De que serviu ao povo catalão ter manifestado inequívocos e continuados sinais de pacifismo, ao longo de tantos anos? Afinal, os bascos, de que agora pouco se fala, conseguiram muito mais no seu estatuto autonómico. Não podemos felicitá-los porque levaram a água ao seu moinho por meios, esses sim, violentos, com muita morte e destruição espalhadas. Podemos é recriminar a actuação dos actuais governantes espanhóis que, até aqui, neste e em muitos outros assuntos, nada fizeram para demonstrar possuírem o sentido de Estado que um país com a auto-proclamada grandeza do seu lhes deveria exigir. De notar que um governo “musculado”, como o de Aznar, se viu na obrigação de dialogar com os recalcitrantes bascos e, agora, com um dirigente, ainda que “interino”, oriundo de um PSOE que, está bem de ver, é tudo menos “socialista e operário”, bastando-lhe ser “espanhol”, não consegue sentar-se para discutir, não a independência da Catalunha, como muitos dizem, mas meramente a possibilidade de rumos para o futuro, com a dignidade que os poderes centralistas de Madrid sempre recusaram.. A “questão prévia” de Sánchez para aceder sentar-se à mesa com as autoridades catalãs não passa de enganoso paliativo, com cunhos fortemente eleitoralistas. Só faltará exigir aos catalães que façam as proclamações que eles querem, mas de joelhos. Ou então, sentados, à moda de Mahatma Gandhi, cuja memória acabam por vilipendiar.
Este blogue foi criado em Janeiro de 2013, com o objectivo de reunir o maior número possível de leitores-escritores de cartas para jornais (cidadãos que enviam as suas cartas para os diferentes Espaços do Leitor). Ao visitante deste blogue, ainda não credenciado, que pretenda publicar aqui os seus textos, convidamo-lo a manifestar essa vontade em e-mail para: rodriguess.vozdagirafa@gmail.com. A resposta será rápida.
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sábado, 26 de outubro de 2019
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Também me ajoelho
Quando
ajoelhar, normalmente um sinal de subserviência, é transformado num acto de
exaltação da dignidade humana, como têm feito celebridades do desporto e da
música norte-americanas, rejeitando os impropérios expelidos pelo seu
presidente, plenos de ódio e discriminação racial e de género, o gesto ganha
altivez e nobreza de princípios. Paradoxalmente, é um registo de desobediência,
digno de Gandhi, e denuncia uma força superior sob a capa de aparente
fragilidade pacifista.
Após as
eleições alemãs, com a estridência de políticos extremistas a desenganar o suspiro
de alívio que a Europa exalou com a derrota populista em França, ressurgem
alguns fantasmas xenófobos. O Homem, definitivamente, tem grande dificuldade em
aprender com os seus próprios erros e acalenta sempre um desejo de esquecimento
de certos passados, o que, muitas vezes, lhe é fatal. Teremos, a curto prazo, de
protestar, resistir e lutar? Se sim, nem que seja de joelhos.
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