Vamos admitir que o leitor necessita de um qualquer
documento (por exemplo, um visto de entrada) e, para o obter, tem de se dirigir
a um Consulado da Arábia Saudita. Deve tomar as suas precauções porque, se lá
entrar, não tem a certeza de que vá sair. Ou, pelo menos, sair inteiro. Esse
cuidado não teve Jamal Khashoggi,
jornalista saudita que necessitou de um documento para se casar e,
encontrando-se em Istambul, se deslocou ao respectivo consulado. Não se sabe ao
certo o que aconteceu, mas autoridades sauditas já admitiram que algo “correu
mal”. Na conversa que o jornalista manteve com interlocutores, gerou-se “qualquer
coisa” que acabou na sua morte. Ao que consta de fonte turca, chegou-se a
amputar dedos ao requerente da certidão, antes de morrer. Também parece que,
com a ajuda de uma moto-serra, alguém retalhou o corpo que, muito naturalmente,
ainda não apareceu. Passei a desconfiar dos burocratas, sobretudo dos que
trabalham nos consulados.
Este blogue foi criado em Janeiro de 2013, com o objectivo de reunir o maior número possível de leitores-escritores de cartas para jornais (cidadãos que enviam as suas cartas para os diferentes Espaços do Leitor). Ao visitante deste blogue, ainda não credenciado, que pretenda publicar aqui os seus textos, convidamo-lo a manifestar essa vontade em e-mail para: rodriguess.vozdagirafa@gmail.com. A resposta será rápida.
O que esse sinistro acontecimento me mostrou é que o homem revelou pouca prudência, queria dizer inteligência, ao entregar-se assim na boca do lobo; de facto, sabendo bem com quem lidava, razão por que se exilou no estrangeiro, nunca poderia entrar sem defesa num espaço do país que o odiava, sabendo-se que as instalações diplomáticas são território do país que representam...
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