do fascismo, passaram cerca de 3 000 presos políticos! Não podiam falar entre si, a não ser com carcereiros por perto a ouvi-los. A família de esquerda teve uma participação relevante neste cárcere. O notável historiador, Fernando Rosas, também aqui prisioneiro diz: ‘’Era a prisão mais arbitrária, cruel e repressiva do fascismo!’’ Peniche objectivava o desaparecimento dos presos políticos!, que nunca sabiam quando sairiam da cadeia… muitos desapareceram, não se sabendo quantos foram. Após 44 anos da libertação dos últimos presidiários, o país precisa de saber o que lá aconteceu, sobretudo os jovens. Este sinistro local estava classificado como de alta segurança, porém teve uma fuga individual de Dias Lourenço e, mais tarde, de 6 patriotas, entre os quais Álvaro Cunhal e Francisco Martins Rodrigues, todos do PCP. Foi uma forte machadada no regime salazarista. Diz Dias Lourenço: ‘’A arbitrariedade, a violência e os castigos aos presos políticos aconteciam por tudo e por nada!, e a comida era execrável’’. Todos aqueles presos foram privados da liberdade, não por serem bandidos, mas por lutarem heroicamente pela liberdade política e pela democracia.
   O ministro da Cultura prevê que em 2019, o Museu Nacional da Resistência seja inaugurado. Oxalá! A luta dos republicanos, anarquistas, comunistas e da extrema-esquerda deve ser amplamente divulgada e estudada, para que jamais haja supressão da democracia.
Todos temos que saber e compreender porque é que o eufemisticamente chamado Estado Novo há muito estava esgotado! Fascismo jamais!

                                                 Vítor Colaço Santos

1 comentário:

  1. no passado dia 25 de Abril, houve uma sessão solene comemorativa da Assembleia de Freguesia de Corroios. Depois assistimos ao filme "48" de Ana de Sousa Dias (que não conhecia). Os protagonistas são ex presos políticos com fotografias tiradas pela PIDE e os relatos deles sobre as torturas, sevícias e humilhações tenebrosas e horrendas a que foram submetidos. A grande maioria dos portugueses sabe disso. Mas, muitos, apenas vagamente. Mas o que eu não sabia assim como, creio, a grande maioria dos nossos/as compatriotas não sabe,é que em relação aos presos políticos das ex colónias, a monstruosidade foi ainda muito pior. A grande maioria deles foi assassinada e enterrada em valas comuns.Destaco uma das formas:com a pessoa amarrada a um poste, espetavam-lhe um prego na cabeça, e depois soltavam-na. A criatura deambulava por ali até agonizar e cair, depois enterravam-na. Quem é que não fica horrorizado só de ouvir contar isto? Outro "crime" é este miserável comportamento daqueles esbirros, a mando do regime, não ter sido divulgado como devia, depois do 25 de Abril. E, já agora, aqueles assassinos e torturadores miseráveis e os responsáveis não terem sido convenientemente condenados.

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