domingo, 12 de agosto de 2018


Talvez à procura de redenção...


É mais que sabido por quase todos que sempre houve no mundo demasiados bisnaus que, na ânsia de fazer fortuna, deitaram a mão a meios que nem ao diabo teriam lembrado; depois, nas voltas da vida, alguns deles são incomodados por rebates de consciência e procuram redimir-se do muito mal que fizeram, dedicando parte da fortuna ilegitimamente angariada para boas acções, mas nunca saberemos se o fizeram num verdadeiro acto de contrição, sem intenções reservadas, ou para perpectuarem nessas obras o seu nome...

O JN traz uma entrevista com a museóloga Isabel Andrade Silva, estudiosa do que foi a emigração para o Brasil durante cerca de cem anos, que levou do país à volta de um milhão e meio de almas, dos quais Ramalho Ortigão escreveu que os que voltaram foram diminutos e mais diminutos ainda os endinheirados, que não encheriam mais que dois ou três bancos de jardim.

Isabel Andrade Silva fala das marcas deixadas no Porto pelos torna-viagem endinheirados, materializadas em palacetes com jardins embelezados com as plantas trazidas dos trópicos, que ainda hoje nalguns sítios sobressaem na cidade.

Impressionante o que é dito de um desses “brasileiros”, o conde Ferreira: “O conde Ferreira viveu a vida inteira do tráfico de escravos, mesmo depois da abolição formal da escravatura, em 1869; mas deixou uma verba muito grande para a construção de um hospital e 120 escolas pelo país inteiro”.


Amândio G. Martins

3 comentários:

  1. Já ganhei o dia! Sabia da existência do hospital Conde Ferreira no Porto, mas não fazia a mínima ideia quem foi este "maduro". Uma história interessantíssima sobretudo dele, mas também do nosso passado e de uma das muitas faces da natureza humana. Obrigado, senhor Amândio, por nos tê-la revelado.

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  2. Fico contente que o meu escrito lhe tenha agradado, senhor Ramalho; não há o que agradecer...

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