segunda-feira, 15 de abril de 2019

O que é mesmo…


Não sei se quero acreditar no que o PÚBLICO, sob assinatura de David Pontes, no seu editorial de hoje (domingo), escarrapacha: quem põe em causa as conclusões do estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (F.F.M.S.) sobre a sustentabilidade do sistema português de pensões é estúpido e/ou (proto-)populista. Prefiro acreditar que fui eu que não percebi bem.
Pode o Director-Adjunto do PÚBLICO afirmar com segurança que a demografia nos vai arrastar para saldos negativos no sistema? Pode, mas só depois de deixar de pensar que as actuais regras da sustentabilidade não podem ser mudadas. É que, para essa sustentabilidade, já contribui o Orçamento do Estado, e o ”peso” com que o faz pode ser alterado.
Pode David Pontes concluir que o propósito básico de quem rejeita as conclusões do estudo, manietado por inúmeras condicionantes mal anunciadas, é o de colocar no gueto dos tabus os privados só porque o são? Não pode, sob pena de ser acusado de idêntica “falta”.
Pode o editorialista decretar uma dívida de reconhecimento à F.M.F.S. dos portugueses que, assim, estarão obrigados a reconhecer-lhe (eternamente?) o “favor” de pensar o país? Não pode, porque os portugueses é que sabem.
Pode o mesmo jornalista negar que as medidas preconizadas no referido estudo não contribuem para o abaixamento global dos salários e para a privatização do sistema, coisas que, naturalmente, favorecem os privados? Deixo-lhe a responsabilidade de responder a esta questão.
Finalmente, uma pergunta: o aumento da pobreza entre os mais velhos, também previsto no estudo, não nos interessa para nada?
  
NOTA: Este texto foi enviado ao Director do Público.

1 comentário:

  1. Totalmente de acordo. No entanto, refiro aqui o que já disse no seu outro texto de há dias, o debate sobre o estudo da FFMS, na RTP3, foi bom pois houve contraditório e o que disse Carlos Farinha foi muito importante.

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