Há momentos na vida em que escolher uma posição intelectual
chega a ser doloroso. Intrinsecamente contra qualquer tipo de censura, custa-me
muito ver impedir alguém do uso da palavra. Por outro lado, permitir que alguém
“envenene” o povinho com falsidades que, no futuro, se podem tornar perigosas,
é posição que também me arrepela os cabelos. Refiro-me à recente polémica sobre
a conferência de Piers Corbyn, na Universidade do Porto, para negar, pelo menos
parcialmente, que as alterações climáticas se devem à influência humana. Não se
sabendo se há interesses obscuros, mas fortes, por detrás dessas ideias -
completamente afastadas, à luz de critérios inatacáveis, do mainstream científico actual - sabe-se,
contudo, que permitir que uma Universidade de prestígio, ela própria dependente
do erário público, sirva de “calçadeira” a tais intentos, é absolutamente
reprovável. Esta é a minha única certeza no assunto porque, quanto ao mais,
confesso-me dividido, quase apetecendo pedir ajuda neste imbróglio. Por todas
as razões, parece-me avisado que esses “cientistas” falem com quem quiserem, a
expensas próprias, e sem capitalizarem promoções estatais apetecíveis, ainda
assim no conforto e na tranquilidade de saberem que não vão perder a vida pelas
suas ideias. Já do mesmo não beneficiou Giordano Bruno, com quem comparar
Corbyn é, no mínimo, desonesto.
Este blogue foi criado em Janeiro de 2013, com o objectivo de reunir o maior número possível de leitores-escritores de cartas para jornais (cidadãos que enviam as suas cartas para os diferentes Espaços do Leitor). Ao visitante deste blogue, ainda não credenciado, que pretenda publicar aqui os seus textos, convidamo-lo a manifestar essa vontade em e-mail para: rodriguess.vozdagirafa@gmail.com. A resposta será rápida.
Sendo bem evidente que essa gente tem uma agenda bem definida, compreende-se mal que instituições públicas paguem para que a vão cumprindo, a não ser para poder rebatê-la com gente que defende outros valores...
ResponderEliminarConfesso que não segui como devia ser esse debate(?) promovido por uma professora da Universidade do Porto e com o patrocínio desta. Mas do que li e ouvi, penso que poderei intervir pelo lado por onde o José Rodrigues o abordou. O de se é correcto que se dê voz a pseudo-cientistas num forum promovido pela casa da ciência. O seu "dilema" interior é o meu e só o dignifica pois de maniqueísmos estamos nós fartos. E que o assunto merece atenção, mostra-o dois dos mais vistos programas de debate -Governo Sombra e Eixo do mal- em que, no primeiro, todos defendiam que o evento não devia ter sido evitado ( pela defesa da liberdade total de expressão) e, no segundo, só um dos quatro intervenientes o fazia. Portanto, neste caso vertente, entendo que a voz dos "negacionistas" não deve ser calado mas sim controvertida por vozes com saber feito e demonstrado, em debate aberto. Estamos a falar de ciência e esta deve estar sempre de "peito aberto" às fés e similares que querem debitar somente aquilo que convem.
ResponderEliminarEm política, aí sim, "preciso mesmo de ajuda" pois o combate está a tornar-se desigual. A minha formação cultural leva-me por caminhos bem democráticos de falar e deixar falar, mas os inimigos da democracia já prenderam que com regras... não vão lá. E distorcem, mentem, insinuam mas.... reclamam espaço para expender e expandir, com tudo o que lhes vem às "mãos, os seus desígnios. E aí, ao contrário da ciência,... não há como mostrar por "a+b" que ... o "clima está a alterar-se pela mão do Homem"... Para já, o meu lado "Dr. Jeqyll" ainda está vencedor.