A recente polémica sobre o chamado “museu Salazar” veio proporcionar aos nostálgicos do execrável regime que nos dominou até ao 25 de Abril mais uma oportunidade de o branquearem. “Sobre a nudez crua da verdade”, colocaram-lhe a “fantasia” de que Salazar muito teria feito pelo Portugal de que, diz-se, ele gostava, sem, contudo, gostar dos portugueses. Sem se darem conta (ou fingindo), fazem um descarado elogio do atavismo, elevando a “monumentos ao desenvolvimento” umas quantas edificações de construção civil que, é bom de ver, sempre teriam de acontecer, quanto mais não fosse, pela inércia da própria sociedade. Onde o desenvolvimento intelectual do país e dos portugueses, sob aquela polícia do pensamento que nos abafou durante quase 50 anos? Pelo contrário, quem “mais ordenou” foi a ignorância arrogante e auto-suficiente que nos isolou do mundo, que nos olhava de soslaio, desconfiado, e de que Salazar tinha pavor. Por isso, quis incutir-nos que o melhor era ficarmos “orgulhosamente sós”, porque, na nossa “grandeza”, não precisávamos de ninguém. Estes branqueamentos de comportamentos criminosos não podem ficar sem resposta. Há que denunciá-los sempre sem contemplações, porque mais não são do que a entrada em cena, com pezinhos de lã, de ideologias contra a liberdade. Silenciá-los, isso não, porque seria o que eles, com o poder, fizeram aos democratas. E nós não podemos ser iguais.
Expresso - 28.09.2019
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quinta-feira, 19 de setembro de 2019
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