terça-feira, 30 de abril de 2019

"Frases batidas"


- Frase nº 1:- "sabe-se como começa mas não se sabe como acaba". "Frase nº 2:- "prognósticos só no fim"! Frase nº3:- "os inteligentes acertam tudo após saberem o resultado dos factos". - frase nº?:- "blá, blá, bla" - A Venezuela está no estado um pouco abaixo de ferro e fogo. No entanto já se nota nos rostos dos guaidós trapaceiros, o desejo de que estes homicidas, se responderem ao apelo do "taliban" que os chama a saírem à rua para um hipotético derrube do legítimo governo de Nicolás Maduro, acabem cobaias de um ambicioso pelo poder não olhando a meios. Sem medirem as consequências da possível tragédia, os apoiantes da pimenta no sítio alheio, já escreveram a declaração de felicitações, deixando apenas para o fim, o nome a quem endereçar os parabéns, de acordo com quem sairá vencedor desta pequena rebelião em Caracas, uma vez que a esta hora ainda nada caiu para qualquer dos lados. Assim se for Guaidó, o que esperam ele se venha a dar vitorioso, juntam-se aos vivas, fixam no texto o seu nome, e a redacção está feita. Caso Maduro se aguente e prossiga no poder, os troca-tintas substituem o nome pelo de Nicolás entusiasticamente e as relações amadurecem no tom aconselhado. Assim o desfecho do que se irá passar na Venezuela, determinará o texto dos governos pró ou contra o governo em crise que ainda é quem tem legitimidade de se impor aos "ocupantes e golpistas", que atentam no dia a dia para instalarem no país uma confrontação sem solução, e que porá o seu povo de novo ajoelhado aos pés dos mandantes do mundo, e principalmente do continente americano, de sul a norte, com o Ocidente a bater palmas, feliz e contente. Frase nº 4:- "rirá melhor quem ri no fim"!

in DESTAK de 30/4/2019

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Numa gentileza da direção da Revista NORTADA do SBN, em me publicar:

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Ditos populares e outros

Ao menino e ao "borracho" pôe-lhes Deus a mão por baixo.

Quanto mais se "explica", mais se espalha.

Branco é, galinha o pôs ou " o que é que já o é antes de o ser?" ( "lapalissadas")

Quantidade não é qualidade.

Se "não sabes" porque é que "perguntas"?

           "And so on"

Fernando Cardoso Rodrigues

Enhorabuena, señor Pedro Sánchez...



Foi lindo ver Pablo Casado mais para baixo que traque; olhar encovado, sorriso falso, de plástico, e o insulto permanente na ponta da língua contra o principal adversário, a forma completamente descabelada como atacou, antes e durante a campanha eleitoral, já não tem cabimento numa sociedade esclarecida, porque os que gostam daquele estilo já tinham os ultramontanos de Vox, como avisadamente alguns veteranos do partido lhe lembravam, com excepção de Aznar que, ainda na véspera das eleiçoes, propalava que “los otros candidatos son poca cosa”, ficando como uma das caras da derrota, o pior resultado desde 1982, tendo perdido 71 lugares.

Na verdade, os 24 lugares ganhos por Vox não explicam o “batacazo”, não faz sentido dizerem “Vox nos ha roto”, até porque, apesar dos 2.6 milhões de votos conseguidos, ficam muito aquém do que era previsto, depois daquilo em Andaluzia, que Casado sonhava repetir no país; quando lhe perguntavam por essa possibilidade respondia que “lo que tenemos que hacer es sumar, para echar a Sánchez de la Moncloa”.

Outro vencedor claro destas eleições foi José Félix Tezanos, responsável pelas sondagens oficiais do CIS, que desde a primeira hora davam a vitória ao PSOE e o PP a perder por muitos, o que levava Casado a dizer que “las encuestas de CIS tienen la misma credibilidad de un horóscopo; vamos a salir gañando y dimitir a Tezanos”.

Diz quem sabe destas coisas que não é normal nem há lugar para três partidos de direita em Espanha, pelo que o PP, com o crescimento do Ciudadanos, não terá um futuro risonho, a menos que apareça um líder fora do comum, que Casado está longe de ser, pois não passa de um sujeito vulgaríssimo.


Amândio G. Martins



segunda-feira, 29 de abril de 2019

45 Anos de Abril



“Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo” Sophia de Mello Breyner Andrese.
Esta madrugada continua a ser o inicio “das portas que Abril abriu” e que não deixaremos jamais fecharem-se.

A surpresa desta madrugada é hoje o suporte das nossas vidas, é hoje ainda a esperança que havemos de ser um povo que continuaremos na história do Mundo como um exemplo a seguir. Já alcançamos tudo? Não,  mas não desistiremos de saltar de patamar em patamar. Os Capitães deram-nos a Liberdade de falar, denunciar e não desistirmos até conseguirmos.
Temos a rua e instituição oficiais para lá estarmos presentes e temos o voto. O voto foi uma das principais conquistas que muitos distraídos se esquecem de utilizar para formar forças que lutam pelo povo e com o povo.
Lembram-se dos passes que ainda nem há um mês nos está a beneficiar? Foi a força de alguns eleitos que ajudados por quem está bem acordo começou a dar a volta a isto. Agora teremos de continuar a dar apoio a esses para que se alargue a todo o País de acordo com as características de cada região. 
Temos de continuar a lutar por melhores escolas e reconhecimento do trabalho dos professores. Temos também de não desistir de termos um serviço de saúde oficial ao serviço de todos e desmascararmos as “subtilezas” de desejarem privatizar com argumentos “populares” que os bons clínicos estão nos seguros complementares, nos hospitais com novos equipamentos… e porque é que os vários governos não equipam os hospitais com serviços e equipamentos adequados? Alguém deve andar a ganhar por baixo da mesa?
Porque continua a ser esquecido o nosso interior? Portugal tem meios para produzir mais e até melhor do que as importações mas continua a tardar o mínimo de atenção dos sucessíveis governos para que o interior seja uma aposta de sedução de gente que quer mesmo apostar num Pais que valorize as gentes que trabalham a terra apadrinhando por exemplo uma rede interna de nos trazer até ao litoral a produção dos nossos agricultores. E o mar? Tarda que os governos oiçam as politicas concertadas de tanta gente que sabe deste assunto e rapidamente o mar seja incorporado numa fonte de riqueza para todos nós.
            O dia 25 de Abril deve ser passado na rua a acompanhar as manifestações que em tantas cidades nos enchem a alma de esperança. É o dia que, mesmo com esforço porque a idade já nos vai pesando, vamos encontrar amigos e recordar o que lutámos nestes quarenta e cinco anos e prometer que vamos continuar, que não pudemos parar porque continuamos a desejar a Paz e o Pão para todos os Portugueses.

Maria Clotilde Moreira

Jornal Costa do Sol - 24.04.2019

Medicina Baseada na Evidência: discordâncias

Nâo necessariamente da dita Medicina mas de algumas afirmações que o seu director, António Vaz Carneiro, exprimiu na entrevista que deu ao PÚBLICO de 9/4, sob o título "Não faz sentido check-ups anuais". Logo esta frase é demasiado definitiva para o que tenho a dizer. Percebendo claramente aquilo que Sobrinho Simões nos vem dizendo sobre o exagero de tratamento de cancro incipientemente "in situ", cuja evolução não se sabe qual será, por razões científicas e até ( porque não dizê-lo?) económicas, não posso concordarque Vaz Carneiro seja tão generalizante na sua asserção. Muito menos que se sirva do exemplo do PSA para ajuda do diagnóstico do cancro da próstata. Bem sabemos que uma positividade não é sinónimo de cancro do dito orgão, mas a determinação anual (?) a partir de certa idade pode dar indicação da possibilidade, por alteração do valor anterior, e assim iniciar outros exames complementares que indicarão uma terapêutica ou somente vigilância clínica. E é somente uma colheita de sangue e... barata. Porquê prescindir disto quando, diagnosticado a tempo, este cancro é curável? Faz-me "impressão" esta contenção exagerada na clínica, quase que por contraposição "teimosa" ao avanço galopante da investigação que nos oferece possibilidades! "Bom senso" ( embora não saiba muito bem o que isso é...) sim, radicalismo por oposição, não! O importante ficou aqui dito mas não posso deixar de estranhar que, em mais dois pontos, o Prof. Vaz Carneiro, tenha dado exemplos "precipitados". Então a proscrição do leite de vaca é um "mito"(sic) pois só se justifica na intolerância à lactose?! E a alergia às proteínas do mesmo, não existe? E com isto não estou a dizer que esse leite não é um bom alimento na generalidade dos casos. E quanto à percentagem de 60% de cancros aleatórios? Ficariam 40% para os hereditários? Curioso que, no "Ptós e Contras" ouvi que estes últimos eram de 5 a 10%. É certo que este derradeiro valor lhe dará mais razão ao seu argumento em título, mas o problema aqui é de informação rigorosa.

Fernando Cardoso Rodrgues

NOTA: Este texto foi enviado ao "Cartas ao Director" do PÚBLICO em 14/4. 

In CM de 29/4/2019

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In PÚBLICO de 29/4/2019

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In DESTAK de 29/4/2019

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COM JESUS, NO PARAÍSO

Aqui chegados, eis o reino, eis a liberdade, eis a mulher. Estamos mesmo a atingir a síntese, quer em termos filosóficos, quer em termos poéticos, quer em termos revolucionários. Estamos às portas do Céu, do Paraíso. Todos os nossos desejos se vão concretizar. Não temos dúvidas. Escrevemos na linha de Nietzsche, de Walt Whitman, de Henry Miller. E não são os capitalistas, nem os fariseus, nem os fascistas, que nos demovem. Expulsamos os vendilhões como Jesus. Partimos vidros. Ocupamos hipermercados. Derrubamos estátuas. Já fomos detidos. Já fomos a tribunal, à Judiciária. Permanecemos aqui, vivos e inteiros. Com alguns problemas de saúde, é certo. Mas aguentamos. Escrevemos o poema maldito. Gritamos nas Sereias. Estamos mesmo às portas do Paraíso. Acompanhai-me, irmãs, irmãos. Os tempos estão a mudar, como cantava Bob Dylan. Não há qualquer ditadura do proletariado. Só a liberdade pura, absoluta. Só as aves livres. Dionisos em palco. Morrison. Plant. Curtis. E chega o simpático sr. Teixeira. Palavra de honra. Nunca me senti tão livre, tão solto. Tão capaz de tudo, da poesia, da rebelião, da revolução. Jesus dá-me a mão. O Che e Bakunine também. Nunca as coisas foram tão claras, sem aparelhos, sem big brothers, sem capitalistas, sem políticos, sem burocratas, sem mercadores, sem polícias, sem exércitos, sem TV. Nunca estive tão perto de Jesus. Nunca fui tão Jesus. Nunca fui tão feliz,

Que “máquina” reprodutora!...


Parideiras assim davam cá imenso jeito; de facto, a legenda da foto publicada no JN diz que Mariam Nabatanzi, uma mulher de 39 anos, natural do Uganda, é considerada a mulher mais fértil do mundo. Em vinte e sete anos teve 38 filhos, o primeiro quando tinha apenas12 anos, pouco depois de casar.

Agora vive “sozinha”, embora rodeada de filhos, depois de ter sido abandonada pelo marido; Mariam nunca acatou os conselhos médicos para tomar contraceptivos. Agora, são 39 pessoas a viver em quatro casas apertadas feitas de cimento, 50 quilómetros a norte de Kampala; que, em tais condições, tenha sobrevivido tanta gente, parece mesmo milagre...


Amândio G. Martins

domingo, 28 de abril de 2019

Não há nenhuma"vacina contra a pneumonia"!

Foi com espanto que li, na primeira página, assinada por Ana Maia,do PÚBLICO de 24/4, o seguinte título: Vacina contra a pneumonia aos 65 anos em estudo, para baixar a mortalidade. Digo-o desde já: Não há  nenhuma vacina contra a pneumonia! O que há são vacinas para prevenir determinados tipos de pneumonia ( e outras doenças) Uma delas é a pneumonia pneumocócica, a que a jornalista, por certo, tentou referir-se.
Poder-se-á pensar que estou a ser "tinhoso" com este "preciosismo", mas o rigor de linguagem impõe-se pois esta pode causar dano social ao criar expectativas altas que, havendo esse rigor, deixarão de existir se se souber que a prevenção é confinada àquela pneumonia provocada por aquele micróbio e não à mesma doença de orgão mas de etiologia diversa.
O que me entristece é isto já se ter passado, há anos, com a "vacina contra a meningite". Só que, nessa altura, havia a página do "Provedor do Leitor" e José Queirós deu acolhimento ao meu protesto e publicou um texto sob o título: "Aquilo que os jornalistas não sabem". Pensei que aquilo serviria como "vacina" para erros destes neste jornal, mas não, infelizmente. O erro manteve-se e o que foi "borda fora" foi a figura do Provedor, que não era doença nenhuma mas antes um resguardo/correcção para aquele.

Fernando Cardoso Rodrigues

NOTA: Este texto foi enviado ao "Cartas ao Director" do PÚBLICO no  dia de saída com a notícia em apreço.

ANARQUISMO E MARXISMO

O que distingue os marxistas dos anarquistas é que aqueles prevêem um período de transição, a ditadura do proletariado, onde para se alcançar a abolição do Estado e a sociedade sem classes, é necessário utilizar provisoriamente os instrumentos, os meios e os processos do Estado contra os exploradores burgueses. Os anarquistas, pelo contrário, defendem a abolição imediata do Estado. Qualquer poder, mesmo operário, tende a tornar-se autoritário. Tende a favorecer a extensão das polícias, dos burocratas, a repressão das liberdades e a invasão progressiva da sociedade económica. "O Estado é a negação da própria humanidade. Não houve e não pode haver um Estado bom, justo ou virtuoso. Todos os Estados são maus no sentido em que, pela sua natureza, na sua base, por todas as condições e pelo fim supremo da sua existência, são todos a oposição da liberdade, da moral e da justiça humana". Assim fala Bakunine. Quanto à ditadura do proletariado, ela não é mais do que a ditadura de um partido. Pretendemos, assim, chegar à sociedade sem classes, sem Estado e sem dinheiro, através da revolução social, da acção espontânea e contínua das massas, dos grupos e das associações populares.

O MAL SÓ PODE SER VENCIDO PELO AMOR

"São os sãos, os mais bem adaptados, que conseguem apontar os mísseis sem enjoos e sem náuseas e carregar nos botões que darão início ao grande festival de destruição que eles, os sãos, prepararam." (Thomas Merton)
São, de facto, os mais bem adaptados, os que se safam na sociedade mercantil que, muitas vezes, são capazes das maiores atrocidades.
É na alma e na mente solitária do indivíduo que se trava a batalha entre o Bem e o Mal. É claro que essa inclinação para o Bem deve ser ensinada e reforçada, desde muito cedo, na família e nas escolas. O Mal só pode ser derrotado pelo Amor.

O CAOS E O NOVO MUNDO

Há uns meses atrás meia Braga me reconhecia na rua. Agora parece que me ignoram. Vá-se lá saber porquê. No Porto, a partir de certas horas, em certos espaços nocturnos, também sou uma estrela. Bom, agora sou o revolucionário maldito. O poeta da ressurreição. Venho celebrar a Revolução de Abril. Otelo. Salgueiro Maia. Zeca Afonso. Álvaro Cunhal. E estes gajos a pastar. Sempre a pastar como as vacas. De facto, hoje justifica-se algum sacrifício em homenagem aos capitães de Abril. Esperando G. na cidade natal. O mundo em fogo. Trump. Bolsonaro. Putin. O PC Chinês. As guerras. Os terrorismos. A poluição. As alterações climáticas. Aqueles que se erguem pela salvação do Homem e do Mundo. A revolta dos coletes amarelos e a dos povos indígenas no Brasil. O anarquismo. O socialismo. A esperança. A luta global. As portas que Abril abriu. A revolução. O Novo Mundo que aí vem.

Começam em grande...


Que podemos encontrar falsários onde menos esperamos já todos sabemos, que essa corja usa os mais variados disfarces também não é segredo, daí que não seja de estranhar o que diz o TC acerca do “Basta”, ou “Chega”, ou lá que porcaria isso é; de facto, aquela gente que quis legalizar a sua “mixórdia de temáticas” com os nomes acima, foi agora citada por contrafacção de documentos e assinaturas no processo de legalização que apresentou naquele Tribunal.

Diz a notícia do JN que, do volume de assinaturas apresentado, em 1813 foram detectadas irregularidades onde até crianças e mortos figuram; para quem funda um novo partido político porque já  “basta” ou “chega” do que existe, começar assim é sintomático.

Na maior parte dos casos, diz o TC, os números do cartão de cidadão não coincidem com o nome do subscritor, tendo sido detectados uma criança com oito anos e um homem que, se fosse vivo, teria 114 anos; o MP vai investigar, esperando-se que tais falsários, que não querem outra coisa que não seja viver à custa do povo, sejam publicamente desmascarados...


Amândio G. Martins

sábado, 27 de abril de 2019

À atenção do Presidente Marcelo

Ana Gomes, foi pessoalmente dar o seu apoio ao Rui Pinto, que se encontra detido como arguido, por ter descoberto a "careca" duma "chusma" de patifes.
Sandra Felgueiras, com uma reportagem no "Sexta às Nove", conseguiu que fosse revertida a sentença que havia ilibado um agressor num episódio de violência doméstica, perpretado contra uma cidadã chilena, que vivia no Porto.

Isto é "gente que sabe estar". Não apenas por estes casos, claro. O historial de apego à luta pela justiça, destas duas extraordinárias senhoras, merece o reconhecimento público.
Vem aí o 10 de Junho, e as condecorações...

José Valdigem

Com os bárbaros à porta...


A campanha eleitoral em Espanha termina hoje, 26.04, e acho que vou ter saudades das tiradas de alguns intervenientes; a última, com algum veneno, ouvi-a à vedeta que o PP foi recrutar a Barcelona, chamada Cayetana Álvarez de Toledo, jornalista e marquesa de não sei quê; loira, magra e de língua afiada contra tudo que seja esquerda, a sua terminologia não difere da de VOX, a tal ponto que, quando lhe perguntaram se achava Sánchez mais perigoso para Espanha do que Abascal, nem hesitou um segundo: “Por supuesto”!

Quando perguntaram à moça o que pensava da fuga de Ángel Garrido que, após a destituição de Cristina Cifuentes da Comunidade de Madrid a substituíu, sendo de crer que tivesse ambição de continuar naquele cargo, se Casado o não tivesse posto fora da corrida, passou ressabiado para Ciudadanos, a dois dias das eleições - decisão que espantou os carreiristas, já que trocou o 4º lugar, de eleição garantida,  na lista para o Parlamento Europeu, pelo 13.º na lista de Cs para Madrid -  Cayetana respondeu assim: “Bueno, Churchill también cambió de partido, lo que pasa es que no todo el mundo es Churchill”...

Num dos últimos comícios de “Unidos Podemos”, cujo slogan é “La história la escribes tú”, um provocador da ultra-direita gritou “Viva España, a que Iglésias não deixou sem resposta:”Viva España, sí, por supuesto, España de los trabajadores, de los pensionistas, de los que no tienen salud ni vivienda digna; no España de los banqueros y políticos corruptos; ningún patriotero de charanga y pandereta nos va a dar lecciones”...

Num debate em Barcelona entre os catalães Inés Arrimadas, de Cs, e Gabriel Rufián, da Esquerda Republicana, perante a linguagem “desencabrestada” de Arrimadas, Rufián, sempre muito calmo, recomendou-lhe moderação, ao que a rapariga lhe respondeu: “Soy mucho mas moderada que tú desde que naci, chaval”...

Um sujeito de VOX, curiosamente chamado Victor Gonzalez Coello de Portugal, realçou a intenção do partido de acabar com jornais e televisões livres, que acusam de distorcer a sua mensagem e só publicarem mentiras para os prejudicar, dizendo esta coisa edificante: Hasta las verdades que publiquen las vamos a poner en cuestión”!

Bom, as eleições são já a seguir, no domingo; já não falta muito para se saber se os bárbaros, que chegaram às portas da cidade, vão mesmo entrar em força e tomar assento ou serão remetidos para as catacumbas franquistas de onde saíram...


Amândio G. Martins

sexta-feira, 26 de abril de 2019


Vade retro tal santidade...


Uma senhora comprou um bilhete de lotaria instantânea, vulgo raspadinha, e meteu-a numa bolsa onde, em conjunto com outros objectos, acabou ligeiramente danificado, embora nada que impedisse uma leitura comprovativa de que tinha direito a um prémio de dez mil euros.

Todavia, as entidades que, na dita “Santa Casa”, têm a função de verificar a validade dos bilhetes apresentados a cobrança, escudando-se no “regulamento”que diz que não serão pagos os bilhetes que se apresentem danificados, recusaram-se a validar o prémio que aquela senhora ganhou mesmo.

Mostra ao JN a lesada que o defeito provocado, apenas num canto, não impede nenhuma leitura, nem o “código de barras”, ficando claro que não tem qualquer cabimento a prepotente decisão de não pagarem, para o que deveria haver uma autoridade acessível em tempo útil que dirimisse este tipo de abusos, não deixando que aquela organização decidisse em causa própria, sem o mínimo respeito por quem nela confia...


Amândio G. Martins

quinta-feira, 25 de abril de 2019

No 25 de Abril, eu estava…


… em Bissau, embrenhado numa estrutura organizacional tão poderosa que, a par de outras mais funestas, era o infalível suporte, há décadas, de um regime que concitava o ódio calado (à força) de uma grande parte da população.
Soube do que se passava em Lisboa ainda de manhã. Testemunha fortuita de um telefonema entre dois chefes militares, oficiais superiores com altas funções no Exército, mal pude, escapuli-me do gabinete do Chefe, e, desabridamente, levei a boa nova aos colegas do Serviço. Não faltou quem, quase instantaneamente, fosse desencantar os meios de escutarmos o Mundo, sem filtros, via rádios estrangeiras. As dúvidas e a incredulidade iniciais cedo se esbateram e começou a tomar forma a ideia de que “sim, desta vez é que é”.
Já nem sei exactamente como decorreu o resto do dia, que a vertigem apoderou-se de quase todos nós. Lembro-me bem, contudo, do ambiente reinante durante a noite, depois do jantar, nas quase luxuosas instalações do que, pomposamente, se chamava o clube de oficiais. Era ver, entre os milicianos, mais jovens e irreverentes, sorrisos de orelha a orelha, propícios a, num tom de voz normal, sem medos de ouvidos indiscretos, emitirem os seus comentários sobre os acontecimentos que, à distância, em Lisboa, se sucediam. Curiosamente, e essa é, talvez, a imagem mais marcante que me ficou, era observar os pequenos ajuntamentos dos oficiais superiores, acantonados, cochichando entre si e lançando em volta olhares furtivos, às vezes com sinais de preocupação estampados no rosto. Tinha-se virado o feitiço contra o feiticeiro?
Não se sabia o que aí vinha, mas, caramba, sabia-se o que tinha acabado! E isso era suficiente para uma enorme alegria incontida.




“Recordações de Abril”


Transcrevo com gosto as sextilhas que seguem, de autoria de D. Fátima Carneiro, mulher do capitão de Abril Castro Carneiro, publicadas hoje no JN.


Recordo o dia 25 de Abril
e a alma desse dia Primaveril.
Recordo ainda hoje o que senti.
Recordo as emoções entrelaçadas,
o medo e a esperança de mãos dadas.
Estive lá. Chorei e ri. E eu vivi.

Recordo ainda todos os momentos,
com o sol a aquecer os sentimentos.
Os rostos de um povo a sorrir.
Recordo os militares corajosos,
os capitães fortes e valorosos,
recordo as espingardas a florir.

Recordo a gente a saír de suas casas,
com o olhar a brilhar e a ganhar asas
e a voar nesse dia sobre a História.
Recordo o sonho a ser realidade,
de poder abraçar a liberdade.
Recordo a alegria da Vitória.

Recordo o povo com os militares
e a força do querer nos seus olhares.
Recordo a força daquela união.
Recordo as portas das prisões a abrir.
Os presos políticos a saír
com lágrimas e sorrios de emoção.

Recordo o silêncio das espingardas,
e o verde-esperança daquelas fardas.
Recordo as senhas da Revolução.
Recordo olhares sem sono e sem medo,
nessa madrugada que acordou mais cedo.
Recordo o cravo que eu tinha na mão.

Recordo estes anos já passados,
alguns sentimentos alterados
e as desilusões que já surgiram.
Recordo os militares da Revolução
que tenho dentro do meu coração.
Recordo os capitães que já partiram.

Recordo já quarenta e cinco anos,
salpicados de ilusões e desenganos.
Recordo o Abril que ainda está presente.
Recordo a frase que ainda faz sentido
“O povo unido jamais será vencido”.
Portugal caminhará sempre em frente.


Amândio G. Martins


Celebrações de um falhanço!

- Hoje Dia das grandes frustrações,
  tentemos novas canções.
  Agora que vivemos o depois do adeus,
  que vida daremos aos filhos teus e meus?
                       - Hoje há folclore e celebrações, 
                         discursos até inebriar pagode.
                         Do Palácio, residência de ilusões,
                         ilustra-se a esperança, mas ninguém acode;
- A verborreia reina, a demagogia avança,
  assim se faz tristeza e saudade;
  "Todo o mundo é feito de mudança",
   com gente de pouca e de avançada idade;
                         - Povo que lavas as mágoas,
                           num caudal de oportunistas,
                           não deixes mais correr as águas,
                           que te libertam os olhos, e abrem as vistas!*


-*(o autor, ex oficial milº, há 45 anos intervinha desde o quartel de Évora)

25/Abril/1974: "Bom dia doutores!"

Cidade de Tete, norte de Moçambique. Terraço da "messe" de oficiais. Cinco  médicos militares milicianos bebiam um café. Eu,"desenfiado", e mais quatro colegas do hospital militar local. Bom dia doutores! Esta saudação, tão cordial, fez-nos levantar rapidamente para responder canonicamente ao homem que a proferiu, o coronel comandante da ZOT ( Zona Operacional de Tete). Curta troca de palavras logo seguida dum espanto genuíno que cruzou o nosso olhar civilista. Donde vem tanta informalidade? Aqui "há gato"! Não demorou muito a sabermos o que se estava a passar na "metrópole": era o 25 de ABRIL! Sem pormenores ainda.
Quando uma instituição tão hierarquizada e rígida como o Exército, neste caso simbolizada num comandante de topo, muda pequenos nadas do quotidiano, só podia significar MUDANÇA no cerne. Neste caso, não da instituição ( isso não era trabalho para um dia...), mas no País. Mudança essa que se adivinhava já no suplemento do EXPRESSO com uma recensão sobre o "Portugal e o Futuro", que me tinha chegado às mãos, numa falha da censura que não  amputou esse número da minha assinatura do hebdomadário.
Termino. Era o 25 de Abril  que, pessoalmente, me reduziu a comissão a 15 meses, me permitiu conhecer um filho nascido entretanto, retomar o meu trabalho e carreira e.... libertar-me duma situação de que discordava, numa guerra colonial iníqua e....inexequível. O "curioso" foi que esse Abril foi executado pela mesma instituição que sustentou o antigo regime durante largos anos: as Forças Armadas. Razões? Não cabe aqui analisá-las mas... foram muitas e variadas. Desde que feito só resta dizer enfaticamente: Viva o (abençoado) 25 de Abril!

Fernando Cardoso Rodrigues

O nosso destino nas mãos de estranha gente...


“Por cada dia que passa, menos são as probabilidades que temos de determinar o nosso destino. A preservação do “status quo” torna impossível uma mudança de direcção.Estamos cerceados por ele e somos incapazes de mudar de direcção mesmo que as circunstâncis o exijam. É que a burocracia defende o “status quo” muito para além do tempo em que o “quo” perdeu já o “status”...
 
Com tantos exemplos trágicos de indivíduos que dedicaram as suas vidas a lutar pela hierarquia unicamente para chegarem à conclusão de que as grandes fortunas não dão felicidade, que a excessiva acumulação de bens materias impõe uma indesejável responsabilidade, e que os altos cargos envolvem pressões e conflitos pesadíssimos, por que razão o homem não desistirá de escalar? Ah, maldita ambição! Aos teus engodos devemos os grandes males que atormentam os mortais.

Os países são absolutamente capazes de deixar morrer à míngua todos os outros aspectos da vida – educação, higiene, alojamento, saúde pública, tudo quanto contribui para a vida física, intelectual, moral e espiritual – a fim de manter o seu armamento”.


Nota - Transcrito do livro anexo por Amândio G. Martins



Foi mesmo verdade


A dificuldade que sinto nos meus filhos e netos em acreditarem no que lhes conto ser a vida quotidiana em Portugal, antes da Revolução de 1974, é a maior homenagem que sinto dever ao “25 de Abril”. Só pela extrema confiança que em mim depositam é que acreditam mesmo que, nesses tempos, não podíamos conversar despreocupadamente com os amigos numa mesa de café, nos encontrávamos privados de ver alguns filmes, de ler algumas revistas ou livros, que o que líamos nos jornais poderia ter sido alvo de “tesouradas” censórias, ou que, meio aterrorizados, cumpríamos as instruções do nosso pai de não dizermos a ninguém que ele ouvia a BBC. Custa-lhes também acreditar que, por vezes, ficávamos banzados com a notícia de que um amigo da nossa maior confiança tinha deixado de aparecer pelo café porque tinha sido preso pela Pide, ou que, quando uma mulher se deslocava ao estrangeiro, necessitava de autorização prévia do marido.
Todas essas “normalidades”, acompanhadas de gravíssimas iniquidades bem piores,  inimagináveis para quem não viveu tais tempos, justificariam, porventura, que, muitos dias ou semanas depois do dia da libertação, ainda acordássemos pela manhã com aquele pensamento incrédulo na cabeça: “lá tornei a sonhar com isto outra vez”. Realmente, só vivido, porque, contado, dificilmente se acredita.

Público - 25.04.2019 (texto "tesourado" das partes sublinhadas).


quarta-feira, 24 de abril de 2019

25 DE ABRIL, sempre esperança


45 anos, parece muito tempo, mas não é assim tanto na nossa história colectiva.

Os últimos 45 anos foram marcantes em Portugal, quando a partir de 25 de Abril de 1974 foi derrubado o fascismo e se abriram as portas para a liberdade, a democracia, o progresso e um futuro cheio de promessas e esperança numa sociedade melhor e mais justa.

Não esquecendo, que muitas das frustrações e interrogações que hoje se colocam, foram provocadas pelo facto do poder político, nestas mais de quatro décadas, estar quase sempre ocupado por quem praticando uma política de direita, ao serviço do grande capital, contrariou e atacou as conquistas e valores do 25 de Abril.

O ano da comemoração do 45.º aniversário da Revolução de Abril vai ser marcado por importantes escolhas eleitorais, depois de a partir de 2015 se ter impedido o prosseguimento dum governo de direita e do seu percurso contra o 25 de Abril, empobrecendo a maioria dos portugueses e beneficiando o capitalismo.

Foi também possível, durante os últimos quatro anos, além de parar a ofensiva, recuperar direitos e rendimentos roubados e avançar, embora insuficientemente, em algumas medidas de justiça social.

Em 2019, nomeadamente na participação cívica nas eleições europeias e legislativas, impõe-se continuar a luta, sempre com esperança, por um desenvolvimento económico, cultural e social que assegure a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo.

NOTA, em 26.04.2019: 
- o texto foi publicado, ontem, 25 de Abril, no Jornal de Notícias, com alteração no título e alguns cortes e alterações no texto, o que tem sido uma prática habitual da redacção do jornal em relação às opiniões que envio, sendo a única diferença desta vez, foi que publicaram o texto no dia seguinte ao seu envio, quando nos últimos tempos só têm publicado duas ou três semanas depois. Também alteraram a assinatura do texto, trocando o habitual e indicado Ernesto Silva, por Ernesto Marques.
- também o Público publicou, praticamente só metade do texto, com algumas alterações, embora mantendo o título;
- ontem nos dois jornais foram publicadas várias opiniões de companheiros deste blogue e pelo menos o José Rodrigues, já informou dos cortes que lhe efectuaram. Talvez fosse para assinalar e lembrar que no fascismo, antes do 25 de Abril de 1974, havia censura...










Votos de óptimo 25 de Abril

Bom dia,

Esta mensagem tem em vista desejar a todos/as os/as Blogger's de "A Voz da Girafa", uma óptima comemoração do 25 de Abril.
Sugiro que vejam um documentário sobre o 11 de Março de 1975, que será emitido hoje, na RTP1, às 21,00.
Gostaria de deixar uma segunda sugestão: elaboração de pequeno texto, tendo como fundo "onde estava cada um de nós no 25 de Abril?"

“Fact-checking”


Uma coisa que sempre me causou “formigueiro” é a facilidade com que se mente em directo, em programas de grande audiência, sem que o aldrabão seja logo desmascarado, antes que a mentira possa fazer caminho; já ouvi em programas de antena-aberta as maiores alarvidades e raramente vi o moderador desses programas advertir o mentiroso da sua falta.

Uma novidade que agora gostei de ver na televisão espanhola, embora não em tempo real, como se espera que um dia venha a ser, isto é, o político está num debate com os seus pares e dispara umas quantas “galgas” com que pretende levar a melhor sobre o adversário; imediatamente o sistema o confronta com a sua falsidade.

“Atresmedia” reuniu um painel de especialistas para escalpelizar o primeiro debate eleitoral do dia anterior, na RTVE -  vencida que foi a polémica da tentativa de sobreposição da TV pública com a privada - confrontando as afirmações dos participantes com os factos verdadeiros e em todos foram detectadas e expostas aldrabices, maiores ou menores.

Como está programado para a noite de 23.04, naquela TV privada, o segundo e último debate antes das eleições do próximo domingo, o jornalista Iñaki Gabilondo, comentador convidado,  realçou as mentiras com que tentaram enganar o eleitorado e apelou aos políticos para que, neste último debate, se abstenham dessa prática, que não deixarão passar em branco...


Amândio G. Martins

SALVEMOS O HOMEM E O PLANETA!

O Homem e o Planeta correm riscos de extinção a breve prazo. E os donos do mundo, os banqueiros, os grandes empresários, os controleiros da alta tecnologia, os políticos burgueses, liberais e fascistas estão-se nas tintas. Para eles, as alterações climáticas, a destruição da Amazónia e de outras florestas e a extinção de espécies animais em massa não constituem um problema urgente. Aliás, eles estão-se a cagar para nós, como sempre estiveram. São gente sem alma nem coração esses bandidos. Só que, desta vez, nem eles escapam e se o caos e a morte descerem à Terra esses "senhores" serão arrastados para o inferno. 
Felizmente, tem surgido um movimento à escala global em defesa do clima e pela salvação do mundo e da humanidade, que até partiu de uma jovem sueca e que vai ganhando cada vez mais força, afrontando cada vez mais os poderes. Paralelamente às tendências racistas, anti-refugiados e anti-imigração e de extrema-direita, vai despontando, 50 anos depois, nas ruas, um novo Maio de 68, vai surgindo um novo homem que andava adormecido. As pessoas vão despertando para a realidade e unem-se contra os chacais do capitalismo, do big brother, do imperialismo. Se juntarmos às lutas ecologistas, a revolta dos Coletes Amarelos e outras, podemos concluir que já cheira a Revolução.

terça-feira, 23 de abril de 2019

A POSIÇÃO DOS ANARQUISTAS FACE AO ESTADO, AO CAPITALISMO E À REVOLUÇÃO

A revolução é quase impossível sem o recurso à violência. O Poder jamais se entregará de mãos beijadas. Karl Marx declara que os objectivos revolucionários só podem ser concretizados através do "desmoronamento violento de toda a ordem social tradicional". Bakunine, por sua vez, afirma que a revolução é uma guerra e que, portanto, implica destruição. Para Proudhon, os motins, as violências de rua, os carros incendiados, os vidros das lojas e dos bancos partidos não são mais do que meios de acelerar o curso da História. Para nós, anarquistas, a única revolução que importa é aquela que é desejada e realizada por homens e mulheres livres, que tenham tomado consciência da sua missão, não remetendo para o partido ou para um "salvador supremo" o cuidado de organizar o presente e o futuro. Para que a revolução se realize materialmente, é necessário, em primeiro lugar, que se efectue espiritualmente. Daí o trabalho de organização e estudo. As tarefas de propaganda e de penetração das ideias libertárias nas organizações dos trabalhadores, na juventude, na pequena burguesia, nos intelectuais, em todos os potenciais revolucionários são fundamentais. Urge o estudo dos problemas da autogestão, dos sindicatos, dos conselhos operários, das cooperativas de produção e do funcionamento da sociedade em geral.
"O nosso ideal é um ideal de amor. Não temos o direito de nos arvorarmos em juízes ou em carrascos. O nosso desejo, o nosso orgulho, o nosso ideal é de sermos libertadores". Assim fala Malatesta. Os anarquistas desejam uma sociedade sem violência, onde as federações de comunas livres substituem o Estado tradicional. No entanto, vivemos numa sociedade em si violenta, opressora, castradora, controladora da pessoa humana e onde o Estado, ao serviço do Big Brother e do capitalismo,  desempenha um papel de polícia assassino e castrador. Nós, homens e mulheres livres, não podemos ficar quietos e calados a olhar. Queremos um mundo de harmonia, de iniciativas livres, de celebração. Somos contra todas as formas de autoridade. Não suportamos leis, exércitos, polícias e todas as forças que defendem os privilegiados. Defendemos a liberdade livre, absoluta. E o Estado e o capitalismo são a negação da liberdade.

Públicos demónios anónimos


Em artigo assinado por Nuno Ribeiro, com chamada vistosa na 1.ª página, o Público anunciou no passado domingo de Páscoa, que «Andam demónios à solta no PCP contra a geringonça».

Sem identificar nenhum «demónio», todos anónimos, com citações de redes sociais misturadas com eventuais depoimentos recolhidos, assumindo um sentido crítico à constituição da geringonça governamental, alegadamente pela esquerda, o objectivo insere-se na campanha, mais ou menos permanente, da generalidade da comunicação social contra o PCP, arremessando o artigo tentativas para confundir, em vez do silenciamento habitual a que são votadas as iniciativas do PCP e dos seus candidatos.

Ressalve-se, que é efectuado um contraditório com a opinião de Miguel Tiago, que responde e esclarece que o anonimato não faz parte da participação e discussão dos comunistas.

25 de Abril Sempre!




O 25 de Abril é um daqueles assuntos que dá pano para mangas. Há os que pura e simplesmente, por questões ideológicas, estão contra ele, e outros, por influência dos primeiros, também dele discordam ou pensam que discordam. E mesmo os que com ele concordam, veem-no sob os mais diversos prismas. Vejamos os mais antagónicos.
Há quem considere que valeu a pena porque acabou com a guerra colonial, a censura, a PIDE, a repressão , e instaurou a liberdade. Mas, passados todos estes anos, como já pouco mais resta que a liberdade (o que já não é nada pouco!),o sonho de um país justo, progressista e desenvolvido, quase não passou disso mesmo, de um sonho. Os ideais de Abril feneceram e os cravos murcharam.
E há os que acham que se é verdade que os cravos murcharam, que muitas conquistas se perderam, que os monopólios se refizeram e as assimetrias sociais aumentaram, também é verdade que a liberdade e os ideais de Abril se mantêm. Os cravos murcharam, mas não secaram. Por isso, tal como retrocedemos, podemos e devemos retomar a marcha revolucionária que iniciámos há 45 anos.
Estes, têm razão. A dignidade, os mais novos e as gerações futuras, jamais nos perdoariam se desistissemos dos nobres ideais do 25 de Abril. Se fechássemos, como disse Ary, as portas que Abril abriu.
Portanto, 25 de Abril sempre!
Francisco Ramalho

Hoje em "O SETUBALENSE"


“Aviário de porcos”...


Há muitos anos, vivia eu em Santo Tirso, conheci um empresário de tal sucesso que até já tinha logrado uma comenda de mérito; mas o que tornou o homem popularmente famoso nem foram os seus feitos industriais, mas as suas tiradas “fora da caixa”, como agora se diz.

Estávamos no tempo em que havia um incremento dos aviários um pouco por todo lado e ao homem, que dispunha de um terreno desocupado, ocorreu-lhe a ideia de investir nesse negócio, mas o que lhe parecia mais promissor seria um “aviário de porcos”, que dos outros já havia muita coisa.

“Refrescar o crédito” é também de sua patente; quando algum colega do ramo têxtil se encontrava com ele, para tratar assuntos de interesse comum, mesmo que os negócios do homem não fossem lá essas coisas, se o carro em que  se deslocava lhe não parecia o mais representativo, uma das coisas que sempre recomendava era que se disfizesse daquilo e comprasse um carro que desse nas vistas, porque aonde quer que fosse com aquela carripana vulgar entrava logo derrotado, pois apresentar-se com um carro novo e de boa marca era indispensável para “refrescar o crédito”.

Vem esta lengalenga a propósito do que se diz no “Dinheiro Vivo” acerca das empresas que, mesmo tendo sofrido quebra nos lucros, vão distribuír os mesmos dividendos do ano anterior; quando os lucros baixam, as administrações tentam segurar o dividendo, para evitar serem olhadas de soslaio pelos accionistas, que são quem escolhe e avalia os gestores.

Menos lucro mas o mesmo prémio aos accionistas transforma as empresas portuguesas nas mais generosas nos dividendos; mas as empresas, segundo a gestora de activos Schrouders, não devem distribuír mais de metade dos lucros, para poderem ganhar músculo financeiro que lhes garanta reforçar investimentos e continuar a crescer; só que no caso das nossas cotadas é mais que chapa ganha, chapa distribuída...


Amândio G. Martins

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Um fenómeno chamado SIRESP 

Acabei de ouvir a jornalista Manuela Moura Guedes, numa rubrica de comentário no noticiário da SIC a LER ( ninguém pode insinuar que inventou...), algumas das cláusulas do contrato que os iluminados que nos governam assinaram.

Assim , o Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal  não se responsabiliza por fenómenos de força maior como guerras ou revoluções ( realmente imprevisíveis e de difícil controle ) mas também raios, sismos , inundações , tremores de terra ...
A julgar pelos incidentes que se tem registado , parece que estão  a levar o contrato muito a sério!
Só posso perguntar o mesmo que a jornalista : Quem é que assina um contrato destes?
Por ( incrível) coincidência 🙄, quem esteve “ do lado” de quem redigiu o contrato, agora está “ do outro lado” e é um dos acessórios de - pasmai! - António Costa- que na altura em que o contrato foi celebrado veio para as televisões falar de “ uma revolução “ nos sistemas de comunicações - claro que a minha memória não vai tão longe, mas fui elucidada ao longo da peça, que , se não tivesse visto e ouvido, achava que era brincadeira de primeiro de Abril🤔🤔


Coração de pedra

Confesso. Roubei o título a Patrícia Carvalho (PC), que com ele encimava a sua crónica no PÚBLICO de ontem. Porque gosto dele e não encontrei outro melhor, que tansmitisse a nebulosa significativa que ele esconde. Até no que a jornalista diz, aproximando-se embora do que eu quero dizer. Ela utiliza-o em sentido literal, embora simbolicamente, para designar o que ardeu: Notre Dame. A mim serve-me de mote para "dirimir" conceitos opinativos.
Vem isto a propósito dos diversos pensamentos que nos assaltam quanto à reconstrução da catedral, oscilando entre o apoio espontâneo e o cotejar com acções de (não) dádiva financeira em catástrofes humanitárias em que há gente a sofrer. Até ( ou talvez por isso!) em família a discussão atravessou a nossa Páscoa.  Entre o apoio de coração e apoio ao "coração de pedra" de PC.... não escolho nehum! Ambos podem e devem existir, No imediato, obviamente que gente é gente, mas não devemos esquecer o artístico simbólico, que nos recorda história comum e nos enraíza no tempo pretérito e nos cria caminho para o futuro. Muito sucintamente, é isto que me apraz dizer.

Fernando Cardoso Rodrigues

Petição: Justiça nos debates para as europeias


Um problema sério...


Dizia há dias o prof. Gonzalo Bernardos, que ensina economia na Universidade de Barcelona, que “los españoles no ahorramos nada” ; e este é também um problema nosso, segundo diz quem sabe.

Há por aqui à volta, numa região que não é rica, muito longe disso, sendo gente laboriosa e remediada a maior parte da população, quatro grandes superfícies comerciais; há dois dias passei por todas elas com a ideia de comprar um vinho de que gosto particularmente e em todas elas desisti de o fazer, por já não ter paciência para perder muito  tempo em filas – ainda por cima para gastar o meu dinheiro – tal a multidão que as lotava, ao ponto de, numa delas, ser grande até a fila de carros à espera de poder entrar no parque privativo da casa.

Diz-nos a notícia do JN que abriram, por semana, quatro daquelas “catedrais” de consumo em 2018, estando previsto, para este ano, investimentos de 300 milhões de euros; como estes empresários não são de atirar dinheiro pela janela, estarão a contar com o aumento do poder de compra dos portugueses, já que a população há muito está em decréscimo, a menos que andem a tramar estratégias para se “comerem” uns aos outros...


Amândio G. Martins

É A HORA!

Foi-se a Páscoa. É madrugada, Não consigo dormir. Bakunine, Jesus, Marx, Nietzsche. Que mistura explosiva vai na minha mente. Que mistura explosiva que me dá forças e me faz acreditar mais e mais na Grande Revolução, no Reino, no Super-Homem. Isto sem esquecer Jim Morrison, Roger Waters e Che Guevara.Olha como eles já me temem, já me invejam, já desconfiam de mim. Outros admiram-me, adoram-me como a um xamá. Não há dúvida de que este é o meu tempo. As explosões vêm de Paris, o caos e a revolta dos Coletes Amarelos, de Londres, com os protestos pela salvação do Homem e do Planeta, e até de Portugal, com a greve dos camionistas que quase paralisou o país. A coisa veio para ficar. A coisa vai mesmo rebentar. E, vós, juízes, tende cuidado com os por vós rejeitados. E, vós, senhores, tende cuidado. E, vós, carneiros, tende cuidado. É a hora!

domingo, 21 de abril de 2019

JESUS, AGITADOR E PROFETA REVOLUCIONÁRIO

"Há no seu percurso (Jesus) uma mensagem política de ruptura com os poderes instituídos. Era um agitador, com um sentido de justiça que chega a ser agressivo. Escolhendo sempre os mais fracos. As mulheres, à época sem espaço nem papel, os pecadores, os doentes e os marginalizados. 2000 anos depois recordar a sua história é reconhecer alguém que não teve medo de provocar, para através da ruptura construir união."
(Domingos de Andrade, "Jornal de Notícias")
Jesus é um profeta revolucionário. Alguém que expulsa os vendilhões, que enfrenta os poderes. Alguém que desempenha um papel de parteira na auto-libertação dos povos, que esclarece e dá a mão aos oprimidos. Sim, Jesus também foi um provocador, um incendiário, mas no sentido da dádiva, do amor, do amor universal. Alguém que dá a mão aos excluídos da sociedade. Alguém que, através da ruptura, vem construir a comunhão, a partilha, a união, a alegria da celebração. Deu a vida pela Humanidade. Nada quis com o dinheiro, com o poder, com o estatuto. Foi único. Quis mudar o mundo. Por isso tantos o seguem. Por isso tantos o amam, mesmo que não compreendam bem a sua mensagem.


Um evento a reter - e a participar !


 

PARA TODOS


A REVOLUÇÃO E JESUS

O papel do revolucionário é fazer a revolução. Há duas vias de lá chegar. A via do destruir para construir e a via do amor, de Jesus. Contudo, como diz Bakunine a revolução nunca triunfará se não tiver por objectivo um ideal elevado e humano. Há algo em comum entre as duas vias: o fim da opressão do ser humano, a destruição do capitalismo. E ambas desejam uma sociedade de irmãos. E ambas desejam expulsar os vendilhões do templo. Só que nós, anarquistas, não podemos ser irmãos dos capitalistas, dos políticos postiços, dos donos do mundo e da máquina. Enquanto que Jesus prega o amor universal, o amor até ao inimigo, o dar a outra face. Às vezes hesitamos. Estamos a meio da ponte. Seguimos Nietzsche, o Super-Homem, o Espírito Livre. Cantamos e dançamos com as bacantes e Dioniso.

Não obstante a indignação geral...


O tal do Moura parecer ter nos tribunais admiradores que aplicam as suas bojardas; desta vez foi uma sua “discípula” do Tribunal de Loures, que condenou uma vítima de violência  por ter accionado o botão de pânico, que lhe tinha sido facultado para isso mesmo, ao sentir-se ameaçada pelo ex-marido.

Tendo ido buscar o filho, que havia passado algum tempo com o pai, quando caminhava para casa com a criança verificou que o homem a seguia; reclamou com ele, que reagiu mal, tendo ela feito uso do aparelho que lhe tinha sido dado para sua defesa.

Todavia, os polícias que a socorreram e levaram a casa fizeram a “gracinha” de comunicar ao M.P. que o que a senhora quis foi uma boleia para casa no carro da polícia, que não tinha corrido qualquer perigo; ora isto foi prova bastante para que a magistrada condenasse a senhora, sem querer saber de mais nada.

A vítima recorreu da sentença e o Tribunal de Relação de Lisboa deu-lhe razão; os magistrados consideraram inaceitável o entendimento e as declaraçõres dos agentes proferidas em Tribunal e a decisão da magistrada, de que a violência verbal não é geradora de insegurança da vítima...

E aqui ocorre-me fazer a seguinte observação: Será mesmo bom para o desenvolvimento equilibrado de uma criança o convívio obrigatório com um pai violento?


Amândio G. Martins

A “batatal” lógica deTrump


Bem percebo Pacheco Pereira, no PÚBLICO do passado sábado, pela revolta por ter de estar sempre a virar a atenção para Trump, aquele americano atípico, porque boçal, aldrabão, ridículo, perigoso. Quando no resto do mundo se passam coisas importantes, aí está a “personagem” a monopolizar a nossa atenção.
A investigação de Robert Mueller não conseguiu provas de conluio entre a campanha de Trump e Putín, mas regista a receptividade daquela ao contacto dos agentes russos, logo Trump conclui que “não houve conluio”. O relatório Mueller, com amplas evidências de censura, diz que não pode exonerar o Presidente da acusação de obstrução à Justiça, Trump conclui imediatamente que “não houve obstrução”. Não fosse o Diabo tecê-las, Trump já tinha nomeado William Barr para Procurador-Geral dos EUA que, do alto da sua autoridade “imparcial”, proclama o que Trump quer ouvir.
A democracia americana está em perigo. O problema é que a maioria dos americanos não sabe.

sábado, 20 de abril de 2019

Interpretação de... um quarto de banho

Local: quarto de banho de uma urgência/consulta de uma especialidade médica num hospital central  do Porto.
Cenário: espaço mais ou menos limpo, com uma toalha molhada no chão para absorver uma pinga de água que provinha de um cano furado alimentador do autoclismo; bacia das mãos sem mácula especial , tendo dum lado um recipiente com líquido de lavagem e, do outro, uma armação metálica de onde tinha desaparecido o frasco do desinfectante alcoólico; recipente com toalhetes de limpeza manual, de fraquíssima qualidade, dum cinzento feio e áspero, mas funcional; rolo de de papel higiénico; sanita sem fezes mas.... repleta do referido papel para as mãos, cujo recipente para o descartar também existia.
Desempenho de funções clínicas: óptimo da parte de médicos e enfermeiros, para com o familiar que eu acompanhava.
Conclusão possível: as (os) profissionais da limpeza eram briosos, dentro dos materiais que tinham; os administradores poupam o mais que podem, cortando no menos necessário (existência e qualidade) e os utentes.... não sabem que na sanita só se deita papel higiénico. Os profissionais de saúde, excelentes a tratar e didácticos para com os jovens internos.
Nota final: no SNS trabalha-se bem, sem financiamento capaz e alguns utentes não ajudam nada, pelo menos no diferenciar de utilização recipientes.

Fernando Cardoso Rodrigues

O CAPITALISMO VAI CAIR!

Os Coletes Amarelos não desarmam. Paris está, de novo, a ferro e fogo. Macron e as forças da ordem tremem. É a rebelião. A revolta desesperada de quem já (quase) nada tem a perder. É a revolução sem chefes, sem sindicatos tradicionais, tal como aconteceu em Portugal com a greve dos camionistas de materiais perigosos, é a revolução que apanha toda a gente de surpresa, que pára países inteiros, carneirinhos incluídos. Em Londres também se luta nas ruas contra as alterações climáticas, contra os poderes podres instituídos. Bakunine está mesmo de volta. O capitalismo, as polícias e o Big Brother vão mesmo cair.

Fernando Namora


Ganhei desde cedo o hábito de rubricar e datar cada livro, acabada a sua leitura, o que me permite agora poder dizer que acabei de ler “O Trigo e o Joio” em 24.06.1974. Ao anunciar neste livro “8-ª edição, 30-º milhar”, a editora mostra-nos quão limitado  era o consumo de livros no nosso país, razão decerto da citação que Namora faz, no início deste seu livro: “O mundo da literatura é, porém, um triste mundo”.

Em tempo de homenagem a Fernando Namora, permito-me transcrever alguns apontamentos das sete páginas que Jorge Amado dedicou a este livro no seu Prefácio:

“Aproveito a oportunidade da publicação de uma nova edição de “O Trigo e o Joio” para expressar  toda a minha antiga e sempre renovada admiração por seu autor, o romancista Fernando Namora, mestre do romance. Um mestre do romance cujos livros, como este e como “Domingo à Tarde”, seriam grandes e importantes em qualquer língua e em qualquer tempo.

Esses livros estão rompendo as fronteiras de nossa língua, ainda tão restringidora das possibilidades de seus escritores por serem pobres nossas pátrias e de pequena presença económica num mundo de grandes potências. Ainda há poucos dias, um grande editor brasileiro me dizia:”Vende-se tudo, qualquer autor, desde que não seja português ou latino-americano”.                            (...)

Se exceptuarmos o poeta Fernando Pessoa, em matéria de literatura portuguesa paramos ne geração de Eça. Dos autores portugueses contemporâneos, só Ferreira de Castro é dono de grande público, mas Ferreira de Castro é considerado autor brasileiro e lido como tal. Os demais, mesmo um Aquilino, têm seu nome e sua obra conhecidos apenas de intelectuais. Exceptuo dois nomes: Miguel Torga e Fernando Namora. As obras desses dois grandes escritores conseguiram romper inclusive o muro erguido pelos professores de Literatura Portuguesa entre o público e essa literatura que eles deviam divulgar. Torga e Namora possuem hoje leitores brasileiros mais além do círculo de privilégio dos intelectuais.

Namora escreve bem e escreve do que sabe e conhece, como se ele fosse o igual desses camponeses, dessa rude gente misturada com a terra e com os animais. Sabe tudo sobre eles, mas sabe de um saber de vida vivida, não de observação, não de quem viu, mas de quem viveu; eles são carne da sua carne. O Trigo e o Joio é como uma sinfonia grave e profunda, mas não sei porquê, em sendo quase trágica, não é triste a história.

É uma cruel condição de homens, um drama de gente dura e tensa; a mim por vezes me arrepia, mas não me traz nenhum sentimento de piedade. São homens e mulheres talvez desgraçados em seu novelo de pequenas ambições e terríveis desejos, mas em sua desgraça conservam uma certa grandeza, que é igualmente o cerne da grandeza do romance, numa narrativa onde cada palavra é a justa, onde o substantivo despido de enfeites é a própria terra do Alentejo. Tão poderoso o instrumento do romancista que eu, leitor de um país distante, me senti alentejano”.


Amândio G. Martins

A volta do cherne...

Primeito voltou  Cavaco Silva, a "luminária", agora foi Durão Barroso, o "cherne". Deixo o primeiro de lado pois nele a inteligência não abunda. Mas o segundo tem-na, mesmo que expressa naquela cara feia e malsã e na palavra verrinosa, travestida de "doçura". Que veio dizer este homem? Que "se estivesse de posse de mais dados, não teria acolhido a reunião nos Açores que desencadeou a invasão do Iraque"(sic) ("tadinho"!). Mas logo se apressa a rematar dizendo que, tendo os que tinha, não se arrepende do que fez ( não fosse estar, agora, a fazer "penitência" a mais!) E, sibilino como só ele sabe ser, diz que "essa reunião não teria sido possível.... sem a autorização de Jorge Sampaio, então Presidente da República" (sic). Isto quando sabemos por este que aquela lhe foi comunicada de madrugada, poucas horas antes e quando, provavelmente, Bush, Blair e Aznar já estavam dentro dos aviões a caminho do arquipélago."( Nunca) sigamos o cherne"....

Nota: este texto foi espoletado pela (horrenda) entrevista de Durão Barroso á TSF e à visão da            magnífica série - Medo - que está a passar na RTP2.

Fernando Cardoso Rodrigues

A LIBERDADE É VOSSA!

NÃO VOS ESQUEÇAIS DISTO: Nunca mais vos deixeis manipular, controlar, castrar pelos senhores do mundo. Aliás, derrubai, derrubai imediatamente esses cães! A LIBERDADE É VOSSA, para isso viestes, para a liberdade

sexta-feira, 19 de abril de 2019

A propósito (da queda) do capitalismo

Se avaliássemos  aqui pelo blogue, o capitalismo estará para cair.... pelo menos "três vezes". Duas delas parecidas e outra diversa. Das duas primeiras vozes, uma para ser substituído por "algo ainda com nome a inventar" ( embora houvesse sempre à mão o dum "velho conhecido" nosso). Na opinião "gêmea", não há ilusóes sobre quem viria aí, era o antiquíssimo comunismo da velha guarda. A terceira voz é diferente, anarquista, mas profetizando/desejando a queda do mesmo... capitalismo sem mais.
Liberdade de escrita que, inelutavelmente, faz parte da LIBERDADE "tout court,  que não é desmembrável em pedacinhos a gosto. Há duas coisas  que estranho, no entanto. Enquanto eu adjectivo o capitalismo a "cair", de rapace, financeiro ou coisa piores, todos estes parceiros de blogue, só lhe reservam o nome próprio: capitalismo. A mim não me repugna nada a organização económica ( e muito menos a social) do mundo da social-democracia, LIVRE e regulada, que os outros três gostam de apodar ( ou insinuar) de... direita ou.... capitalista. A segunda, muito mais estranha, é que.... os sistemas que vigoram nos seus países-farol são precisamente o do capitalismo por eles mais verberado, excepto no caso do anarquista (já lá vou): capitalismo de Estado ( ou "um país dois sistemas") e capitalismo oligárquico e plutocrata. Quanto à anarquia elogiada, o exemplo do anarquista é muito "feliz": a greve dos motoristas de camião que tem como porta voz um advogado que conduz um Maserati e veste colete amarelo. Disse.

Fernando Cardoso Rodrigues

A GRANDE REVOLUÇÃO É POSSÍVEL

Apenas 800 motoristas quase pararam o país que esteve em pânico a correr para as bombas de gasolina, como se viesse o fim do mundo. Ao contrário do que agora se diz, António Costa e o seu governo andaram aos papéis e no Parlamento uns comiam-se aos outros. Estas novas formas de greves e protestos fogem do controlo dos sindicatos tradicionais e fazem lembrar os Coletes Amarelos de Paris, sem líderes claros, espontâneas, anarquizantes. Bakunine está mesmo de regresso, acompanhado de Jesus. O capitalismo vai cair. A Grande Revolução é possível.

Situação do nosso sofrido planeta, na visão do cartunista Jorge Braga, publicada hoje (19/04/19) no jornal O Popular de Goiânia, capital do Estado de Goiás, Brasil.


Semana pouco santa...


A campanha eleitoral em Espanha atingiu níveis de indignidade nunca antes vistos por aquelas bandas, com os partidos da Direita a recorrer a todo o tipo de insultos contra o líder socialista; para eles, Sánchez  é traidor, golpista, criminoso que tem as mãos manchadas de sangue dos crimes da ETA, só porque beneficiou dos votos dos partidos da Catalunha para derrubar o governo anterior e fazer aprovar no congresso medidas importantes, que serão todas revertidas se a Direita ganhar, ameaçam.

A tudo Pedro Sánchez, mesmo em campanha, tem respondido com serenidade, o que ainda mais irrita os adversários, que lhe chamam “cobarde”, por não responder no mesmo tom; mas a decisão que acaba de tomar, de não comparecer a um debate a que se comprometera com os outros candidatos em “Atresmedia”, marcado para o próximo dia 23, em favor da RTVE que, intempestivamente, alterou a data do seu debate há muito estabelecida para 22, remarcando para 23, sobrepondo-se ao debate da televisão privada, está a deixá-lo na inusitada situação de ficar sem opositor, já que os restantes líderes mantêm a palavra dada a “Atresmedia” e não comparecerão na RTVE-televisão pública, que  acusam de ceder “a las presiones de Moncloa”.

A questão tem origem na decisão da Junta Eleitoral, de não autorizar VOX no debate em “la Sexta”, dado não ter ainda assento parlamentar e os partidos da Catalunha, que não foram convidados, reclamaram; Sánchez tinha aceitado debater com VOX incluído no grupo, porque a lei não permitia àquele partido participar em dabates eleitorais na televisão pública, pelas razões acima apontadas; uma vez que a autoridade eleitoral também o proibiu naquela televisão privada, Sánches viu-se desobrigado de cumprir a palavra em favor da televisão pública, que só tinha convidado os quatro principais líderes e foi por todos aceite, embora ninguém esperasse que esta TV fosse sobrepôr, em cima da hora, o seu debate ao da privada...


Amândio G. Martins