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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Valha-nos Santa Engrácia

João César das Neves, professor catedrático, afirmou: "subir o salário mínimo vai ser mau para os pobres".
Os pobres agradecem ao Senhor Doutor a preocupação, e já há quem sugira: e que tal descê-lo?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Em Bruxelas, no quentinho,…


… vivem uns senhores que vestem “mangas de alpaca”. Desconfia-se que trabalham para o sector do capital, sabendo-se que, do outro lado, estão os do “fato-macaco”, que, por causa do óleo e da ferrugem que trazem agarrados à vestimenta, não se podem sentar nas cadeiras acolchoadas das Comissões Europeias. Zelosos e fiéis ao que pensam ser os interesses dos seus “patrões”, esses burocratas não perdem oportunidade de, à sua maneira, e de acordo com as visões retorcidas pela vista cansada e pela miopia, baterem na eterna tecla de que baixar salários e regalias, a par de aumentar a precarização, é a melhor maneira de se engordarem os lucros. Bem se lhes pode esfregar no nariz que, ao contrário do que diziam, o aumento do salário mínimo pode coexistir com o crescimento do PIB e com a baixa do desemprego. Chego a pensar que nunca o hão-de perceber. Porquê? Porque não querem, engoliram umas patranhas neoliberais e pensam que sabem alguma coisa. O pior cego é aquele que não quer ver, já há muito se sabia. Ámen!

Público - 09.02.2018

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

subida do salário mínimo: sempre é melhor que nada

É dos argumentos mais repugnantes que ouço para justificar o aumento em 18 euros do salário mínimo, o que equivale a cerca de 50 cêntimos diários: sempre é melhor que nada. A questão, não se prende, obviamente, com o "sempre é melhor que nada", mas antes com a dignidade das pessoas que recebem o salário mínimo. Já o escrevi e hoje tive oportunidade de ouvir, num fórum televisivo, um pedreiro usar o mesmo argumentário: pago 300 euros de renda de casa, 70 de eletricidade e gás, vinte de água, [não sei quanto] de passe social... gostava de ver o sr. primeiro-ministro governar-se com o salário mínimo.
Ou seja: não se pode gizar o valor do salário mínimo a régua e esquadro. Este tem de dar para viver com dignidade. É um dos pontos estruturantes de um país que se deseja civilizado.
Ainda a este propósito, a triste coincidência de andarmos a discutir uns eventuais 150 mil euros que o sr. Passos Coelho não se recorda de ter recebido, nos idos anos 90, pelo trabalho prestado na Tecnoforma. Não tenho dúvidas que o pedreiro que ouvi na televisão se recorda dos 150 euros que eventualmente tenha recebido por um trabalhinho de há quinze anos atrás. Somos ou não somos um país de desagradáveis assimetrias?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ulrich e os políticos - a sociedade actual

Depois de várias descargas temperamentais infelizes do Primeiro-ministro, de Gaspar, Borges e outros políticos, surge ultimamente um presidente de banco a marcar o seu desprezo implícito em relação às vítimas da crise, que ele ajudou a incrementar, atraíndo maciçamente clientes com grandes facilidades de crédito.
Em insistência televisiva, referiu-se agora aos sem-abrigo, esquecendo talvez
que eles não são simples clochards (por vontade própria) dos países ricos, mas
antes os excluídos de um país periférico atrasado e em grave crise. País onde as
cartilhas ultraliberais e hiperconsumistas são solidariamente seguidas pelos atuais governantes e banqueiros, em íntima simbiose, e ainda por especuladores, por corruptos e corruptores e pelos que põem o dinheiro a salvo e rendendo bem nos paraísos fiscais.
É preciso mais respeito e sentido de responsabilidade para com o país, os 900.000 desempregados e os que recebem um salário mínimo inferior a 500 euros, bloqueado há dois anos.

 
António Catita