NOS
MEANDROS DO PRÉMIO NOBEL
No livro de
Irving Wallace, “O Prémio”, o personagem conde Bertil Jacobsson, do Comité de
recepção aos laureados, satisfaz a curiosidade de alguns deles acerca da forma
como se processa a escolha:
-Conde
Jacobson, pode descrever-me o que se passou após a apresentação das
candidaturas? –Decerto que sim - respondeu o conde. Quatro membros da Academia
têm a função de fazer uma primeira escolha. Os livros considerados mais
importantes pela totalidade dos membros são entregues a esses quatro. Muitas das
obras, tal como a sua, estavam traduzidas para sueco; outras, nunca haviam sido
traduzidas, sendo necessário apreciá-las na língua original.
-Nesse caso,
o Prémio Literário está nas mãos de quatro homens – observou um premiado. –Não,
não - replicou Jacobsson. Os quatro
membros do primeiro júri desempenham apenas um papel preliminar. Os membros da
Academia passaram o verão todo a ler e reler e, em meados de Setembro,
reunem-se oficialmente neste salão para discutir o que leram e sondar opiniões
uns dos outros. No mês de novembro reunem-se uma vez mais, à porta fechada,
para eleger o premiado.
–O conde Jacobsson pode dar-nos alguns
exemplos dessa discussão? –Acho que não haverá mal em lhe descrever alguns episódios
- diz Jacobsson. Desencadeiam-se verdadeiras polémicas, uns a favor, outros
contra as obras apontadas. Todos os anos, durante os meses de novembro e
dezembro, há muita gente em todo o mundo à espera de notícias acerca do Prémio
Nobel. Acabam por acreditar que os laureados são uma espécie de semideuses, mas
todos, os que escolhem e os escolhidos, são apenas seres humanos.
E os prémios
não são concedidos por decreto divino nem os juízes que os atribuem possuem
sabedoria superior. São, de facto, homens dotados de grande inteligência mas
humanamente frágeis. Trata-se de homens sábios e experientes e de absoluta
integridade, mas também possuem os seus preconceitos, as suas preferências e
aversões, mas, apesar de tudo, constituem as melhores cabeças que possuímos..
E é por isso
que são membros de uma Academia que
distinguiu Rudyard Kipling, Roman Rolland, Anatole France, George Bernard Shaw,
Thomas Mann, Bertrand Russell e Boris Pasternak, entre outros; mas também os da
mesma Academia que esqueceu e rejeitou Émile Zola, Leon Tolstoi, Henrik Ibsen,
Marcel Proust, Mark Twain, Josph Conrad, Máximo Gorki, Theodore Dreiser e
August Strindberg, entre outros.
NOTA- Transcrito por Amândio G. Martins
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