sábado, 3 de setembro de 2016

Terremotos: a ameaça que não se cala




Terremotos: a ameaça que não se cala


*Cristiane Lisita


Resultado de imagem para terremotos lisboa



Ocorrem no planeta, anualmente, mais de duzentos mil tremores.  Muitos deles não são sentidos, diferentemente, alguns provocam enormes catástrofes.  Os terremotos ou abalos sísmicos são resultantes de uma brusca liberação de energia na crosta terrestre, mais especificamente pelo abalroamento das placas tectônicas, causando magnitudes distintas. Embora proceda dessas falhas geológicas naturais, também surge em razão de atividade vulcânica etc.

Em Portugal, esses fenômenos procedem em razão da proximidade com a placa africana e a placa euroasiática. São mais de mil por ano. Segundo apontam estudiosos, eles têm origem no oceano podendo atingir altos índices na escala Richter. Levando em conta o terremoto de novembro de 1755 há divergência quanto à previsão de uma nova incidência, que para uns seria de aproximados 250 anos, tempo esse exaurido. Outros acreditam que pode levar até mil anos, bem como pode advir a qualquer momento. Note-se que os sismógrafos modernos, se aparelhados em rede, podem detectar a posição exata do foco, e a quantificação de energia dessas ondas ao chegarem à superfície terrestre, seu epicentro. No entanto, não identificam quando vão calhar os sismos, tão somente a consequência, por exemplo, de um tsunami.

No caso em tela a microplaca da Península Ibérica e a placa africana (Açores/Gilbratar), afluem de forma enviesada ensejando uma elevação da litosfera oceânica que deu surgimento ao Banco de Gorringe, um maciço montanhoso submerso no Oceano Atlântico, com 200 km de extensão. Local do epicentro do terremoto que aniquilou Lisboa, Algarve, e várias cidades na África, possivelmente tendo alcançado  9.0 na escala. Está disposto cerca de 120 milhas marítimas a oeste-sudoeste do Cabo de São Vicente, e apenas foi descoberto em 1875, ou seja, mais de um século depois do acontecido.

Além desse terremoto de magnitude importante, o de janeiro de 1531, matou 30.000 trinta mil pessoas, o que equivale a mais de 20% da população à época. Em fevereiro de 1969 os tremores foram de 7.3, na escala Richter, e em dezembro de 2009, de 6.0, com epicentro a 100 km de Sagres, adjacente ao Cabo de São Vicente.  As falhas geológicas abrangem o Vale submarino do Sado, o Vale inferior do Tejo, a Falha de Loulé, a de Portimão, a de Vilariça, a de Nazaré-Pombal, e a de Açores. Nesse contexto, a população está centrada justamente nas zonas de maior risco sísmico no país, mormente Algarve (com quase quatrocentos e cinquenta e duas mil pessoas) e a região Metropolitana de Lisboa, incluso a Península de Setúbal, (com mais de dois milhões e oitocentos e vinte e duas mil pessoas) deixando essas localizações extremamente suscetíveis, principalmente com relação aos tsunamis. Há poucos dias um sismo, de 4.1, a 80 km de Peniche se fez sentir desde Lisboa a Leiria.  Hoje, novo abalo sísmico de 2.7 afetou ligeiramente a Terceira ilha, uma das nove ilhas dos Açores, integrante do chamado Grupo Central.

Embora a Comissão Oceanográfica Intergovernamental, da UNESCO, venha investindo em sistema de alerta de tsunamis no Atlântico Nordeste (no qual Portugal se insere), Mediterrâneo e outros mares na região, e do mesmo modo algumas universidades nacionais, a questão está muito longe da prevenção necessária. Portugal tem exclusivamente estações sísmicas em terra, num total de cinquenta e duas, que permitem verificar o impacto de um tsunami depois de ocorrido o terremoto, um espaço de tempo ínfimo para informar a população dos riscos e do modo mais viável de como se proteger. Nem sequer uma estação mais precisa no fundo do mar foi instalada, uma vez que, segundo peritos, seriam necessários recursos da ordem de 700 mil euros por ano para manutenção.

Lembrando que “melhor prevenir que remediar” é irrefutável que o país comece a encontrar caminhos para conscientizar a população acerca dessa problemática e intensifique meios para desenvolver pesquisas científicas em parcerias com entidades locais e internacionais, minimizando futuras catástrofes. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, de 2014, os hospitais públicos diminuíram as camas de internamento dos hospitais oficiais. Nota-se que, ainda, aumentaram os atendimentos em serviços de urgência nos hospitais privados, o que leva a crer que haveria maior tempo de espera para se conseguir uma vaga nos prontos-socorros públicos.

Fator a ser considerado é que em Portugal existem de 42.592 mil bombeiros voluntários e 6.363 mil profissionais, um número bem reduzido. Embora haja planos especiais e supradistritais, não se pode esquecer a necessidade de equipamentos peculiares em episódios de terremotos. Não bastassem esses elementos, em hipótese desse tipo de calamidade, as seguradoras ficam isentas de pagar qualquer prejuízo, sendo excluídas de responsabilidade.  Deve ser tido em apreço o fato de que as casas abandonadas em Portugal estão na ordem de um milhão, contando as que estão em ruínas e/ou as que foram largadas. Só na capital ultrapassam cinco mil representando sério risco de efeito dominó junto aos demais imóveis no caso de terremotos.

Além do que, mesmo com as verbas da União Europeia, para ajudas de solidariedade na reconstrução, sobretudo, da infraestrutura, o país retardaria qualquer avanço socioeconômico durante muitos anos, se não houver fundos e reservas nacionais que colaborem mais rapidamente para sanar dificuldades posteriores. Poder-se-ia enumerar aqui diversos componentes que devem ser analisados na iminência de abalos sísmicos. Contudo, a conscientização das pessoas quanto à probabilidade de um tremor de terra de grande magnitude tem que ser bem administrada. Prevenir, de todas as formas, é preciso. Ensina Henry Ford: “o passado serve para evidenciar as nossas falhas e dar-nos indicações para o progresso do futuro”.



*Cristiane Lisita (Jornalista, escritora, advogada. Pós-PhD pela Univ. Coimbra)

AS TROCAS NO MERCADO DE TRANSFERÊNCIAS E O POUCO AMOR AOS CLUBES


As trocas no mercado de transferências e o pouco amor aos clubes
Podemos ao longo das nossas vidas, devido por vezes à idade e algumas vezes e circunstâncias da própria vida de cair na tentação de podermos trocar de carro, trocar eventualmente de mulher, trocar de fumar de determinada marca de cigarros, trocar de casa, trocar de partido politico, (neste caso muitos políticos não merecem), podemos até de trocar quando nos apetecer de ler e comprar um ou outro jornal, seja ele, por exemplo desportivo, lá porque não gostámos de um artigo, que afectou a nossa sensibilidade e cor clubística e que nos tocou, o nosso sentimentalismo, porque não doentio às vezes de certa forma exagerado. Mas, há sempre uma coisa sagrada, que desde do tempo em que meu falecido pai, ainda, e, quando era vivo, me ensinou, e que me ficou entranhado no meu ego de "gente", e para todo o sempre, e que tenho mantido, até aos dias de hoje, claro, entre muitos outras conselhos que me transmitiu e que tenho bem patente e seguro, e seguido rigorosamente à risca, é que por, por mais valioso que nos possa trazer de beneficio e por mais valor que nos traga a nosso favor…nunca devemos mudar ou trocar de clube…é uma coisa sagrada. 


E, assim tenho vindo a manter o tal conselho que me foi transmitido até hoje, no meio "quiçá" de outros conselhos que meu deu e me deixou, como uma das grandes heranças, de bom senso no melhor dos sentidos e das boas intenções, que por vezes, tenho vindo decerto a falhar nalgumas, o que é com toda a certeza humano e desculpável. Mas rigorosamente nunca devemos mudar de clube. Este conselho evidentemente e obviamente não se aconselham para os profissionais do pontapé da bola, que querem é o seu bem-estar, (pois, a profissão é de desgaste rápido), para eles e suas famílias, e querem é milhões. Hoje, quando estão em pleno de glória e caiem nas simpatias da massa adepta, até beijam, enganosamente o emblema que trazem ao peito, e afirmam que são do clube desde de tenra idade e que sempre sonharam em representarem, mesmo que alguns, nem sequer conhecem a cor das camisolas do clube, que vão representar e para onde vão e que assinaram e que lhes pagam salários milionários…até um dia, em que mudam, pelos tais milhões, e para outras cores de equipamento.      



Terminado que foi ontem pelas zero horas, do dia 31 de Agosto, o fecho do mercado das tão agitadas e movimentadas e grandes negociatas das transferências, de algumas dezenas de jogadores de primeira "água" do futebol "aportuguesado", fiquei satisfeito, com desportista e adepto do desporto-rei, da não saída, por exemplo, do jogador internacional brasileiro "Luisão", do SL Benfica, que defende com brilhantismo e enorme profissionalismo, o clube onde há catorze épocas defende as cores do clube da Luz. Mas, tenho ao mesmo tempo de aproveitar e porque não, confessar honestamente, ao mesmo tempo, que o dito jogador não aproveitou a saída, neste mercado, devido, decerto à sua idade, que não lhe permitem já grandes feitos…sejamos honestos.


(Texto-opinião, publicado na edição online, secção "Escrevem os Leitores" do Jornal  RECORD de 03 de Setembro de 2016)
(Texto-opinião, publicado na edição Nrº. 46024 do Diário de Notícias da Madeira de 6 de    Setembro de 2016)

MÁRIO DA SILVA JESUS

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A EDUCAÇÃO ALTERNATIVA

O filósofo anarquista inglês William Godwin defende que a sociedade que nós reclamamos exige "um estado de grande aperfeiçoamento espiritual" e só será possível mediante um grande desenvolvimento do intelecto. A única riqueza é a riqueza intelectual, a da cultura, a da mente. E, uma vez liberto da propriedade, "resta apenas o homem livre, o homem em si mesmo", como diz o poeta Shelley. Com efeito, não será com robots, com multidões domesticadas que ergueremos a sociedade socialista. Grande parte dos homens, aliás, está irremediavelmente perdida. Quanto aos outros, temos de ser capazes de construir uma educação alternativa, uma cultura alternativa. Uma educação que se oponha à desinformação e à lavagem ao cérebro. Uma educação, uma cultura, uma informação que actue junto das crianças, dos jovens, dos adultos, que os agite, que os provoque, que os motive, que os faça pôr em causa todos os dogmas e as regras do instituído. Sim, precisamos enriquecer-nos. Sim, precisamos evoluir. Esta é a via.

Afinal, o dinheiro comanda tudo e outros desgovernam-no

O MNE pediu uma resposta urgente ao Iraque para que este levante a imunidade diplomática aos ‘simpáticos’ filhos do embaixador, a fim de serem presentes à justiça, devido à tareia que deram no jovem Ruben, que foi parar ao hospital em perigo de vida.
Entretanto a família da vítima contenta-se com uma boa indemnização, pelo que os jovens iraquianos podem ir para outras paragens fazer o mesmo, uma vez que o dinheiro tudo paga.
Soubemos também que um partido político português está falido, dado que as suas dívidas ascendem a 25 milhões de euros. E parece-nos que outros também não estão em melhores lençóis.
Certamente, estamos certos, será por isso que Portugal está como está, na penúria.
E lá vem o provérbio que assim nos diz: ‘quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão, se não lhe sabes por as mãos? ‘


José Amaral

O PROFUNDO SENTIDO DA PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO E DO FILHO EGOÍSTA



Esta parábola somente narrada por Lucas (15.11) quase sempre é analisada apenas quanto à conduta do jovem filho pródigo, omitindo-se a grande maioria dos oradores e escritores relativamente ao comportamento mesquinho do filho mais velho.
Disse Jesus que um senhor possuía dois filhos, e o mais novo lhe pedira parte do que lhe cabia por herança. O generoso pai distribuiu recursos para ambos, e aquele que havia feito o pedido partiu para as aventuras do mundo e, depois de esbanjar todo o seu dinheiro numa vida dissoluta, tornou-se um miserável cuidador de porcos, trabalhando como verdadeiro escravo, com falta até de alimentos, a ponto de invejar os animais que comiam fartamente suas alfarrobas (uma espécie de fruto indigesto). Aí então, entrou em si numa profunda reflexão, e lembrou-se de que os empregados de seu pai eram bem tratados, por isso resolveu voltar à casa paterna para, humildemente, suplicar um emprego, e qual não foi sua surpresa, ao ser recebido festivamente.
O bondoso patriarca ficou muito alegre por ter reencontrado o filho perdido, enquanto o outro bastante revoltado reclamava que sempre se mantivera na companhia paterna, realizando todos os afazeres, e nunca havia ganhado um simples cabrito, e o estróina, a quem se referia não como irmão, mas como filho do pai, era festejado até com churrasco de boi gordo, após ter gasto com prostitutas tudo o que recebera. E o velho progenitor tentou aplacar a revolta do seu primogênito, dizendo: “Meu filho, você sempre esteve comigo, nunca lhe faltou nada e tudo o que tenho é seu”.
Esta parábola é tida pelos exegetas como a expressão máxima da bondade divina, que sempre acolhe o pecador arrependido, embora aqui não se trate de um simples arrependimento, mas de uma transmentalização, de uma conversão. Santa Terezinha afirmava que o “tolo se arrepende e o sábio se corrige”. No presente caso, como está no texto escrito por Lucas originalmente na língua grega, o jovem entrou em si e não caiu em si, como aparece nas traduções vulgares, isto é, houve uma superação do ego humano para uma entrada no eu divino que trazemos dentro de nós.
A afirmação dos textos evangélicos, de que há mais alegria no céu quando um pecador se converte do que um justo se penitencia, refere-se a uma transformação definitiva, e não a um simples arrependimento.
Segundo o grande cientista e filósofo Huberto Rhoden, de quem tive a honra de ser aluno, um dos maiores pensadores cristãos contemporâneos, falecido em 1981, esta parábola tem um alcance muito profundo, porquanto retrata a “evolução do homem através de erros para a verdade divina”.
No seu livro “Sabedoria das Parábolas”, afirma que, de acordo com o texto grego original, onde aparece a palavra “ousia” (natureza) do verbo “einai” que significa ser, o filho mais jovem não pede ao pai parte de bens materiais, mas a parte que lhe cabe no pleno exercício do seu ser, isto é, o direito natural de comandar a sua própria vida, de vivê-la como lhe aprouver no exercício de seu livre arbítrio. Pede, afinal, sua emancipação.
O pai não quis aprisionar o filho e, sem qualquer relutância, o liberou, procedendo da mesma forma com o mais velho, que preferiu continuar na companhia paterna. Não houve entrega compulsória de haveres, para nenhum dos filhos, tanto isso é verdade que, ao contrário, haveria contradição na história, porque, se ambos houvessem recebido qualquer coisa, não teria dito o mais velho que nunca ganhara um simples cabrito, a não ser que tivesse obtido o quinhão a que teria direito, a título de antecipação de herança, e não considerasse isso um donativo.
O pai generoso pode ter doado espontaneamente algum recurso para o filho que apenas reclamou sua emancipação, e este também deveria ter suas economias próprias. Seja como for, não houve prejuízo algum para o outro filho, até porque as leis judaicas permitiam o mais jovem pleitear um terço do que caberia ao primogênito.
Já na adolescência, queria dizer adeus à infância e ao próprio lar, em busca de outros caminhos na existência, e, tal como Ulisses da lenda grega que voltou para casa, depois dos tropeços e suas aventuras, o jovem experimentou os prazeres mundanos e os castigos do sofrimento, levantou de sua queda e retornou à casa do pai para ser um humilde servo, com a experiência que o vacinaria para sempre contra os perigos de uma recaída.
Os caminhos em busca da evolução para a conquista da autorrealização da criatura humana são diversos, mas todos devem convergir para o encontro do amor, que resume toda lei e os profetas, como afirmou o divino mestre. Alguns se dedicam a uma atividade religiosa produtiva em benefício do próximo, outros se entregam às tarefas do trabalho de toda espécie para a manutenção da família e há os que triunfam na perigosa senda das riquezas, colocando-as a serviço do bem da coletividade, criando empregos para muita gente nas mais diversas atividades. Enfim é o trabalho, sob o qual estamos protegidos das tentações, como assevera Coelho Neto, em seus mandamentos cívicos.
Existem também as ovelhas desgarradas que só aprendem o reto agir após as tortuosas jornadas do erro, no excessivo gozo dos prazeres, como aconteceu com o chamado filho pródigo. Teve que passar pelo “pecado necessário” para alcançar a redenção, como bem expressa o hino “Exultet”, que se canta nas solenidades da véspera da páscoa nas cerimônias da Igreja Católica: “O felix culpa! O vere necessarium Adam peccatum, quod talem et tantum meruisti Redeptorem!” (Ó culpa feliz! Ó pecado de Adão realmente necessário, que tal e tão grande Redentor mereceste!)
Conforme Rhoden, “em face da teologia analítica, isto é blasfemo, mas, à luz da visão mística intuitiva, é sublime. Culpa e pecado simbolizam o estágio evolutivo do homem através do ego em demanda do Eu. A nossa humanidade da ego-personalidade está no plano horizontal da “culpa feliz” e do “pecado necessário”, falta-lhe superar esse plano e atingir a plenitude vertical da sua redenção”.
O tal de “pecado necessário” não deixa de ser uma rota de redenção, quando o pecador não mais o pratica, porque nele permanecer seria algo inferior, como desejar alimento de porcos.
O filho pródigo ainda não se tornara um homem autorrealizado, mas já tinha a seu favor a humildade, o reconhecimento dos seus erros e uma verdadeira conversão para novos rumos de progresso espiritual, enquanto seu irmão, o filho sovina, permanecia no egoísmo, reclamando recompensas por se julgar bom. Não há coisa pior que o complexo da virtuosidade. Não há remédio para o doente que acha que está bem. Temos que superar o inferno de nossas mazelas (ódio, inveja, ciúmes, etc) e também o céu de nossas virtudes. O amor que nos encaminha para a autorrealização não exige recompensa alguma. A justiça divina sobrepõe-se a todos os direitos humanos.
Analisando a conduta do filho mais velho, sob o título de “o filho egoísta”, assim se expressa, através da psicografia do famoso médium Francisco Cândido Xavier, o sábio espírito Emanuel, que teria sido o grande missionário Padre Manoel da Nóbrega, que veio de Portugal e fundou São Paulo, a maior cidade da América Latina: “De maneira geral apenas se enxerga o filho que abandonou o lar paterno, a fim de viver nas estroinices do escândalo, tornando-se credor de todas as punições; raros conseguem fixar o pensamento na conduta condenável do irmão que permanecia sob o teto familiar, não menos passível de repreensão. Observando a generosidade paterna, os sentimentos inferiores que o animam sobem à tona e ei-lo na demonstração de sovinice. Contraria-o a vibração de amor reinante no ambiente doméstico; alega, como autêntico preguiçoso, os anos de serviço em família e desrespeita o genitor, incapaz de compartilhar com ele o justo contentamento. Esse tipo de homem egoísta é muito vulgar nos quadros da vida. Ante o bem-estar e a alegria dos outros, revolta-se e sofre, através da secura que o aniquila e do ciúme que o envenena. Lendo a parábola com atenção, ignoramos qual dos filhos é o mais infortunado, se o pródigo, se o egoísta, mas atrevemo-nos a crer na imensa infelicidade do segundo, porque o primeiro já possuía a bênção do remorso em seu favor” (Livro “Pão Nosso”, 7ª edição, fls.325/326).
Esta parábola nos chama atenção para as diversas atitudes diante das coisas materiais. Há os que vivem na bipolaridade esquizofrênica de não se contentarem com nada. Ricos ou pobres compram tudo o que veem, acumulando bens desnecessários. São os estróinas. Existem pessoas que gastam o dinheiro que não possuem em compras de coisas supérfluas somente para exibição perante a sociedade de consumo. Por outro lado, há também os que vivem na usura, passando até privação, para guardarem muito dinheiro.
A filosofia helênica já proclamava no santuário de Apolo: “Meden  agan”( nem mais, nem menos),  a ideal situação mediana  que passou a figurar no brocardo latino – “in medio est virtus”, ou seja, a virtude está no meio. Nem o desperdício da gastança e tampouco a usura de muita poupança. Dizia, porém o cientista e pensador norte-americano Benjamim Franklin, inventor do para-raios, que para se tornar rico, não basta saber ganhar, mas sobretudo economizar.
A sabedoria popular, entretanto, segundo afirma a humilde senhora Noêmia Teodora Machado (dona Tita), mãe do ilustre médico, professor e orador, Dr. Delfino Machado,  “ser rico não é bom e ser pobre não presta, o melhor é ser remediado”: eis o meio termo dos filósofos gregos. Na introdução do Sermão da Montanha, proclama Jesus que deve haver um desprendimento, tanto das coisas que possuímos, como das que desejamos possuir. É o espírito de pobreza e não pobreza de espírito. Bem -  aventurados os pobres pelo o espírito ou em prol do espírito. Em latim a palavra aparece no caso ablativo- “spíritu”, em grego, no dativo-“pneumati”= para o espírito, e nunca no genitivo de ambas as línguas citadas.
Conforme o filósofo chinês Lao-Tse, que viveu seis séculos antes de Cristo, rico é quem vive contente. E o apóstolo Paulo, na carta aos Filipenses (C.3.v.10), declara que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação. Interessante observar, então, que viver contente é um aprendizado e, portanto, tal coisa deve ser aprendida por todos nós, para sermos felizes.

Vivaldo Jorge de Araújo, ex-professor de História e Língua Portuguesa do Lyceu de Goiânia, é escritor e Procurador de Justiça aposentado.
Artigo publicado no jornal Diário da Manhã de Goiânia- Estado de Goiás, Brasil- dia 02/09/2016, caderno Opinião Pública, fl. 5. Site do jornal: dm.com.br      edição impressa

BRASIL, UM GIGANTE À DERIVA



“ Diante das acusações que contra mim são dirigidas, não posso deixar de sentir novamente o gosto amargo da injustiça e do arbítrio. Mas como no passado, resisto. Não esperem de mim o obsequioso silêncio dos cobardes.(…) Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça.”
Foi assim, desta forma digna e vertical, que Dilma Rousseeff, a presidente eleita do Brasil, se dirigiu aos oportunistas, aos golpistas, que lhe usurparam o lugar para que fora democraticamente eleita pela maioria dos eleitores brasileiros. A cassação do seu mandato sem que tenha cometido crime de responsabilidade.
Dói ver aquele imenso país de inúmeras potencialidades, à deriva, minado pela corrupção, pela sede de poder, pela ambição desmedida. Dói ver aquele povo de 200 milhões de almas que fala a língua de Camões, indefinidamente à espera de pão e sossego. Nos últimos anos, teve mais algum. Mas os que sempre tiveram a pança cheia, não querem repartir nenhum, com os que lhe a enchem. Com os que nada têm.
Que as palavras de Dilma, a mulher que na sua juventude enfrentou a ditadura, sejam o novo grito do Ipiranga, e que os milhões de brasileiros mais esclarecidos, dignos e patriotas, não se rendam. O gigante encontrará rumo certo. Será bom não só para o Brasil, mas também para toda a América Latina e para o mundo. Os democrata de lá, de cá e de todo o lado ,assim o desejam.
Francisco Ramalho

Corroios, 2 de Setembro de 2016


Hoje,7/9, no DN

A 2 DE SETEMBRO DE 1939 - II Grande Guerra: Portugal anuncia que manterá uma “neutralidade equidistante” em relação a este conflito.

Resultado de imagem para II Grande Guerra: Portugal anuncia que manterá uma “neutralidade equidistante” em relação a este conflito.

A 2 de Setembro de 1939, o governo português anuncia que manterá uma “neutralidade equidistante” em relação aos acontecimentos bélicos da véspera: às 4h45 da madrugada, o exército alemão iniciara uma forte ofensiva militar contra a Polónia, com o intuito de reconquistar os territórios que havia perdido na Primeira Guerra Mundial. Iniciava-se, assim, os primeiros combates de um conflito a nível mundial que passaria à história com a designação de Segunda Grande Guerra.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

TTIP? - Não, obrigado

O arranque negocial do Tratado Transatlântico de Investimento, entre UE e EUA (TTIP), a 17 de Junho de 2013, tem contornos de secretismo inaceitáveis. Quase nada
se sabe. A credível associação ambientalista Greenpeace confirma com documentos que as negociações estão a decorrer em moldes obscuros... O Tratado está a ser alvo
de forte pressão lobista norte-americana, para forçar a agilização das regras europeias sobre o uso dos pesticidas na agroindústria. E não só... Visa, não apenas (o dito)
livre comércio, mas também o alargamento e salvaguarda dos lucros das grandes corporações multinacionais, colocando-as fora do alcance das instâncias de poder, como Estados, 
ONU e Tribunais Internacionais. Procura passar por cima de todas as barreiras legais como: Direitos dos consumidores; direitos laborais; regras de saúde pública; activos e
empresas estatais; protecções ambientais; privacidade e liberdade na internet; políticas públicas relativas a medicamentos; infraestruturas; combustíveis; agricultura e por
aí fora... Sendo a norma americana permissiva, o Tratado quer nivelá-la por baixo na Europa, esvaziando o poder judicial dos Estados. No Egipto, o Governo aumentou o
salário mínimo e uma multinacional francesa protestou judicialmente, sendo recompensada com uma indemnização de muitos milhões, uma vez que essas disputas são decididas em tribunais especiais e cujas conclusões não podem ter recurso... Isto é a captura dos Estados e das suas Instituições e leis. É a Nova Ordem Mundial...
   Face a esta nova ameaça de guerra comercial, devemos afirmar em voz alta: TTIP - Não!

                                      artigo de opinião de Vítor Colaço Santos

Falta moralidade e equidade

A dedicação à causa pública é bem recompensada. Que moralidade ou sentido de justiça e equidade têm as subvenções aos políticos? Nenhuma! Faz sentido atribuir
benesses a quem já tem reforma, património e outras gordas fontes de receita? Não! São €18,7 mil milhões que antigos titulares, desde a Assembleia da República ao Tribunal
Constitucional, vão custar este ano aos portugueses. Esta gente foi decisora em causa própria... Estas chorudas pensões douradas são maioritariamente 
atribuídas a figurões do PSD, PS e CDS... e alguns do PCP(!), sendo estranho e contraditório, porque este partido diz lutar contra as iniquidades. Enquanto 322 ex-políticos continuam a beneficiar de subvenções vitalícias, na ordem de milhares de euros mensais, tenho um familiar recém-aposentado pela Caixa Geral de Aposentações, com 30 anos 
dedicados à causa pública, recebendo uma pensão de reforma igual ao salário minimíssimo nacional... Pouquíssimos com tanto, tantos com tão pouco. 
Portugal é rico para poucochinhos!

                               artigo de opinião de Vítor Colaço Santos 




Manifesto – Portugal Solidário

E não é que a moda pegou? A solidariedade entre todos os filhos da nação atingiu o pico máximo do filantropismo instituído, pelo que as fundações que se cuidem.
Assim, temos os ‘senhorios solidários’ que, a troco de rendas de meia dúzia de euros, irão recuperar os seus imóveis, a fim dos seus queridos inquilinos se sentirem como estivessem em hotéis de muitas estrelas.
Temos e tivemos ‘bancos solidários’, que despejaram os cofres de modo que deu mais jeito às malfeitoras administrações, enquanto o vulgar contribuinte paga e não bufa para repor o que foi roubado.
Temos os ‘solidários deputados das subvenções vitalícias’, que as vão direccionar para o Erário Público, uma vez que, num rebate de consciência, se julgam não merecer tais benesses.
Temos os ‘solidários detentores de imensos e lucrativos cargos’, que fartos como odres, os vão repartir por todos os filhos da nação que não têm emprego, ou nunca o tiveram.
Temos os ‘solidários administradores de topo e seus NÃO executivos’, que querem ganhar um vencimento tendo em conta o OMN – ordenado mínimo nacional – praticado no nosso país e não o igualando ao que se pratica no exterior.
Temos os ‘solidários políticos e a sua solidária juventude partidária’, que a partir deste manifesto, se vão solidarizar de modo a porem os interesses da nação acima dos interesses partidários, uma vez que foi isso que aprenderam nas aulas que tiveram nas bem frequentadas universidades de verão, em que tudo que lá foi dito foi A Bem da Nação.
Viva Portugal!

José Amaral