quinta-feira, 2 de agosto de 2018


Como eram belos os sonhos...


“Somos contra uma sociedade que cria rivalidades de interesses e perverte os homens pela mentira, pela hipocrisia e pelo ódio. Somos de opinião que a sociedade, considerando o homem apenas como um meio para conquistar riquezas, é desumana e se nos torna declaradamente hostil. Não podemos aceitar a sua moral com duas caras: o cinismo sem vergonha e a crueldade com que maltrata os seus adversários.

Queremos lutar e havemos de lutar contra todas as formas de servilismo do homem, físico ou moral, utilizadas nesta sociedade. Lutaremos contra todos os métodos de dividir a colectividade em proveito somente da cobiça. Nós, operários, somos aqueles que, através do nosso trabalho, tudo criamos, desde as máquinas gigantescas até aos brinquedos para as crianças. E, todavia, estamos privados do direito de lutar pela nossa dignidade como homens livres.

Somos revolucionários e seremos revolucionários enquanto uns tratarem e pensarem apenas em oprimir os outros. Havemos de lutar contra a sociedade, cujos interesses os senhores estão aqui a defender: a reconciliação entre nós só será possível quando formos os vencedores. Porque havemos de ser nós os vencedores, nós que não somos senão os oprimidos! Os mandatários de todos vós, senhores, não são tão fortes como se julgam. As riquezas que acumulam, sacrificando na sua defesa milhões de criaturas infelizes, essa força que lhes dá o poder sobre nós, criam alternativas de hostilidade e arruinam-nos física e moralmente”.

Nota – Apontamento de parte do depoimento de Pavel Vlassov perante o tribunal do Czar -  onde foi condenado, juntamente com os companheiros, à deportação para a Sibéria -  transcrito do livro anexo.


Amândio G. Martins

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