sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Direito a viver sem sofrimento, com dignidade e qualidade de vida



O sofrimento de portugueses esteve de certa forma, na ordem do dia, no debate sobre a eutanásia. Para lá das circunstâncias que no limite podiam justificar tal opção, há muito sofrimento que pode e deve ser evitado e que deve merecer preocupação e intervenção da Assembleia da República e do Governo.
Há ainda em Portugal muito sofrimento causado por motivos de saúde, mas também por problemas sociais.
O desenvolvimento científico permite eliminar ou diminuir sofrimento físico e psicológico e prolongar o aumento da esperança de vida em condições dignas.
Há portugueses que sofrem porque continuam a ser enormes as carências no Serviço Nacional de Saúde, quase diariamente apontadas na comunicação social, desde a falta de médicos e enfermeiros, de técnicos e auxiliares, insuficiência de meios de diagnóstico e tratamento, falta de médicos de família onde estão abrangidas 136 mil crianças e jovens, espera de muitos meses para consultas e cirurgias, esperas prolongadas e insuficiências nas urgências, escassez e diminuição de cuidados continuados e paliativos, falta de apoio familiar, etc.
Há portugueses que sofrem, porque cerca de 2 milhões e meio estão em situação de pobreza ou exclusão social, dos quais 431 mil são crianças, os salários são baixos e as pensões baixíssimas, muita precariedade e desigualdades, falta de habitação ou falta de qualidade na mesma, desemprego, sem abrigo, falta de creches, falta de lares para idosos, etc.
Depois de tudo fazer para evitar sofrimento e dignificar a qualidade de vida dos portugueses, talvez seja mais oportuno debater a opção da possibilidade, de no limite, deixar de viver.

3 comentários:

  1. Confesso que não sei se entendi bem. Julgo que quis dizer que se devem esgotar todos os cuidados de saúde e sociais e só depois pensar na hipótese de eutanásia. Sempre a pedido do sofredor, claro. É isso? Se é, coloca totalmente de lado o fazer uma lei ( como a que foi debatida e "chumbada" há pouco tempo na AR) que dê acesso à morte assistida a pedido àqueles que a pedem porque já atingiram o limite do sofrimento, mesmo que todos os cuidados de saúde já tenham sido prestados e, inclusive, nem precisem de cuidados sociais ou já obtuverema os necessários e suficientes?

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  2. Eu não coloco nada, nem nenhum debate de lado. O que quero salientar é o muito que há a fazer, e que se deve fazer, para evitar sofrimento e dignificar a qualidade de vida.

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    1. Eu sei. O que eu entendo é que o debate sobre a morte assistida está feito e o que é precisa é uma lei. Que, não existindo, quer se queira quer não, faz que sejamos nós a decidir pelos outros acerca do seu sofrimento e querer. O que, para mim, é intolerável em termos de sociedade humana.

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