A maldição da múmia...
A transladação dos restos do ditador Franco não tem dado
descanso ao chefe do Governo espanhol; é que depois de ter conseguido que o
“Congreso de los diputados” votasse a favor da sua remoção - com
abstenção de toda a Direita - a que a
família do ditador e o abade dos “Caídos”se opunham terminantemente, é agora o
Governo e seus apoiantes que também não querem que seja sepultado na catedral de Almudena, local escolhido pelos
descendentes, por já lá terem uma cripta privada onde estão outros membros do clã.
E Pedro Sánchez tem mesmo aqui um problema porque tinha dito
várias vezes que o tristemente célebre defunto seria colocado num local digno à
escolha da família; e esta não só faz agora finca-pé em depositá-lo em Almudena,
uma catedral icónica e próxima do palácio real, como quer uma cerimónia com as
honras militares devidas a um chefe de Estado. E aquilo a que, acessoriamente, a
esquerda e as famílias das vítimas da ditadura também queriam pôr termo - as romagens de fanáticos do franquismo - passarão a ficar ainda mais fáceis.
Embora haja uma lei
canónica que impede sepulturas nas igrejas, os bispos, que têm lavado as mãos na disputa, parece
continuarem a não querer tomar posição, mas vão dizendo que a polémica é
política e “los muertos no tienen carnet político”; para tentar descalçar esta
apertada “bota”, pensa o Governo recorrer ao Papa Francisco que, virando os
olhos ao Céu, digo eu, há-de pensar que só mais esta lhe faltava...
Amândio G. Martins
Sabe que, quando li o título, pensei logo em.... Cavaco Silva? Afinal a múmia "era outra"....
ResponderEliminarA que refiro é uma múmia há muito"encaixotada"; a de cá ainda se desloca meia viva...
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