De que serviu ao povo catalão ter manifestado inequívocos e continuados sinais de pacifismo, ao longo de tantos anos? Afinal, os bascos, de que agora pouco se fala, conseguiram muito mais no seu estatuto autonómico. Não podemos felicitá-los porque levaram a água ao seu moinho por meios, esses sim, violentos, com muita morte e destruição espalhadas. Podemos é recriminar a actuação dos actuais governantes espanhóis que, até aqui, neste e em muitos outros assuntos, nada fizeram para demonstrar possuírem o sentido de Estado que um país com a auto-proclamada grandeza do seu lhes deveria exigir. De notar que um governo “musculado”, como o de Aznar, se viu na obrigação de dialogar com os recalcitrantes bascos e, agora, com um dirigente, ainda que “interino”, oriundo de um PSOE que, está bem de ver, é tudo menos “socialista e operário”, bastando-lhe ser “espanhol”, não consegue sentar-se para discutir, não a independência da Catalunha, como muitos dizem, mas meramente a possibilidade de rumos para o futuro, com a dignidade que os poderes centralistas de Madrid sempre recusaram.. A “questão prévia” de Sánchez para aceder sentar-se à mesa com as autoridades catalãs não passa de enganoso paliativo, com cunhos fortemente eleitoralistas. Só faltará exigir aos catalães que façam as proclamações que eles querem, mas de joelhos. Ou então, sentados, à moda de Mahatma Gandhi, cuja memória acabam por vilipendiar.
Este blogue foi criado em Janeiro de 2013, com o objectivo de reunir o maior número possível de leitores-escritores de cartas para jornais (cidadãos que enviam as suas cartas para os diferentes Espaços do Leitor). Ao visitante deste blogue, ainda não credenciado, que pretenda publicar aqui os seus textos, convidamo-lo a manifestar essa vontade em e-mail para: rodriguess.vozdagirafa@gmail.com. A resposta será rápida.
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sábado, 26 de outubro de 2019
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Sou republicano
Com excepção de Hong Kong, não deve haver muitas regiões por esse mundo fora que se assemelhem à Catalunha, haja em vista o que por lá se tem passado. Atendendo ao estado actual da Europa, não me parece que os catalães, ao nível das grandezas económicas, tenham muito a ganhar com a independência, que acarretaria consequências ainda mal imaginadas. Creio também que, mesmo nos sectores independentistas, haverá muita gente consciente disso, que, no momento da verdade, votaria contra. Custa a crer que políticos com tanto traquejo como Rajoy não se tenham apercebido dessa realidade, e, para mera satisfação dos baixos instintos imperialistas bem típicos de Madrid, se deixassem arrastar para balofas exibições de força e autoridade. Talvez custe mais entender a posição de Sánchez, afinal não muito diferente.
Acusar os independentistas, republicanos ou não, de irresponsabilidade, dela isentando o Governo central, é repisar no erro, com a agravante de não se reconhecer que os povos têm a sua dignidade. Mas acusá-los de ilegalidade inquieta-me. Haverá quem tenha veleidades de pensar que, entre nós, a implantação da República, ou o 25 de Abril, foram conseguidos empunhando os Códigos legislativos? Eu, republicano confesso e orgulhoso, prestarei sempre as minhas homenagens aos valentes que, naquelas datas, infringiram as leis.
Expresso - 19.10.2019 (expurgado das partes sublinhadas).
segunda-feira, 26 de março de 2018
Esta Europa espanta-me!
Não que eu
acredite que a possível independência da Catalunha seja viável. Não que eu veja
em Carles Puigdemont um líder incontestável e útil ao povo catalão. Circunstancialmente
na chefia de um grandioso povo, nem será ele o histórico fundador da
nacionalidade catalã, nem o seu “país” ganhará o que quer que seja com a
independência, se é que alguma vez a virá a conseguir. Mas, meus senhores, Rajoy
desvela-se um tirano arrogante, quase medieval. Puigdemont não praticou nem
ordenou crimes que não fossem de ordem meramente administrativa, logo,
arbitrária e temporária. Perseguido e detido por delito de opinião, é,
efectivamente, um preso político, nada mais.
E a Europa
calada! Exactamente como com a Polónia, a Hungria e outros que tais. Razão
tinha o D. Afonso Henriques quando mandou a sedição às malvas. E se foi traidor
aos dominadores, fez muito bem.
JN - 06.04.2018, com o título alterado para "D. Afonso Henriques é que tinha razão".
JN - 06.04.2018, com o título alterado para "D. Afonso Henriques é que tinha razão".
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Mundo estranho
Não se tem falado muito da Catalunha. Passada a febre em
torno dos processos eleitorais (autorizados ou não por Rajoy), o assunto caiu
num certo esquecimento muito “conveniente”, mas, ao que parece, tornará brevemente
a aparecer à tona dos dias. Lembremo-nos de que esse esquecimento é clara
consequência do pacifismo catalão que, há décadas, dá sinais de paciência e
bom-senso. Os espanholistas, chefiados por um galego arrogante, sem poderem
apontar o dedo aos catalães como fizeram aos bascos, aproveitam-se do silêncio
cúmplice da Europa e mantêm na prisão e no exílio cidadãos que, à luz do
Direito, deveriam gozar de liberdade plena. Lutaram por um ideal, velho de
décadas ou de séculos, não mataram nem roubaram. Não cometeram crimes de delito
comum, estão presos pelas ideias que defendem, sendo que alguns deles até mereceram,
no veredicto popular, a indigitação para ocuparem altos cargos políticos.
Estranho mundo este, quando a estupefacção começa aqui às
nossas portas. Quem diria que, em Espanha, União Europeia…
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
Curiosidades luso-catalãs
Ao que
parece, a Catalunha está dividida em duas partes. Cada uma delas é atravessada
transversalmente pelos espectros políticos habituais, a esquerda e a direita.
Contudo, em Portugal, constato que todos os meus amigos de direita são adeptos
do soberanismo espanhol, e que todos os meus amigos de esquerda se inclinam
para, ao menos, reconhecerem o direito de expressão aos independentistas. O
conjunto de todas essas pessoas é demasiadamente exíguo para poder servir de
amostra em qualquer sondagem, e é possível que a conclusão a tirar possa estar
enviesada. Mas que é um facto curioso, é! Ou talvez não…
Público - 26.12.2017
Expresso - 30.12.2017
A repetição de publicações deve-se a facto que justifico em post de 30.12.2017.
Público - 26.12.2017
Expresso - 30.12.2017
A repetição de publicações deve-se a facto que justifico em post de 30.12.2017.
domingo, 5 de novembro de 2017
A Catalunha parte-me
Desespero
com a arrogância castelhana, impante a infligir humilhação a um povo que não a
merece. Alegro-me com a afirmação de uma identidade nacional que dura há séculos.
Lastimo que, talvez pelo seu pacifismo, os catalães não tivessem alcançado
tanta autonomia como os bascos, mais belicosos. Deploro que os madridistas (com
um galego desenraizado à frente) invoquem sem cessar a legalidade e a
constitucionalidade que lhes convêm. Lamento a frustração dos republicanos
catalães, herdeiros legítimos das vítimas de Franco e do seu caudilhismo
fascista, na Guerra Civil e no que a seguir veio. Tenho pena de que, nesta
globalização, dentro desta Europa burocrática e braço armado da ditadura
financeira, à Catalunha - região rica - não seja admitida a independência.
Dói-me que Espanha e Catalunha estejam tão mal servidas de chefes, um, esbirro
prepotente, o outro, sem a dimensão que se lhe exigia para a tarefa. E, acima
deles, um rei em quem eu nunca votaria para administrador de condomínio. Mas
também me irrita que o desejo de independência dos catalães possa ter nascido
do egoísmo e da falta de solidariedade para com as partes menos ricas de
Espanha.
E agora,
José?
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