terça-feira, 22 de agosto de 2017

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Já era de esperar

‘De tanto ir o cântaro à fonte, até que um dia lá deixou a asa’, assim se deu a fatalidade há muito anunciada: um experimentado piloto de helicópteros de ataque aos incêndios, que estava a operar a partir do Centro Aéreo de Armamar, perdeu a vida em Cabril, do concelho de Castro Daire, e cujas fumarolas eu avistei de Vila Seca, concelho de Armamar, aonde inúmeras vezes o malogrado piloto no céu voou.
Paz à sua alma; sentidos pêsames à família enluta, e que tudo seja feito para não se perpetuarem sazonalmente tantos criminosos incêndios, que anualmente estão a transformar o Portugal rural num verdadeiro inferno.


José Amaral

REGRESSO À POLIS

Ás vezes sou um pouco arrogante, falta-me um pouco de humildade no debate político. Mas tal também é uma forma de defesa. São muitas lutas desde a faculdade e não admito estar às ordens de ninguém. Aliás, no meu percurso nunca segui a linha dominante nem nunca andei atrás do tacho. Confesso que em determinada fase da minha vida demarquei a política do resto da vida e não fui capaz de ter uma visão mais global. Agora, aos 49 anos, regresso à polis, à construção da cidade enquanto vida, poesia e diálogo filosófico, enquanto amor, liberdade e revolução vivida. Regresso à natureza, à ecologia porque o planeta está em perigo. Regresso à ideia e ao ideal porque nos tentam fazer a cabeça todos os dias e regresso ao combate porque é absolutamente insuportável que tenham transformado a vida numa corrida onde uns se atropelam aos outros pelo emprego, pelo dinheiro, pela carreira.

Suspeitas de gestão danosa na antiga PT

Por entender que se trata de um artigo do Jornal PÚBLICO de grande interesse e que, por qualquer motivo possa ter escapado a algum colaborador ou leitor deste blogue, fazendo uso destas tecnologias, tenho muito prazer em vos indicar o link de acesso e se der origem a algum comentário, óptimo. Se não der, é sinal que concordam com o mesmo tornando-se por isso desnecessário.
Boa leitura.


Jorge Morais


 

 

 

Encandeamento…

Surgiste-lhe de repente
Iluminando ao redor;
Estrela resplandecente
Deste ao rapaz inocente
O sonho de um grande amor.

Mas com ar distanciado
Só lhe deste alguma afeição;
O rapaz encandeado
Viu o sonho malparado
E malferido o coração.

Veio a tristeza sem fim
Da espera a cada hora;
E sem quereres ser ruím
Fugiste a dizer não ou sim
E o seu coração chora!

Não és um vulgar tesouro
Que qualquer um pode querer;
Vales mais que todo o ouro
E não vais ao miradouro
De quem te queira escolher…

Amândio G. Martins



21 de Agosto de 1955 - Experiência de TV na Feira Popular

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O Diário de Lisboa de 21 de Agosto de 1955 notícia que “foi levada a efeito na Feira Popular de Lisboa, uma interessante experiência de TV com um equipamento de televisão industrial” de uma conhecida marca alemã. Segundo o mesmo jornal, participaram neste evento a locutora Maria Leonor e os técnicos João Terramoto, António Marques e Mário Moreira. Conhecidos artistas da época deram o seu contributo para que esta experiência televisiva fosse um sucesso: Angelito Antero, Juanito Fenollora, Manuel Lereno, Arménio Silva e o conjunto de Bártola Valença, Raparigas do Ritmo.
A 15 de Dezembro de 1955, é constituída, por iniciativa do Governo a RTP – Rádiotelevisão Portuguesa, SARL

domingo, 20 de agosto de 2017

A ESPUMA ( NEGRA) DOS DIAS



Estou em casa “retido” pelo calor, quando descrevo a espuma negra, escura mesmo, como breu , destes dias que vivemos.
Primeiro, foi a tragédia de Pedrogão que consternou o país. Depois, o vento, a canícula e as mentes criminosas (facilitadas pela quase impunidade) que não amainaram, trazendo mais fogo, morte e destruição. Na Pérola do Atlântico, nem a Senhora do Monte, impediu que o secular carvalho, talvez porque não acreditasse em milagres, nem na vida eterna, decidiu pôr termo aos seus dias, transformando assim a sua benfazeja sombra, em morte e sofrimento. A seguir, a sanha criminosa dos que em nome de Deus, mas conspurcando-o, voltaram a matar indiscriminadamente inocentes. Desta vez em Barcelona. Aonde, dos 14 infelizes que se finaram, se incluem duas compatriotas nossas. E mesmo não contando com outras desgraças ocorridas por aí neste mundo de Cristo (?), o rol já vai desgraçadamente extenso.
Mas dizia eu que estou retido em casa devido ao calor, mas não só! Não posso ir para a praia, porque daqui a pouco ,vou dar a minha voluntária contribuição nas Festas de Corroios. Festas, que são “só” das maiores do Distrito, e até a nível nacional. Inédito mesmo! Porque, embora com algum apoio da Câmara Municipal do Seixal, são organizadas por uma Junta de Freguesia. A de Corroios, Claro!
Portanto, nem tudo é mau! Lembro-me ainda de outra proeza que vem clarear mais um pouco a espuma negra destes nossos dias: a vitória da nossa campeoníssima Inês Henriques.
Façamos votos e esforços para que a espuma se torne ainda mais clara. Bem precisamos!
Francisco Ramalho

Corroios, 20 de Agosto de 2017

Um atentado em Barcelona

No tempo de todos os desmandos sociais e atitudes populistas, um atentado foi levado a efeito em Barcelona, nas Ramblas, a zona mais tradicional e de lazer do turismo de massas.
De imediato, a opinião pública de todo o mundo lamentou o sucedido. Também Portugal, bem como os responsáveis da nação verberam veementemente mais este nefando e criminoso acto extremista, pondo-se à disposição das vítimas e de sua família, inclusive a deslocação dos senhores PR e PM à capital da Catalunha, a fim de assistirem às exéquias levadas a cabo na Basílica da Sagrada Família, tal como procederem oficialmente à transladação das falecidas a cargo da nação.
Parece-nos que – tirando o caso de mais este atentado que deve ser duramente repudiado -, os responsáveis máximos do Estado Português portaram-se com elevado populismo, como se as duas vítimas tivessem morrido por terem prestado relevantes serviços à Pátria, o que não se verificou.
Outrossim, nunca vimos os responsáveis da nação deslocarem-se – por exemplo - ao interior do país para darem apoio moral e monetário a tantos tractoristas que têm morrido a trabalhar a terra. Isto é, estamos numa época de se enaltecer a cigarra, em detrimento da laboriosa formiga.

José Amaral


Uma senhora (pela primeira vez) membro do Governo

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A Capital de 20 de Agosto de 1970, anuncia “uma inovação na vida pública portuguesa: uma senhora no Governo, A dr.ª Maria Teresa de Almeida Rosa Cárcomo Lobo, natural de Malange, de ascendência goesa” é nomeada, por decreto “subsecretária de Estado da Saúde e Assistência. A cerimónia de posse efectuou-se no dia 21 de Agosto de 1970, pela 15 e 30 no Palácio  Nacional de Belém”.

sábado, 19 de agosto de 2017

O tentacular grémio do fogo

Há décadas que os fogos têm dizimado o país. São matos, são bens, são pessoas que têm desaparecido, enquanto o inimigo se esconde bem longe das chamas desta sazonal desgraça colectiva.
Depois, são os eucaliptos, o foguetório das festas populares e as matas não limpas, os responsáveis por este bem engendrado e tentacular grémio do fogo.
Entretanto, em vez de se apostar decisivamente na prevenção, vão ainda gastarem-se muitos mais milhões na aquisição de mais e sofisticados meios de ataque a tais criminosas ignições e suas derivadas projecções.
Assim, sem se ir ao cerne da questão, o que de facto interessa são manter as negociatas estabelecidas até que Portugal desapareça nas chamas desta continuada fogueira, que a alguns dá muito a ganhar.

José Amaral


Neutralidade não, obrigado


Como é que se percebe que uma criaturinha como Trump tenha chegado à presidência americana? Durante a campanha eleitoral, ainda havia quem pensasse que se tratava de uma revolta “popular” anti-sistema, mas que, na prática, tudo viria a resolver-se com os habituais checks and balances a funcionar. Os profissionais da Casa Branca encarregar-se-iam de levar ao carril o desembestado que, entre muitas outras coisas, proclamava o banimento dos políticos ancorados em Wall Street. Seis meses após a posse, a perplexidade adensa-se. Ninguém sabe o que virá a seguir e pouco importa quem vai sendo despedido. Arrepiantes, contudo, são algumas das tomadas de posição do presidente, designadamente quando na baila estão temas como o racismo ou a xenofobia. E pasma-se quando deparamos com alguns “equilibristas” que, na senda “trumpiana”, acham que os dois lados da manifestação de Charlottesville são comparáveis. Não são, e temos de tomar posição, ser firmes contra o racismo. Nisto, a neutralidade é criminosa, diria Kennedy. Como foi quando Hitler, ardilosamente, arrastou multidões. Num país, lembremo-lo, dos mais cultos e esclarecidos que o mundo tinha. E, no princípio, ninguém acreditava na desgraça que aí vinha, nem sequer muitos dos judeus que pagaram bem cara a credulidade passiva.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Trump alinha com a extrema direita

Para quem tivesse dúvidas, Donald Trump alinha com a extrema direita. Pretende o apoio duma minoria activa e, esta foi concretizada na manifestação racista e nazi dos supremacistas brancos na Virgínia - EUA. Trump xenófabo, misógino e racista apoiou a manifestação contra os
negros e quer restringir-lhes o voto, em futuros actos eleitorais. A liberdade, do ponto de vista racial nos EUA, recuou. A estratégia trumpista é de divisão e assenta em grupusculos apologistas da violência e difusores do medo! É revelador, a antigo líder do Ku Klux Klan (organização fascista/racista), ter agradecido a Trump o apoio dado á manifestação. Quando este comenta o evento, colocando manifestantes racistas e contramanifestantes pela liberdade, no mesmo plano - é intelectualmente desonesto!, ao não separar os dois lados da barricada, diametralmente
opostos. O Partido Republicano de Trump, não se demarcou daquela manifestação nazi, tornou-se refém duma estratégia errática e perigosíssima.
    O Partido Democrata, dividido, também tem uma quota parte de responsabilidade política, já que não fez uma séria condenação desta desprezível manifestação causadora de morte e feridos. Inaceitável.

Vítor Colaço Santos

Público - 20.08.2017

TRUMP NAZI

Não há dúvida. Donald Trump é um fascista, apoia os neonazis de Charlottesville e ataca os anti-fascistas. Até mesmo a sua aliada Theresa May condena a sua posição. Trump alimenta o racismo, a xenofobia, o anti-semitismo, a islamofobia. Trump não anda longe de Hitler. Afirma que há "gente boa" nas hostes da extrema-direita.
A violência dos grupos neonazis em Charlottesville já foi reconhecida como um acto de terrorismo doméstico. Os manifestantes exibiam estandartes da Alemanha nazi e uniformes da Ku Klux Klan. Trump está com essa gente. Trump pertence à pior escumalha à face da Terra.
As árvores também morrem

Era um carvalho com 200 anos, sem sinais de decrepitude, e tombou arrancado pela raíz. Imaginemos este carvalho num jardim do Porto, Lisboa ou mesmo numa pequena urbe de província; os técnicos responsáveis pelos espaços verdes e zonas de lazer decidem derrubá-lo, por desconfiarem da sua solidez.
Os noticiários do dia seguinte abriam com isso, com fotos e vídeos da árvore centenária “esquartejada” e uma multidão em fúria, negando com todas as forças que aquela árvore oferecesse qualquer perigo; que toda a vida a tinham visto assim, que eles, os pais, avós e visavós se consolaram à sua sombra…
Esta é mesmo uma cena demonstrativa de que se pode ser preso por ter cão e por não ter, bem visível agora nesta desgraça da Madeira, em que se ouvem palradores a invectivar os poderes públicos por não terem atendido às queixas contra o estado dos plátanos, dos quais se alguma coisa deles se desprendeu agora foi arrastada por um carvalho que lhes caíu em cima e de que ninguém se queixava; e nem lhes ocorre que apontarem os plátanos de estarem seguros por cabos só desmente a falta de atenção com a segurança que tanto reclamam.
Quando saio de casa -  ou mesmo em casa -  estou sujeito a uma série de imponderáveis que me podem acontecer, sem que se vislumbrem evidentes culpados; mas a primeira preocupação das “boas almas”, incentivadas pelos caçadores de polémicas, é saber quem é o culpado – procurem o culpado de tanto inútil cujo único objectivo na vida parece ser criar entropia ao bem-estar da colectividade…- usando aquela chapa mais que batida “a culpa não pode morrer solteira”!
Temos aqui em Ponte de Lima uma avenida, chamada dos plátanos por toda a gente, embora tenha o nome de D. Luís Filipe, que a inaugurou no início do século passado, pouco antes de ser assassinado. Trata-se de um espaço na margem esquerda do Lima, só para recreio, sem trânsito automóvel, e os plátanos então plantados são hoje árvores enormes, que requerem e têm muita atenção da autarquia.
Plantados dos dois lados da avenida, a copa destas árvores forma um túnel que cobre todo o espaço; quando há ventos caem pedaços, como caem em todo o lado que haja árvores, havendo cartazes de alerta para isso colocados pelos responsáveis; se alguém que ali passe levar com um ramo daqueles e morrer, a família que mande enterrar bem fundo e pronto.

Amândio G. Martins



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ESTAMOS EM GUERRA, COM OS FOGOS!


Não consigo mais ver visitas de ministros e do PM aos locais destruídos pelos fogos, a anunciar a reconstrução de alguma casas para os que ficaram sem elas. Acho que deveria haver mais respeito para com os mortos e as suas famílias.

Façam uma boa pausa no "politicamente correcto", deixem as poses ministeriais, inventariem as responsabilidades e sancionem os responsáveis, mesmo os do topo, não simples funcionários. Haja pudor para com o sofrimento alheio, não exibam sorrisos contentes ao distribuir uns cheques. Assumam que falharam, como responsáveis pela segurança das pessoas e bens. É o próprio conceito de Estado que está na ordem do dia. De um Estado que não se consegue defender, e uma vez atacado, os seus dirigentes parecem querer pôr primeiro o seu cargozinho a salvo, do que resolver problemas gravíssimos. Acabe-se com a burocracia para atenuar a dor e as perdas materiais. Nós estamos em guerra com os fogos. Fogos que este ano já permitiram que fossem acusadas 91 pessoas de os atear. Imagino quantas dezenas mais não estiveram envolvidas nestes crimes. Como é possível haver ignições nocturnas, em locais diferentes e cirurgicamente ateados? E o Secretário de Estado da tutela a queixar-se desta desgraça. Devia era fazer tudo ao seu alcance para prevenir, porque depois é tarde. E prevenir com as forças armadas na floresta. A patrulhar os pontos mais desprotegidos, onde esses bandidos se acoitam cobardemente para atear fogos. Com legislação dura, que permita que as polícias e as autoridades os encarcerem e tratem em hospitais psiquiátricos, se fôr caso disso. Isto no fundo, com o estado de calamidade já declarado, deveria ser mais uma operação militar do que uma operação civil, tal a dimensão desta tragédia.