Este blogue foi criado em Janeiro de 2013, com o objectivo de reunir o maior número possível de leitores-escritores de cartas para jornais (cidadãos que enviam as suas cartas para os diferentes Espaços do Leitor). Ao visitante deste blogue, ainda não credenciado, que pretenda publicar aqui os seus textos, convidamo-lo a manifestar essa vontade em e-mail para: rodriguess.vozdagirafa@gmail.com. A resposta será rápida.
sábado, 22 de setembro de 2018
MANIFESTO DO ARTISTA REVOLUCIONÁRIO E CRIADOR
O artista tem que ser revolucionário, interventivo, não pode ser o versejador da corte. A arte tem que provocar o pensamento, o espanto, a acção. Não faz sentido uma arte meramente reprodutora, recreativa, de entretenimento. O artista, o poeta tem de provocar, de dar a cara, de contestar a sociedade burguesa a toda a hora. Cabe-lhe transformar o mundo ou contribuir para a sua transformação. Por isso deve ser o criador de Nietzsche, aquele que faz da vida um experimento permanente, aquele que se passeia na corda-bamba do devir, aquele que canta e dança. Porque a arte é embriaguez e é dionisíaca, apela à hybris e à desmesura por oposição à castração, à poupança, à economia. Daí que o artista seja também um incendiário, aquele que insulta os deuses, os poderes e o dinheiro. Nesta época de caos o artista deve agudizar o caos para um dia chegarmos ao paraíso, à harmonia. O artista deve intervir sempre na polis, na vida pública. O artista é o Criador.
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Concordo!
ResponderEliminarQue assim seja.
ResponderEliminarGostei do seu texto. A sua definição de Arte, que é isso de que se trata, não se distancia muito da minha. Confesso que, lamentavelmente, não fui bafejado pela chama da criação. Resta-me curtir o possível e curto engenho da técnica, nunca me afastando muito da “vidinha” de que falava o O’Neill. O que não me impede de invejar as capacidades de provocação, de contestação, de exagero. Para poder dizer, com Sá de Miranda, “m’espanto às vezes”.
ResponderEliminarSe a provocação tiver alguma substância pode levar as pessoas a repensar as suas concepções da vida e do mundo; todavia, se o objectivo do artista é chocar por chocar, da sua passagem pela terra ficará apenas uma vaga recordação da sua triste figura.
ResponderEliminarO actor espanhol Willy Toledo, que se diz um provocador, montou um espectáculo grotesco em que, às tantas, apregoa aos quatro ventos que "se caga em Deus e ainda lhe sobra merda para a Virgem Maria"; ora isto não revela qualquer criatividade e revoltou muita gente, independentemente de crenças ou não crenças. E não me parece que o artista que causa repulsa à sua volta ajude a resolver qualquer dos problemas que afligem a Humanidade. Criou ainda um problema para si próprio dado que persiste por lá uma lei que criminaliza "ofensas aos sentimentos religiosos", ficando imputado...
Concordei com o texto e também concordo com o comentário do senhor Amândio. O que significa que, nem oito, nem oitenta.
ResponderEliminarO problema é definir os critérios do que é ou não é Arte. E que esses critérios são, em grande parte das vezes, meramente efémeros. No que toca à Arte Contemporânea, por exemplo, na minha infinita ignorância, não duvido que alinharei com os critérios de algumas senhoras da limpeza de exposições e museus, mandando para o lixo, sem apelo nem agravo, o que alguns consideram “obras de arte”. Também gostava de ter a certeza de que a Arte, para o ser, tem de ser “engagée”, tem de ser útil a qualquer coisa. Mas não, não é assim.
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