sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Fotos delas de verão

- Sãos uns malandrecos os fotógrafos de modelos ou aqueles foto-jornalistas que trabalham para as revistas fofoqueiras. Eles sabem mais que o papa, e das poses que são precisas aconselhar para que elas percam rugas e gorduras a mais. Mandam-nas na hora e sob a luz certa, natural e fabricada, porem-se dispostas na posição e sob o ângulo correcto, estejam por casa sossegadas, esquecidas, ou em viagem num veleiro amigo E elas assim se esforçam para que o retrato, o álbum, saia na perfeição. O fotógrafo ajusta a abertura e o filtro, e segundo a objectiva indicada, para captar o efeito desejado. O corpo tem que colaborar e obedecer. O calor de verão carrega a luz adequada e a legenda a colar acompanhará o resto, até que pareça uma boa "estória" de personagem perseguida, ou de família apreciada, quase exemplar. Um pouco de drama também dá jeito. A foto conquistada também pode estar na base do êxito de ambos e de todos. Da modelo, da revista e do fotógrafo. Será preciso apenas algum bronze, decoração, paciência, e muito clique. O pagamento está por conta da editora. À modelo, que pode ser apenas "entretainer de chacha" de uma têvê, actriz de novela caseira, pivot de programa ou concurso sazonal, apenas lhe é pedido que se desnude o necessário e suficiente para impressionar o q.b. Só insinuar, nada mais. A imaginação fará o zoom que a cada um cabe distanciar. Uns quererão um grande plano, a outros bastar-lhes-à uma panorâmica. Sempre questão de perspectiva. Mas o importante é o fotógrafo, fazer delas umas jovens, mesmo se as peles já sobram e lhes cai umbigo abaixo até às rótulas. Apelativas, sexys sempre, ainda que os corpos já não tenham rigidez, e as partes sejam flácidas. O fotógrafo sabe contrariar estas fragilidades e aguentar tudo em cima. Manda-as erguer os braços, fazer esticar o corpo, estender uma perna, por o pé em bico, erguer o rosto, escondê-las sob suave sombra, relaxá-las ao sol, e no momento certo após repetições inúmeras, fixá-las para a posteridade, publicar, e espalhá-las pelo mundo na revista a cores, vendidas no quiosque da esquina ou perto do mar. O malandreco da máquina de criar ilusões, nem precisa de recorrer ao fotoshop para as rejuvenescer. Ele que mete e tira quanto sinais quer. Bastou-lhe pedir-lhes que elas se espreguiçassem e sorrissem para a câmara. E elas tão gostosas, embarcaram nesse desejo de permanecerem belas, enganadoras, aos olhos de quem nunca as viu ao perto e nem mais gordas, mas que suspiram ainda de olhos esbugalhados. São assim os foto-jornalistas de fofoquices. Eles, que até nuvens nas cabeças do povo, sabem criar, e transformar traquinices da idade, de qualquer Cristina ou Catarina palradora, ainda com mercado por aí!*

-*(pubcdºJN.29ago.«Fazedores de divas»-cortado)

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