sábado, 30 de novembro de 2013

A Constituição a ser revista é por nós. Nunca de fora


A Constituição a ser revista é por nós. Nunca de fora

Se não estivéssemos em tempos de tamanha austeridade, que parece não ter outro objectivo que não a própria austeridade.

Se não estivéssemos com um Governo mau e com alternativas tão pouco viáveis.

Se tivéssemos com um PR apropriado a este difícil momento.

Se não tivéssemos alguns - bastantes, demasiados - média, que vivem, de e para o sensacionalismo.

Se não estivéssemos demasiado entristecidos e desesperançados com “tudo isto”, não andaria a Constituição, nem o Tribunal de Contas nas bocas de todos, de manhã, à tarde e à noite.

Mas, com estes “se”, a Constituição passou a ser o bode expiatório de todas as incapacidades dos diversos Poderes Constituídos, de, com alguma normalidade, fazerem o País funcionar, por forma a fazermos – aqui, todos – com que tenhamos futuro cá dentro, com um mínimo de qualidade de vida.

Por certo que, a Constituição possa ter que ser mais reduzida, não tão regulamentadora, uma base sólida, mas menos pesada. Porém, não é este o tempo de poder ser revista, pelos “se” atrás referidos.

Esperemos que tal venha a poder acontecer, com calma ser revista, mas sem quaisquer nacionalismos bacocos fora de tempo, ou o inverso, e terá que ser feito por nós, connosco e sem recados permanentes de alguns cá de dentro, e muitíssimo mais grave, de demasiados “lá de fora”.

Já chega de não poucos supostamente “responsáveis” internos, quando vão lá fora ou recebem “cá dentro” os de “lá de fora, a quem prestam venerações” criticarem aberta ou dissimuladamente a Constituição. Chega!

Tudo no seu tempo, lugar e espaço, mesmo que numa prespectiva ainda muito ilusória de haver ou poder vir a sermos, uma verdadeira União Europeia – e não está manta de retalhos – este é o momento de respeitar a Constituição e o Tribunal Constitucional que temos. Que somos!

E se cada Poder instituído e até as Oposições e outros que já nem isso são, cumprirem com as suas funções, talvez a Constituição e o Tribunal Constitucional, não fossem termo de tanta obstinação.

Augusto Küttner de Magalhães

Novembro 2013


 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

roubado O DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

O 1.º de Dezembro, que comemora a restauração da independência em 1640, é o quarto feriado roubado pelo governo PSD/CDS.
O 1.º de Dezembro, é o feriado mais antigo em Portugal, sendo instituído na segunda metade do século XIX, para comemorar a independência alcançada em 1640, após 60 anos de domínio espanhol.
Em 1640, o secretário de estado Miguel Vasconcelos, fiel servidor dos ocupantes espanhóis, foi morto pelos patriotas revoltosos, que prenderam igualmente a duquesa de Mântua, representante da ocupação filipina de que Portugal era vítima e que provocava o empobrecimento e muitos sacrifícios ao povo.
Eliminar este feriado e não comemorar a restauração da independência, não deixa de ser um acto coerente do governo e deputados do PSD/CDS, face à sua submissão aos ditames da «troika» estrangeira, que ocupa o nosso espaço político e que tantos sacrifícios impõe e provoca.
Constatar, igualmente, que o roubo dos feriados em 2013, só  serviu para prejudicar trabalhadores e beneficiar empregadores, para além de não combater o desemprego, não dinamizar a economia, nem reduzir a dívida soberana.

Violência doméstica, outra vez.


Quanto mais me bates mais gosto de ti...

Recentemente o Manuel Alentejano questionava porque é que não se fala da violência doméstica exercida sobre os homens e só se destaca a exercida sobre mulheres, considerando que bastava um pouco de bom senso para que desconfiemos deste desequilíbrio que não corresponderia à verdade. Supõe-se que haverá alguns homens a sofrer de violência domésctica. Acredito. Ainda hoje vi na primeira página do JN um título a dar conta do homicídio de um homem pela mulher que queria assim ver-se livre do marido para poder ficar com o amante. Aquilo que me choca neste pretenso despertar do homem como vítima dos maus tratos femininos é que não podemos comparar uma situação com a outra. A violência exercida sobre mulheres não tem comparação, em todos os aspecto,s com a exercida sobre os homens. Muito sinceramente e acreditando que quem neste blogue está a defender os homens por conhecer pessoalmente casos desses, eu pergunto se as pessoas tem a noção da disparidade dos números entre vítimas mortais mulheres e homens. Julgo que deve ser do tipo de 50 para 1.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Estamos num dos piores momentos da nossa História


Todos os portugueses estão cientes (ou não?) do lodaçal e pântano em que caímos por culpa das classes políticas, provindas das universidades de verão onde são ministrados cursos de fim-de-semana.
Por isso a pestilência sócio-laboral é por de mais insuportável.

Mas, vamos alertar, com estas singelas linhas, os menos avisados, acerca de algumas situações sem regras de bom senso, instaladas neste Portugal sem rumo.
Assim, fomos informados, através da nossa (ainda) Comunicação Social que, numa altura de tanta miséria colectiva em todos os sentidos vivenciais, DEZ famílias de portugueses detêm 90% de toda a riqueza gerada intramuros, i.e., para tais afortunados, quanto pior para a colectividade, melhor para eles.

De seguida, também fomos alertados para o julgamento de um jovem de 16 anos, considerado um facínora da pior espécie, que teve a julgá-lo um colectivo de três juízes e de outros aprendizes de leis da justiça à portuguesa.
Tal jovem celerado (que se apoderou de três sumptuosas pizzas e bebidas provocou um astronómico prejuízo de 30 euros, quando o julgamento custará mais de 2 000 euros ao Erário Público), incorre numa pena (justa???) que poderá ir até 8 anos de prisão.

E, tendo em conta que o país nunca mais ‘entra nos carris’, um bando de patriotas foi-se à Linha do Tua e zás… e todos os comparsas se banquetearam com 190 metros de linha-férrea.
É caso para dizer-se: mas que grande banquete!

Por último, e por agora, veja-se que solução foi encontrada para os ENVC – Estaleiros Navais de Viana do Castelo!
Então, não é mais um caso de perdição colectiva, quando presentemente os mesmos cangalheiros do Povo queriam (dizem eles) voltar ao MAR que foi NOSTRUM?

Não estamos, pois, num dos piores momentos da nossa História, como Povo e Nação?

 

José Amaral

 

Respigo

Às vezes é assim... encontramos num livro muito do que intuimos, sabemos e até vivemos. Foi assim ontem à noite, antes de chegar o "João Pestana". Leiam (tem a ver com este blogue)...
"... o nosso olharera devedor a todos eles ( os anteriores  nós), desde os grandes nomes incontornáveis a jornalistas que escreviam pequenos artigos aquie ali, ou a meros cidadãos que estavam atentos e não se resignavam e escreviam (escrevem...) cartas aos jornais. Sim, fazíamos parte de um número imenso... de outros"

     Retirado de "A Cidade de Ulisses" de Teolinda Gersão (Bertrand Editora,Ldª)

Os mestres, professores e astrólogos.



Os mestres, professores e astrólogos.

Julgo que na antiga Grécia, e não só, os Oráculos eram divindades a que se recorria com bastante frequência e normalidade por qualquer um. Antes do nascimento de Cristo. A partir daí ouve como que um concentrar neste emissário de Deus todas as nossas dúvidas e questões. No entanto, as pessoas dotadas de poderes especiais sentiam que podiam continuar a ser úteis ao povo e prosseguiram com os seus conselhos e profecias particularmente. Até hoje. Mesmo a minha mãe leu muito sobre Astrologia e lembro-me dela aprender a fazer as Cartas do Céu para os filhos e para as amigas curiosas. Um dia pegou-me na palma da mão e ficou ali com o dedo a percorrer todas aquelas linhas a dar-lhes nomes e a vaticinar-me feitios defeitos vontades caminhos desígnios. Do “I Ching” também se familiarizou. Nunca me deu para a consultar nas vésperas de um exame ou quando conhecia uma rapariga nova o que era raro acontecer. Raríssimo. Faltou-me sempre o jeito para me chegar à beira delas tão facilmente como fazem esses safados dos franceses que é cada tiro cada melro. Mas não. Nunca consultei a minha mãe. Se calhar dizia-me era para estudar.
-Vê lá mas é se estudas.
E eu.
-Pois…
Um dia até foi um senhor lá a casa jantar, um senhor mesmo muito importante e dado como Mestre Supremo nessas coisas de Astrologia, Quiromancia, Ocultismo e tudo o mais. À mesa disse que eu era inteligente. Interiormente dei pulos mas o meu irmão mais velho disse logo.
-Que lhe adianta já chumbou duas vezes.
Toma lá e embrulha Pedrinho. Depois subiu ao meu quarto para me pedir desculpa. Tinha razão ou não? Pergunto eu. Se calhar tinha. Um gajo inteligente estuda e tira boas notas ou não? E foi assim que fiquei a saber ser um gajo inteligente apesar do meu irmão.
Estas coisas são engraçadas. Já crescido mas mesmo muito crescido para não dizer na meia-idade encontro uma amiga numa festa aniversário que eu já não via há séculos e diz-me ser especialista em Reiki e não sei que mais que põe as pessoas zen e não sei que mais e assim de repente põe-me a mão no joelho e só com esse gesto diz-me.
-Tás a precisar de uma massagem Pedro. Andas muito tenso.
 E eu. Foda-se como é que ela sabe só de pôr a mão no joelho. Uma mulher assim é um perigo.
-São, logo vou chegar mais tarde que vou ficar a trabalhar.
E ela vem até mim coloca a mão na testa e.
-Tás doido. Não vais ficar no escritório. Onde vais? Diz-me que eu sei. Sinto isso só de pôr a mão na tua testa Pedro. Não me mintas!
E um gajo fodido. Queres ver tu que agora tenho um detector de mentiras cá em casa!?
Sim. Acredito na Astrologia. Afinal se a Lua influencia as marés porque que é que os astros não hão-de influenciar as pessoas? Sorte a minha a São não ser dotada de poderes. Ou não. É que a ela basta o cheiro…adivinha logo quando faço arroz com alho ou não. Ou se liguei o exaustor durante o cozinhado. Faro cão de caça.
Ultimamente na zona onde moro parece que se mudou par lá uma comunidade de especialistas na matéria. São professores, astrólogos, curandeiros, médiuns, videntes, espiritualistas, e mestres em magia negra e branca a publicitar os seus dons e capacidades. Prometem resultados imediatos nos mais diversos campos. O dom que mais destacam é trazer de volta o amor desencontrado. Mas há mais. Desde problemas de alcoolismo, tabaco, maus-olhados, invejas, impotência sexual, negócios mal parados, injustiças, depressões até problemas com acidentes de toda a natureza. Dão até prazos para a resolução dos problemas. Uns em 48 horas outros em 3 dias e os mais inexperientes entre 7 a 15 dias. Outros conseguem até trabalhar à distância. O Professor Conte chega a anunciar que não existem problemas que não tenha solução com a sua ajuda. O Professor Sidicu diz ser o melhor a actuar na Europa e promete ajudar a pessoa a ter a seus pés quem desejar (!). O Professor Dafé vidente médium e curandeiro pertence a uma grande família de Astrólogos. O Professor Ali líder espiritualista e cientista cura problemas de impotência sexual em horas. Mestre Kebe é diplomado e é o único a fornecer 4 números de contacto tem somente 23 anos e talvez por essa facilidade é conhecido de grandes personalidades do Mundo inteiro. O meu preferido é no entanto o Mestre Marafú que promete arranjar e a manter emprego. O único senão é dos que mais tempo demora a prometer resultados. 15 dias. Depressa e bem há pouco quem lá diz o ditado. Ser-me-ia muito útil, sem dúvida. Só por preconceito estúpido é que ainda não fiz a marcação. Se por vezes gastamos dinheiro em médicos que não resolvem nada porque não recorrer a um Mestre Astrólogo para tentar solucionar os nossos problemas de saúde, paixão, dinheiro, emprego, vícios, maus-olhados? Os Gregos eram crentes e se o foram durante séculos é porque tinham resultados. É mais do que conhecida a vasta diversidade de entes mitológicos da Antiga Grécia. A nossa sociedade será preconceituosa relativamente a estes como que representantes dos ancestrais feiticeiros tribais africanos? Porquê? Uma questão de cultura evidentemente. Para prejuízo nosso. Quantos divórcios já não se teriam evitado, quantas maleitas não se teriam já curado, quantos desempregados teriam conseguido manter o seu emprego, quantos viciados não teriam já deixado a droga ou quantos olhares enfeitiçados já não teriam sido desfeitos?
Olhem para o que vos digo. Está-se a minimizar a importância que estes homens podem trazer para o nosso bem-estar e felicidade.
Vai uma aposta?

Afronta cruel ao Povo que sofre

Meus Caros Amigos,

Passo a enviar-lhes o teor de um e-mail acabado agora mesmo de dar entrada na minha caixa postal electrónica.
Eu, se já não andava a 'bater bem da mona', fiquei completamente aturdido.
Só pergunto: até quando iremos aguentar este continuado calvário?

''Subsídios de Férias e de Natal dos deputados para 2014 aumentam 91,8%!
A notícia é mesmo verdadeira e vem no Diário da República.
O orçamento para o funcionamento da Assembleia da República foi já aprovado em 25 de Outubro passado, fomos ver e notámos logo, contudo já sem surpresa, que as despesas e os vencimentos previstos com os deputados e demais pessoal aumentam para 2014.
Mais uma vez, como é já conhecido e sabido, a Assembleia da República dá o mau exemplo do despesismo público e, pelos vistos, não tem emenda.
Em relação ao ano em curso de 2013, o Orçamento para o funcionamento da Assembleia da República para 2014 prevê um aumento global de 4,99% nos vencimentos dos deputados, passando estes de 9.803.084 € para 10.293.000,00 €.
Mais estranho ainda é a verba relativa aos subsídios de férias de natal que, relativamente ao orçamento para o ano de 2013, beneficia de um aumento de 91,8%, passando, portanto, de 1.017.270,00 € no orçamento relativo a 2013 para 1.951.376,00 € no orçamento para 2014 (são 934.106,00 € a mais em relação ao ano anterior!).
Este brutal aumento não tem mesmo qualquer explicação racional, ainda assim fomos consultar a respetiva legislação para ver a sua fórmula de cálculo e não vimos nenhuma alteração legal desde o ano de 2004, pelo que não conseguimos mesmo saber as causa e explicação para tanto..
Basta ir ao respetivo documento do orçamento da Assembleia da República para 2014 e, no capítulo das despesas, tomar atenção à rubrica 01.01.14, está lá para se ver.
Já as despesas totais com remunerações certas e permanentes com a totalidade do pessoal, ou seja, os deputados, assistentes, secretárias e demais assessores, ao serviço da Assembleia da República aumentam 5,4%, somando o total € 44.484,054.
Os partidos políticos também vão receber em 2014 a título de subvenção política e para campanhas eleitorais o montante de € 18.261.459.
Os grupos parlamentares ainda recebem uma subvenção própria de 880.081,00 €, sendo a subvenção só para despesas de telefone e telemóveis a quantia de 200.945,00 €.
É ver e espantar!
Caso tenham dúvidas é só consultarem o D.R., 1.ª Série, n.º 226, de 21/11/2013, relativo ao orçamento de 2014, e o D.R., 1.ª Série, n.º 222, de 16/11/2012, relativamente ao orçamento de 2013.
 
    E não se faz nada? As pessoas de bem, a Igreja e as várias instituições não se levantam a denunciar esta malandragem, e, depois, vêm-nos pedir o voto?
Só por inocência ou estupidez se pode votar nesta gentalha que nos chula e nos goza...''

José Amaral

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

em 'O Livro em Branco' - 18 (continuação - pág. 30)


Carnaval tradição

 faces rasgadas por sulcos profundos
de sofrimento,
de miséria,
da perda de tudo,
para tudo vazias,
estas faces que não são faces,
são máscaras
do carnaval da vida.

 estas faces são o verdadeiro testemunho
da bondade humana
que apregoa a fraternidade,
que promove tantos domingos gordos,
que para estas faces,
de foliões desgraçados,
não passam de magros dias,
compassos de sofrimento,
cruel visão
de lutas sem tréguas,
que povoam todos os ventos,
destes amaldiçoados,
que são forçados animadores,
deste carnaval,
com faces rasgadas
de sulcos profundos,
que não querem mais
que o pão de cada dia,
aos lautos banquetes
em que tantos vivem.

 nota: mais um poema dos tempos da ‘minha’ guerra colonial (1966/1968)

 

José Amaral

 

Do lado errado

Santana-Maia Leonardo
Pacheco Pereira justificou a sua presença na Aula Magna com o facto de Mário Soares, apesar dos seus excessos de linguagem, estar do lado certo e o Governo estar do lado errado.
Que o país está dividido ao meio qualquer analfabeto percebe.
Agora o que Pacheco Pereira tinha a obrigação de perceber é que Governo e Oposição, designadamente, a que se fez representar na Aula Magna, apesar de estarem efectivamente em campos opostos, estão ambos do lado errado. E é esse precisamente o nosso drama.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O ordenado mínimo nacional em Portugal, na Grécia e na Irlanda


Sempre que ouço alguém pedir ou sugerir o abaixamento de salários, mormente os mais baixos, a fim de sermos mais competitivos e sairmos da crise, fico mais fulo que uma fera enjaulada, privada da sua ancestral liberdade natural.

A essas destemperadas criaturas, que a soldo dos poderosos assim proferem o que não deviam, dever-se-lhes-ia cortar a língua para não dizerem mais disparates de desonra e desamor contra outrem.

Agora, analisem-se os OMN na Grécia e na Irlanda, países que também foram intervencionados, os quais são bastante superiores ao nosso (485 € x14:12=565,83 €), em que no primeiro país (683,76 €) é 20,84% maior que o nosso, para na Irlanda (1 461,85 €) ser superior (!!!!) a 258,35%.

E a produção nesses países é superior a Portugal na mesma percentagem ao que ganham a mais, ou, pelo contrário, não seremos muito mais penalizados (o nosso mundo laboral) nos impostos que naqueles países, ou até, o custo de vida na Irlanda é superior ao nosso em mais 260%?

E, depois, são nos custos de produção, nos péssimos gestores que temos e na corrupção a todos os níveis instituída, NÃO nos salários de miséria, que tais fardos pesam no produto final.

São, isso sim, o que onera os nossos custos de produção, a delituosa organização e métodos laborais de Trabalho e o custo da energia.

Portanto, por que será que os portugueses que emigram, até os menos qualificados, conseguem usufruir salários muito acima do que recebiam neste nosso mal gerido e roubado Portugal?

Só para um exemplo de produção, falo-vos de um caso concreto passado numa linha de engarrafamento de um empresa cervejeira nacional, em que um determinado operário estava a controlar uma máquina, que em determinado período de tempo engarrafava dez mil garrafas.

Essa mesma linha de engarrafamento foi modernizada e, no mesmo período de tempo, o mesmíssimo operário retirava da nova máquina o engarrafamento de vinte mil garrafas, isto é, o dobro com o mesmo custo de salário.

Quero com isto dizer, que os meios de produção mais apropriados e modernos condicionam exponencialmente a produção e o lucro, fazendo-nos mais ou menos competitivos se não renovarmos as técnicas de fabrico, e não roubando as empresas com vencimentos megalómanos de topo e divisão de lucros pelos ‘amigos e malfeitores’.

Resumindo, a mão-de-obra no nosso país é tida como o mexilhão, ou a carne pra canhão dos desqualificados e corruptos que estão nas rédeas de todos os poderes.

E mais não escrevo para não ficar ainda mais furibundo.

 

José Amaral

 

 
Fraternidade


Alinho um punhado de palavras
Numa mensagem de esperança-amor
Esperança, também em mim, que bem me faz


E florindo os símbolos encontrados
Corro ao encontro dos homens meus irmãos

Abrimos nossos braços, abrimos nossas mãos
Fechamo-nos num bloco e somos PAZ



       Montijo
       Joaquim Carreira Tapadinhas


Os amigos do polvo

Os amigos do polvo
Jean-Paul Marat (1753-1793), uma figura carismática da Revolução Francesa (1789) que se intitulava “o amigo do povo”, demonstrava essa amizade na defesa dos sans-culottes,  por vezes de forma bastante visível e virulenta, contra as classes  possidentes.  Redactor do jornal “L’Ami du peuple” e membro activo do Clube dos Franciscanos, médico de profissão e, por opção,  advogado dos interesses populares. O período revolucionário obrigou-o  ao exílio por duas vezes e acabou assassinado pela sua amante Charlotte Corday.
 No nosso país, de há uns anos a esta parte, uma plêiade de indivíduos, de forma muito sofisticada, vem tramando uma luta contrária à de Marat, que parafraseamos, para os designar por “Os amigos do polvo”. Como podemos constatar, este “amigo do povo”, talvez até pelo seu objectivo, só o deixaram viver 4 anos com a revolução. “Os amigos do polvo” subsistem por espaços temporais mais alargados, porque têm uma protecção mais eficiente.
Consumada a nossa revolução, passado o período de efervescência que terminou ou foi domado no 25 de Novembro de 1975, instalado o regime democrático através da Constituição de 1976, julgávamos nós, os bem-intencionados, que estávamos no caminho do direito, da justiça, da ética e do respeito pela igualdade de oportunidades entre os cidadãos.
Hoje verificamos que não foi exactamente assim. Enquanto uns contribuíam para construir uma pátria maior, outros, tal como as toupeiras, iam subterraneamente minando os alicerces da nação, paulatinamente organizando esquemas aparentemente legais, mas impregnados do veneno da ratice e da roubalheira, para remeter para seu benefício a maior parte possível da riqueza da nação. Depois de se aperceberem bem como funcionava a república, colocaram os seus aríetes nos lugares de decisão, dando a estes, também, umas alargadas migalhas, para que daí resultasse as maiores benesses para os seus membros, quer individual, quer em grupo. O polvo orientou-se para retirar, em seu proveito, o máximo das finanças e da economia da nação. Essa ganância famélica durou décadas, mas acabou por ser divulgada, quando alguns escândalos rebentaram, ainda que a conta-gotas, sempre travados por uma legislação pouco ágil e polvilhada de alçapões.
Ainda o novelo das diversas operações não foi totalmente desenrolado e mal se pegou nele, por difícil, porque tem uma abrangência muito alargada e, eventualmente, poderosa a diversos níveis, já estão em funcionamento novas formas de manipulação dos serviços públicos, passando, para empresas fornecedoras de serviços, as tarefas que, até há algum tempo, eram desempenhadas por funcionários pertencentes aos quadros da administração. Na educação, na saúde, na segurança e em muitas entidades que coordenam ou dirigem serviços estruturais da administração, para enganar não sei quem, retiram-se verbas na rubrica do pessoal e aumenta-se a da compra de serviços. Damos um exemplo que pode ser alargado, nas devidas especificidades, a outros serviços públicos; nalguns hospitais, médicos, enfermeiros e funcionários de apoio, segurança, e limpeza, têm por entidades patronais empresas contratadas, fazendo deste modo descer a rubrica de encargos com o pessoal. O polvo sabe adaptar-se para continuar na sua senda.

25.11.2013  Joaquim Carreira Tapadinhas – Montijo 

em 'O Livro em Branco' - 17 (continuação - pág. 29)



olho da janela

 olho da janela

aquela terra,

que me rodeia.

 

vejo-a

através da persiana

em gomos intragáveis.

 

sinto vómitos de tudo

nessa terra

prenhe de seres-ideias,

que têm lágrimas de espera.

 

sinto que choram

em noites quentes

seus sonhos

são monstros de gelo,

que povoam suas vidas

em pedaços de tempo.

 

olho-os, sentindo

como eles

vómitos de tristeza

e lágrimas de tanta espera.

 
nota: mais um poema dos ‘tempos’ da guerra colonial.

 

José Amaral

 

Adeus, Alcino Soutinho.


Mais um modificador contemplativo de paisagens nos deixou, deixando obra para que sirva de exemplo aos vindouros.

Alcino Soutinho, nascido em Vila Nova de Gaia, corria o mês de Novembro de 1930, é/foi o pai-artesão do Centro de Treinos do FCP, em Olival/Gaia, bem como do recém inaugurado Museu do Dragão, no Porto.

Este ilustre arquitecto, companheiro de Siza Vieira, como dita o fim dos tempos de ‘quem nasce acaba por morrer’, acabou aos 83 anos de idade de perder a chama de todo e qualquer mortal.

Que no Além lhe seja outorgadas obras para glória de Deus e de todos aqueles que, nesta breve vida, algo fizeram para contemplação de todos.

 

José Amaral

FÁTIMA, FUTEBOL E FADO.


Nascido em pleno consulado de Salazar, ouvi muitos políticos contra a "situação" ridicularizarem o regime de então com o facto de se resumir aos 3 FFFs. Fátima, Futebol e Fado. É curioso analisar a situação actual, 40 anos volvidos. Sobre Fátima basta dizer que o fervor se mantém, quiçá robustecido com as consequências da grave crise financeira, económica e social que o País atravessa. Sobre o Fado, já conheceu melhores dias. Temos jovens valorosos, uma Ana Moura, uma Kátia Guerreiro, um Camané. Mas meu Deus, quando nos lembramos de um Marceneiro, um Carlos Ramos, uma Amália, a Lucília do Carmo, uma Teresa de Noronha, estamos aqui também em crise de valores. Sobre o Futebol, é o que vai valendo. Muitos que tudo criticam, também arrasam com preconceitos sociais os salários obscenos de alguns futebolistas mais famosos. Destes, o "nosso" Cristiano Ronaldo, é um dos mais bem pagos no mundo. Mas o que fazer? Ele está integrado em ligas de futebol milionárias, em Espanha e na Europa. Queriam que todos ganhassem milhões e ele ficava à porta, de mão estendida? Acho que faz muito bem em maximizar os seus proventos, numa "indústria" em que a sua "ferramenta" é de curta duração. E o que seria do nosso orgulho nacional sem Cristiano? Não foi ele que no recente encontro decisivo com a Suécia nos fez ficar por uma vez nos píncaros da fama, e justa apreciação dos países Europeus, das Américas e África, eu diria mesmo de todo o mundo que vibra com o futebol? E algum político, de algum partido, porventura veio agora atacar o governo pelo apoio ao futebol? Apetecia mesmo proclamar, volta Salazar, que estás perdoado, mas cala-te boca, que ainda vais preso...

(Publicada na íntegra no semanário EXPRESSO, como "Carta da Semana", na sua edição de 30/11/13)

Exportar só, não chega(COM OUTRO TITULO NO DN DE ONTEM)


Exportar só, não chega (COM OUTRO TITULO NO DN DE ONTEM)

Havendo cada vez mais necessidade de fazer a nossa Economia crescer, aumentar unicamente a exportação, não é suficiente.

Se em paralelo não fizermos crescer o mercado interno, vamos conseguir continuar - ou não - a aumentar exportações, talvez com um quarto da população activa que hoje temos, dado que a restante não tem como viver “cá dentro”.

Para além de que, a “praga viva” de reformados e pensionistas se continuarem a ser asfixiados até não conseguirem sobreviver, como não podem emigrar vão morrendo à mingua de tudo: comida, medicamentos, assistência Mécia, carinho, numa palavra “vida”. Por não haver economia que a sustente! Este aspecto, só este, pode ser de alívio a muito boa gente, e justificação para não melhorar a economia!

Assim, sem se ter que voltar a (re)incentivar o consumo interno “via betão” – nunca! - , ou seja, construindo mais do que já temos e não sabemos que fazer, e se “isto” pudéssemos exportar, que bons benéficos daria – vender lá fora, o que quase novo fizemos e não é usado. Temos que engrandecer a economia, pela economia, e não só para “lá para fora”! – temos que virar a economia , também, para bens de consumo/utilização por e para nós, que a façam mexer, crescer. Ajudar-nos a todos.

Para isso, será indispensável lembrar, que os que cá estamos, novos, meia-idade e velhos temos direitos e deveres – por vezes estes esquecemos – e vontade de cá continuar, mas com alguma qualidade de vida.

Assim, temos que dar muito mais impulso a tudo o que tradicionalmente já sabemos fazer – sempre apostando na qualidade e para melhor: turismo, calçado, têxteis e vestuário, vinhos, azeites, e mais!

Tudo para ter quota de exportação, mas também para “consumo interno”, nosso.

Temos que saber fazer – todos – uma viragem de 180º em variadíssimos aspectos, por muito que difícil nos possa parecer. Assim, temos que nos saber programar e deixar o “desenrasca” como ideia do passado – aprender com a memória para não repetir -, temos cada vez mais que ter antevisão e fazer, tudo, com princípio, meio e fim.

Temos que ser menos individualistas e saber estar melhor em equipa. Temos que usar a pontualidade como um lema, e atirar” às malvas” o quarto de hora de atraso, “académico”, que depois passou a ser um atraso, em tudo, e de todos! .

Tudo o que prometemos temos que cumprir, custe o que custar e a quem custar.

E, tendo que ter qualidade de vida, não necessitamos de modo algum de ostentar os maiores e melhores automóveis que existem – e nenhum cá fabricado! – nem tudo o que não passe de “estatuto”, que se “tem mas não se é”! O culto da importância! Basta termos tudo com qualidade, à nossa medida, nunca para e por exibição, mas para nos ser útil e de boa utilização. E, a economia funcionará para a exportação, mas também e com força, para consumo interno, que gera mais valor e mais dinheiro, e mais bem-estar, e não tanta necessidade de emigrar e velhos matar!

Augusto Küttner de Magalhães

Novembro de 2013
(COM OUTRO TITULO NO DN DE ONTEM)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

C.S.I. e as mensagens sub-liminares

Às vezes mais vale ser ingénuo de todo para não ficar desconfortável. As séries C.S.I. são por demais conhecidas e "interessantes" para passar um ahora de lazer televisivo, embora se comecem a repetir na descoberta de crimes e toda a actividade de laboratório forense.
Mas hoje, ao ver um episódio do C.S.I. New York, a coisa foi ais longe e fez-me desejar a tal "santa ingenuidade" que já se me foi. Havia um episódio bombista que depois se veio a descobrir ser perpetrado por uma organização ecologista radical que actuava contra aqueles que se designavam por destruidores do planeta, no caso o dono duma fábrica. E lá se cumpria a lei com um fim moral pela boca do detective Marc, em que ficava subentendido a mais valia do "crescimento liberal" sobre "a prosperidade sem crescimento" da economia socio-ecológica. Ou seja, a imagem em filme dos E.U.A. (os "bons") contra as convenções sobre o clima e a poluição (os "maus").
Mensagens sub-liminares...

Fernando Rodrigues

Corvos ou abutres?


Como passou quase em claro e sem destaque uma notícia que denunciava mais uma grave e delituosa acção de lesa pátria, engendrada e congeminada no seio viperino do covil BPN e agora indulgenciada pelos responsáveis governativos de agora, passo a citar por palavras minhas o acontecido e muito pouco relatado episódio:

Um conhecido dirigente, que se arroga de ser o mais impoluto de todos e de tudo, ter-se-á locupletado a um empréstimo de 17 milhões de euros que não saldou, nem virá a pagar.

Vejam só como se perdoa uma enorme dívida a quem a deveria pagar até ao último cêntimo, e a milhões de concidadãos se obriga a pagar tantos alheios desvarios com língua de palmo, mesmo que não tenham contribuído para nenhum desses criminosos regabofes.

Este episódio faz-me lembrar mais dois por associação díspar de ideias e atitudes.

O primeiro, refere-se àquela ex-ministra que recebeu de um clube lisboeta milhares de acções sem qualquer cotação na Bolsa de Valores para caucionarem uma enorme dívida ao Erário Público, enquanto no Porto, os mesmos representantes da Lei, hipotecaram a SANITA do já desaparecido Estádio das Antas por uma bagatela.

Daqui se infere que as aves do padroeiro de Lisboa já não são corvos, são abutres!

 

José Amaral

domingo, 24 de novembro de 2013

O orgulho de ser da APRe!

Ontem passei o dia em Coimbra. Várias horas sentado, na Assebleia Geral da APRe! Discutimos, "pegamo-nos" e tomamos decisões. Ainda de manhã veio a boa notícia: o Presidente da República enviou o texto da (dita...) convergência para fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional. Finalmente o homem dá uma para a caixa"! e senti que vale a pena lutar! E a APRe! tem sido uma lutadora. E volteia constatá-lo hoje quando, nas páginas 8 e 9 do PÚBLICO, o jornal escolheu uma fotografia alguns de nós com a frase já emblemática -NÃO SOMOS DESCARTÁVEIS-. nas camisolas, a ilustrar um texto importante sobre as decisões do Tribunal Constitucional.
Tenho orgulho em ser um "activo, activo" da APRe!

Fernando Rodrigues

sábado, 23 de novembro de 2013

pergunto:


Num país democrático em que cada cidadão tem a liberdade de dizer e de fazer o que lhe ‘dá na real gana’, enquanto outros roubam ‘à fartazana’, e outros ainda (no meio deste nosso instalado turbilhão anti-social e de completo desregramento vivencial, tanto no público como no privado), fazem o que podem sem saber ao certo se actuam na legalidade ou fora dela, ou pior ainda, se na ilegalidade se julgam mais legais do que aqueles que tudo cumprem sem qualquer sinal de revolta.

E, nesse sentido, debruço-me apenas sobre a manifestação de milhares de elementos das forças de segurança pública em frente do Edifício da AR, que culminou com a invasão pacífica (permitida) da escadaria defronte do referido Edifício do Povo, após terem ultrapassado e derrubado as barreiras de protecção ali colocadas.

Plenamente ciente de todas as razões que lhes assistiu em se terem manifestado, apenas faço a seguinte pergunta: quando outros sectores laborais e sindicais se manifestarem, as (mesmas) forças policiais de segurança pública receberão tão pacificamente tais manifestantes, como agora aconteceu entre invasores e invadidos?

 

José Amaral

 

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, UM EMBUSTE!


Na edição de 19/11/13 do "Público", vem uma pequeníssima local, que denuncia um enorme embuste sobre a violência doméstica. Se eu fosse editor do jornal, teria escolhido a primeira página, já verão porquê. A violência doméstica é um dos muitos crimes perfeitamente tipificado no Código Penal. Nem precisaria de o ser, para ser condenada de forma clara e inequívoca. O problema é que todos, repito, todos, os artigos, comentários e notícias sobre violência doméstica referem e denunciam homens como os criminosos. E quando há reportagens, aparece sempre uma imagem de um homem a bater numa mulher. Esta desprotegida e frágil, e o homem quase sempre descomunal e munido de um cinto. Jamais, em tempo algum, se viu uma denúncia da violência de mulheres sobre homens. No entanto o simples senso comum levaria a desconfiar de tal situação. Em todas as actividades humanas, designadamente desportivas, existem mulheres melhor preparadas e mais fortes que muitos homens. Então se elas não batem nos homens, segundo as notícias e os "media", só pode ser porque a mulher é intrinsecamente boazinha e o homem, de uma maneira geral é mau, quezilento, criminoso por natureza e gosta de bater nos mais fracos. Ora esta notícia desmascara de vez este verdadeiro embuste, que o "politicamente correcto" tem vindo a criar nas mentes dos portugueses. Transcrevo, "Das mais de 26 mil vítimas de violência doméstica que pediram ajuda no ano passado, cerca de 15,5% são homens, números oficiais" Noutro inquérito, refere o mesmo artigo, conduzido por uma investigadora da Universidade do Minho, concluiu-se que "70% dos homens inquiridos afirmam ter sido vítimas de um comportamento abusivo nos últimos 12 meses. Mas quando são questionados se se sentem vítimas de violência doméstica, o número cai para 9%". Cá está, os homens são agredidos, como também as mulheres são. Mas com o velho complexo do "macho latino", não querem aparecer a denunciar que são vítimas. Seria bom que próximas reportagens e imagens destes crimes, aparecessem de vez em quando mulheres com o cinto na mão. Os homens podem às vezes parecer parvos, mas é só aparência...

(PUBLICADO NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO DO SEMANÁRIO "SOL" DE 22/11/13)

Faz favor e Obrigado. Já era!


Faz favor e Obrigado. Já era!

Não podemos, não queremos, nem devemos voltar a tempos de disciplinas excessivamente rígidas em que uns tudo mandam e outros tudo obedecem, sem justificações, só porque tem que ser, é assim, ponto.

Porém, não nos vai ser possível por muito mais tempo continuar a viver nesta selva em que estamos “confortavelmente” instalados.

Vale tudo, chegaremos, a assim continuar, até a valer arrancar olhos, quando a intenção for de facto “claramente” cegar o nosso igual.

O pedir por favor, o segurar uma porta para o que vem atrás passar e não levar com ela – porta – na cara, era o que mais faltava ter que hoje se fazer.

Dizer simplesmente obrigado, quando alguém se comporta civilizadamente connosco, quando nos tratam com cordialidade, quando nos são simpáticos – correctos! – era o que mais faltava.

Já era, já não se usa, é uma banalidade, o faz favor e o obrigado. Para quê?

Os outros animais, aqueles que pensam bem menos que nós, não o fazem e safam-se, para que haveríamos nós, humanos, de ter que o fazer?

Talvez a baixar assim, cada vez mais o nível, os animais de estimação que muitos têm, se venham a conseguir portar bem melhor que os seus donos, e seremos pelos ditos animais ensinados a dizer uma vez mais, faz favor e obrigado. Esperemos que não, tarde de mais!

Augusto Küttner

Estamos a nivelar tudo por baixo


Estamos a nivelar tudo por baixo

Este nosso País entrou num tempo de total desnorte e consequente declínio institucional. Em todos os aspectos.

Já não só nos salários e reformas, que levam pancadas permanentes de encolhimento, até se acabarem.

Já não só nos empregados que levam encolhimentos constantes para ficarem desempregados. Ou empregados sem o ser!

Já não só nos políticos que dão pancadas, todos, todos, na política, por não saberem o que “isso” é. Até a acabarem de vez! Com a política, não com os próprios!

Entramos no abaixamento da educação que já não só instrução, esta também em baixa, e sem critérios. E o civismo e comportamentos em sociedade baixam-se a cada momento que passa.

Estamos no vale tudo, e quanto mais andamos mais exemplos de incumpridores que deveriam ser exemplares, encontramos. São-nos expostos. E ficam sempre bem e a ganhar. Quanto pior, melhor.

E, até a condução automóvel parece ser feita por animais não pensantes, que quando postos ao volante entram de facto na lei da selva. Vale tudo.

Aqui, nunca fazer pisca em mudança de direccção – se eu sei que vou por ali, mais ninguém tem que saber - circular sempre pela esquerda, não ligar aos peões – esses chatos - nas passadeiras, não respeitar sinais stop, não respeitar o semáforo vermelho, estacionar em cima de passadeiras. Vale tudo desde que nós estejamos bem, os outros que se lixem. Mas há demasiados outros a fazer o mesmo, e a selva generaliza-se!

Quanto aos restantes comportamentos supostamente em sociedade, predomina a mesma selvajaria. Em locais públicos quem falar mais alto e mais outros incomodar, melhor. Já se fuma publicamente em locais proibidos com total desprezo não só pelo não fumador, como pelo aviso de não fumar.

Atende-se telemóvel em local público aos berros, todos ouvimos tudo o que não estamos a querer ter que ouvir, mas é assim.

Chega-se – mas isto já tem décadas! – sempre atrasado a tudo, os outros que esperem!

Tenta-se desprezar o espaço mais insignificante do nosso semelhante, desde que o nosso - espaço- esteja a nosso feitio. E sempre só os outros fazem mal, nós somos sempre, e sempre seremos exemplares. Mais que não seja tratamos do nosso espaço, só para nós!

Quando nos portarmos ainda mais como autênticos animais irracionais – não está distante - , estaremos ainda mais aptos e formatados a viver na selva que estamos a construir dia a dia, e será bem mais difícil recuperar o país , não só na economia e nas finanças, mas também para uma vivência civilizada entre Pessoas. Mas, é o caminho que estamos “tão bem “ a traçar e seguir! Selvagemente!

Augusto Küttner

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

mais um poema a 'talhe de foice'



A política é uma missão

Assim se deve encarar,

Nunca uma profissão

E muito menos roubar.

 

Se o político enriquece

E o povo empobrece

As políticas que tece

São más e tudo fenece.

 

Tudo anda a esmo

Ninguém tem razão

O pior disso mesmo

A muitos já falta o pão.

 

Não se usa o coração

Para dirimir contendas

Mata-se o próprio irmão

Ao criminoso dá-se prendas.

 

E nos poleiros estão

Gentalha sem merecimento

É autêntica negação

Do nosso padecimento.

 

Vamos todos alavancar

Tudo que está derrubado

Aos ventos vamos gritar

Qu’este governo está errado.

 

 

José Amaral

 

 

 

A PROPÓSITO DUM NOVO PARTIDO DE ESQUERDA

A propósito da iniciativa do eurodeputado Rui Tavares de constituição dum novo partido, constatar que alguns intelectuais, normalmente conotados como de esquerda, parece só identificarem-se com determinado partido, quando ele assimila as suas ideias e conceitos. Em qualquer organização democrática, as decisões podem não ser unânimes, prevalecendo a vontade da maioria, que deverá ser acatada, mesmo por quem defendeu opções diferentes. Esta é a forma de potenciar capacidades individuais inseridas num colectivo, diluindo eventuais desaconselháveis protagonismos solitários. Não fará sentido invocar um novo espaço político à esquerda, quando temos: PS, que quer um capitalismo sem ser selvagem; BE, que pretende converter o capitalismo aos bons costumes; PCP, que entende que o capitalismo não é futuro para a humanidade; e Verdes, que defendem que o capitalismo não é solução para problemas climáticos e ecológicos. Há ainda outras formações partidárias, sem representação parlamentar e identificadas como de esquerda. Pode não ser fácil, o caminho para Rui Tavares manter-se como eurodeputado, após as eleições europeias de 2014.