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sábado, 26 de outubro de 2019

Gandhi tinha razão?


De que serviu ao povo catalão ter manifestado inequívocos e continuados sinais de pacifismo, ao longo de tantos anos? Afinal, os bascos, de que agora pouco se fala, conseguiram muito mais no seu estatuto autonómico. Não podemos felicitá-los porque levaram a água ao seu moinho por meios, esses sim, violentos, com muita morte e destruição espalhadas. Podemos é recriminar a actuação dos actuais governantes espanhóis que, até aqui, neste e em muitos outros assuntos, nada fizeram para demonstrar possuírem o sentido de Estado que um país com a auto-proclamada grandeza do seu lhes deveria exigir. De notar que um governo “musculado”, como o de Aznar, se viu na obrigação de dialogar com os recalcitrantes bascos e, agora, com um dirigente, ainda que “interino”, oriundo de um PSOE que, está bem de ver, é tudo menos “socialista e operário”, bastando-lhe ser “espanhol”, não consegue sentar-se para discutir, não a independência da Catalunha, como muitos dizem, mas meramente a possibilidade de rumos para o futuro, com a dignidade que os poderes centralistas de Madrid sempre recusaram.. A “questão prévia” de Sánchez para aceder sentar-se à mesa com as autoridades catalãs não passa de enganoso paliativo, com cunhos fortemente eleitoralistas. Só faltará exigir aos catalães que façam as proclamações que eles querem, mas de joelhos. Ou então, sentados, à moda de Mahatma Gandhi, cuja memória acabam por vilipendiar.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Também me ajoelho


Quando ajoelhar, normalmente um sinal de subserviência, é transformado num acto de exaltação da dignidade humana, como têm feito celebridades do desporto e da música norte-americanas, rejeitando os impropérios expelidos pelo seu presidente, plenos de ódio e discriminação racial e de género, o gesto ganha altivez e nobreza de princípios. Paradoxalmente, é um registo de desobediência, digno de Gandhi, e denuncia uma força superior sob a capa de aparente fragilidade pacifista.

Após as eleições alemãs, com a estridência de políticos extremistas a desenganar o suspiro de alívio que a Europa exalou com a derrota populista em França, ressurgem alguns fantasmas xenófobos. O Homem, definitivamente, tem grande dificuldade em aprender com os seus próprios erros e acalenta sempre um desejo de esquecimento de certos passados, o que, muitas vezes, lhe é fatal. Teremos, a curto prazo, de protestar, resistir e lutar? Se sim, nem que seja de joelhos.