segunda-feira, 6 de agosto de 2018


Poeta sofre...


Popular e erudito, intervencionista e estudioso, José Mário Branco, que não gravava desde 2004 e também fez uma pausa nos concertos, diz em entrevista ao JN que o Mundo mudou tanto que já não se  sentia bem a cantar as músicas do costume; mas publicou recentemente um duplo CD que resgata 26 temas dum vasto espólio que tinha ficado guardado...

Tem uma visão pessimista? – perguntaram-lhe.
“Não. É apenas pessimista no tempo de a revolução ser amanhã. É pessimista no sentido de termos aqui um projecto para realizar e de que afinal não há projecto. Estamos confrontados com fenómenos muito novos, muito diferentes.

Fiz uma vez uma canção para a Cristina Branco que se chama “Bichinhos distraídos”. É um olhar possível sobre a Humanidade. Vivemos numa espécie de entropia histórica, grandes massas de pessoas que se contentam com o que está, que não se questionam, que não se sentem responsáveis por coisa nenhuma.

As duas coisas mais agressivas que há no Mundo não são as bombas atómicas, mas sim a mediocridade e a ignorância. Neste momento, o futuro é o passo seguinte, não é mais do que isso”...


Amândio G. Martins

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