sábado, 31 de agosto de 2013

Noites no Observatório - PALESTRA E OBSERVAÇÃO

31 DE AGOSTO DE 2013 - Noites no Observatório -  Palestra e Observação

às 21h00
Observatório Astronómico de Lisboa, Tapada da Ajuda, Lisboa

"A actividade mensal das NOAL será realizada no sábado 31 de Agosto de 2013. A sessão terá início com a palestra às 21:30, mas as observações astronómicas decorrerão em contínuo ao longo da noite, até às 24:00.

A palestra é subordinada ao tema “Somos feitos do Pó das Estrelas”, proferida pela Dra. Salomé Matos (Royal Observatory of Edinburgh, University of Edinburgh).

A actividade requer uma inscrição prévia que se efectua em:
http://oal.ul.pt/inscricoes/

É necessário consultar a página do OAL para mais informações acerca da actividade:
http://oal.ul.pt/atividades-e-servicos/noites-no-observatorio/
"

Transportes
Comboio: Belém
Autocarros: 714, 732, 738, 742, 751, 756, 760
Eléctrico: 18, 15

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ignoraram descida de salários

Desde 2011, no sector privado os cortes salariais já atingiram 10%, diz a comunicação social. Subsídios, prémios e outros benefícios, igualmente. O Governo apresentou ao FMI,
números parciais e inverdadeiros sobre a percentagem do valor do trabalho em Portugal. Cerca de 27% dos contratos sofreram diminuição salarial, o ministério do Trabalho
apresenta 7%(!). A desvalorização salarial e consequentes sacrifícios, foram distorcidos sobre a evolução do trabalho. Deliberadamente, porquê? É mais uma trapalhada não inocente,
para esconder a quebra acentuada nos salários. O boletim estatístico do Banco de Portugal publicado em Fevereiro diz que o esmagamento salarial já vinha acontecendo. Porque é que
o Governo e FMI, não consultaram aquele documento? Assim, o FMI ao publicar o relatório da 7ª avaliação, baseando-se em números escamoteados, disse:«é preciso mais
flexibilização laboral e cortes salariais para produzir emprego»(!). Estas medidas, já foram experienciadas e implementadas noutros Países, com resultados catastróficos. Reduzir
ainda mais o que já está reduzido: salários; rendimentos e direitos laborais, são um insulto a quem trabalha e nunca foram sinónimo de criação de emprego em Portugal. As
exigências do FMI não são resoluções, são sim o cerne do problema. Temos os salários mais baixos da Europa e não se resolve o flagelo do desemprego.
Vítor Colaço Santos

E se os governantes fossem...

 
… como aquele político nascido em Junho de 1771 que ao ser nomeado para um cargo que exigia certas habilitações (triénio de provedor que era requerido para o lugar) que ele, apesar de uma ilustre carreira , não tinha aceitou o cargo mas não a remuneração e foi estudar para Coimbra até obter esse grau académico.
Ao rever na TV Memória José Hermano Saraiva a falar deste politico e do seu comportamento quanto a mordomias e remunerações fiquei a pensar que exemplos como este – e felizmente há vários – deviam ser temas de leituras e palestras obrigatórias para corrigir o comportamento dos nossos governantes e políticos. É que aqueles cargos são para servir o País e o Povo e não para meia dúzia se encher. Os portugueses estão cansados de ser espoliando. AH! o tal politico chamava-se Manuel Fernandes Tomás. 
 
 
(Público, 29-8-2013)
Maria Clotilde Moreira 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Tragédia em Armamar e luto nacional há 28 anos

A tragédia luciférica dos incêndios em Portugal já tem raízes no país deste fado ancestral.
Todos os anos, no verão, as ignições criminosas e maquiavélicas, ou por incúria da besta humana, são uma autêntica razia infernal, com elevados prejuízos naturais, ambientais, materiais e humanos, difíceis de ser colmatados ou ultrapassados.
E com este meu pequeno meu pequeno escrito quero prestar a minha sincera e sentida homenagem aos catorze bravos bombeiros voluntários da Associação Humanitária de Armamar que pereceram num pavoroso incêndio numa tarde de domingo, no dia 8-9-1985, há vinte e oiro anos, nos matos do Freixal, próximo de Lumiares e de São Martinho de Chãs, no concelho de Armamar.
Estes desditosos bombeiros, a maior parte na flor da vida, deslocaram-se para a morte numa só viatura e muito mal apetrechados, pois nem de máscaras dispunham, e ao todo eram dezassete, salvando-se apenas três.
Esta Associação Humanitária ficou completamente destroçada, mas hoje, renovada, ainda continua ao serviço do próximo, dando a vida por ele e sem nada lhe pedir.
Que Deus os abençoe estejam onde estiverem, bem aos demais que enxameiam o país, defendendo-o até à morte, como o fizeram a Ana Rita, o Bernardo, o António Nuno, o Pedro Rodrigues e outros, os casos mais recentes e trágicos.

(JN, 30-8-2013)
José Amaral

O regresso dos pistoleiros

Segundo o PÚBLICO, Luís Filipe Menezes "reuniu-se esta semana na Câmara de Gaia com moradores com dificuldades económicas que residem em bairros da cidade do Porto onde se candidata e tem pago algumas facturas".

Isto só por si espelha bem o que nos espera, em próximos actos eleitorais, se o Tribunal Constitucional validar a interpretação territorial da limitação dos mandatos autárquicos. Porque não se trata apenas de transformar os presidentes de câmara em autênticos pistoleiros profissionais que passarão a  deambular pelo país à cata de quem os contrate para defender a sua cidade dos bandidos, o que só por si já seria mau, uma vez que distorce absolutamente o princípio fundador do poder local.

O que se avizinha é muito pior do que isto. Com efeito, se o Tribunal Constitucional permitir que os presidente de câmara se candidatem a outro município, findos os três mandatos, tal vai conduzir inevitavelmente (só quem não conhecer os nossos políticos, pode acreditar o contrário) que o último mandato vai ser usado como trampolim para uma candidatura a um município vizinho, à custa de recursos da autarquia para o qual foi eleito. Ou seja, o presidente eleito para um terceiro mandato passa a ter a cabeça num município e os pés no outro. Ora, isto não é bom para a qualidade da nossa democracia.

Além disso, nas democracias, como todos sabemos, os melhores mandatos são sempre aqueles em que um presidente sabe que já não pode ser reeleito, na medida em que o seu mandato já não é condicionado pelos votos. Acontece que, com a possibilidade de reeleição num município vizinho, até esse efeito se perde.

Pela mesma razão, os autarcas inibidos de se recandidatarem não deveriam poder sequer integrar as listas para não se assistir a esta autêntica palhaçada à boa maneira portuguesa de as listas serem elaboradas pelos presidentes de câmara cessantes que escolhem um testa de ferro para encabeçar a lista mas, na prática, serão eles que irão continuar a exercer o poder de facto.

Em Portugal, como toda a gente sabe, basta abrir um pequena festa na lei que passa por lá tudo. E das duas uma: ou querem limitar os mandatos ou não querem. Se não querem, acabem com a lei mas não gozem mais connosco. Nunca se esqueçam de um sábio pensamento de Confúcio: "Nunca irritem um homem paciente." E o povo português, apesar de ser muito paciente, começa a dar sinais de alguma irritação...

Santana-Maia Leonardo

terça-feira, 27 de agosto de 2013

As qualidades de António Borges



Muito se tem escrito e dito sobre o economista António Borges.
Não o conheci pessoalmente, tão somente o que me foi dado ver na TV...
O que me interessa saber de António Borges é o que se diz dele agora que deixou «este mundo». As qualidades é o que mais importa reter.
Existe uma tribo de índios no extremo norte do Brasil, os Ianomami, que ingere as cinzas dos seus mortos, acreditando que assim poderão assimilar as qualidades positivas do morto. Mas os Ianomami nunca mais pronunciam o seu nome e a existência do morto é apagada da memória.
Culturalmente não nos podemos comparar, mas há algo que podemos fazer,
numa espécie de «antropofagia» : aprender e aproveitar as qualidades de A.B. para que possamos ser melhores enquanto pessoas e cidadãos: tudo o que fazia era para deixar o nosso país um pouco melhor; procurou, segundo os seus amigos, a excelência, a competência, a coragem, a coerência, a força interior, a humildade, fortes convicções, a luta por seus argumentos e opiniões, aceitando, porém, as "boas posições contrárias"e viveu sem medo e com frontalidade.
Que a vida dos outros nos ensine alguma coisa ... para bem deste país!

(DN, 29-8-2013)
 
 
 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Nem a nascente já a foz procura

Do barulho foi parido este silêncio
Foi a guerra que matou o nosso amor
Preenchemos o vazio com a ausência
Mesmo o prazer está envolto em dor!

Toda a grandeza tornou-se decadência
A sementeira pariu este temor
Tudo é inerte, pior, está na demência
E não se vislumbra um redentor!

Quem faz parar o sangue em nossas veias?
Quem anemiza os sonhos que criámos?
Quem faz de nós o pouco que nós somos?

Quem nos envolveu nestas cadeias?
Num tédio em que hora a hora mergulhámos!
Não foram outros, não! Nós é que fomos!


Joaquim Carreira Tapadinhas

Fraternidade


Alinho um punhado de palavras
Numa mensagem de esperança - amor
Esperança também em mim, que bem me faz!

E ... florindo os símbolos encontrados...
Corro ao encontro dos homens meus irmãos

Abrimos nossos braços, abrimos nossas mãos
Fechamo-nos em bloco e somos paz!

Joaquim Carreira Tapadinhas

domingo, 25 de agosto de 2013

Universidades: o trigo e o joio

As Universidades Públicas em diversos indicadores de observatórios a nível europeu ou mundial, aparecem em lugares elegíveis e com tendência para subir. Destaco as Universidades de Porto, Coimbra, Lisboa e Técnico. Ao contrário as Universidades Privadas nem aparecem nestes rankings a nível europeu e mundial, o que os pais desejam destas Universidades Privadas é que o "menino" passe sempre e tire o canudo sem ser preciso um grande esforço, para depois se dedicar a uma área em que o canudo é preciso para efeitos de curriculum, nada mais. Vejamos os políticos mais jovens que até escondem quais as Universidades Privadas onde tiraram o canudo: António José Seguro, Passos Coelho, Miguel Relvas, Sócrates, …é preciso separar o trigo do joio.(JN 24/08/2013)

sábado, 24 de agosto de 2013

Negócio das arábias

Num ‘negócio das arábias’ com a Roménia, Portugal, segundo notícia vinda a lume, vendeu doze aviões F16 com um prejuízo de trinta milhões de euros.
Não sei em que faculdade de Economia e Finanças tais encanudados se doutoraram para celebrarem tão ‘chorudo’ contrato, uma vez que nem um merceeiro faria tal negócio.
E se a FAP for assim tão zelosa e audaz nos ares como tais vendedores foram com os seus pertences (aviões) em terra, melhor será que passem a usar dirigíveis e passarolas, e, para ‘Super Constelations’, deverá solicitar à Marinha os pepinos do almirante Portas, dotando-os de asas icarianas, pois para o fim a que se destinam servirão muito bem.

José Amaral

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

E as aldeias vinhateiras de Armamar?

Fiquei deveras surpreso ao ouvir e ver num telejornal o lançamento de um livro turístico intitulado Aldeias do Douro Vinhateiro, sem que o Concelho de Armamar fosse mencionado com as suas aldeias vinhateiras inseridas nesse referido livro roteiro.
Então, para onde foram deslocalizadas Vila Seca, Marmelal, Santo Adrião, Vacalar, São Joaninho e Folgosa do Douro? Já não têm os seus seculares vinhedos? Ou para Armamar só contam as aldeias produtoras de maçã?
Se assim é, mudemos, as aldeias esquecidas, de Concelho, que só se intitula e preocupa como ‘capital da maçã de montanha’, e nada mais.

José Amaral

A Dívida Pública continua hipertensa

A Dívida Pública do Estado Português voltou a aumentar escandalosamente, atingindo 131,4% do PIB.
E tudo isto acrescido de cortes brutais nos rendimentos das classes mais desfavorecidas e de todos aqueles que vivem do seu trabalho, sem que nada de melhor se vislumbre na acção hipertensa, cada vez mais gastadora da governação do país, a qual, beneficiando os poderosos, vergasta incessantemente aqueles que menos têm.
E o mais hipocritamente foi dito há dias numa festarola política de verão, levada a efeito no Pontal, ao dizer-se que o paraíso estava quase aí, (lá no Pontalinho, claro!), ao virar da esquina, a fim de se acabar com o galopante batalhão de desempregados e de todos os filhos de um deus menor.
Agora, no concreto, verifica-se que nunca tivéramos um tão continuado e escaldante Tarrafal tão perto de nós, para nos asfixiar para todo o sempre.
Finalmente, pergunta-se: então para quê tantos sacrifícios, se este governo continua a manter-nos em morte lenta, numa agonia sem fim?

José Amaral

Aumentam horários. Diminuem salários.

A direita e a extrema desta representadas no CDS/PP diz ser o partido «da família», mas acaba de golpear as famílias! O PSD/CDS aumenta o horário dos Funcionários Públicos (FP), em cinco horas semanais, retirando-lhes disponibilidade e espaço de convivência familiar. Auto-intitula-se partido «cristão», porém, têm tido uma prática política contrária à conduta cristã (de Cristo), i. é. funcionam como o Robin dos Bosques ao contrário, tiram aos pobres e dão aos ricos. Aprendi na catequese: “Quem rouba aos pobres, rouba a Deus”. Vão parar ao inferno! Os governantes descobriram novo método de assalto à vida e à carteira dos FP, impondo-lhes horários alargados, pagando-lhes o mesmo, ficando assim o salário desvalorizado 12,5%(!).
O jornal i refere uma perca de 175€ por funcionário/mês. Note-se que já há FP com horários além das 35 horas semanais, não ganhando mais. Um Assistente Operacional/ Operário/Auxiliar vai passar a receber pouco mais de 3€/hora. A ideia não é criar um Estado moderno e flexível, onde FP tenham de mudar de serviço para onde fazem falta, que se valorize e incentive o trabalho, mas sim destruir o Serviço Público, originando sentimentos de desânimo, indignação e revolta, numa missão pura de ofensiva ideológica. Assim, os FP acabam por viver em insegurança e, sem quererem, terem uma produção menos conseguida. Isto não é «reforma do Estado», é continuar a enterrar os FP em vida!
Vítor Colaço Santos

Os soldados da paz


Nesta altura do  ano, repete-se sempre o mesmo cenário, os incêndios, que têm vindo a alastrar e a devastar por completo as nossas terras de norte a sul, tendo já passado para o outro lado do atlântico, mais precisamente para a Ilha da Madeira.
Todos os dias quando ligamos as nossas televisões e pegamos nos jornais, uma das principais notícias, têm sido os incêndios que têm trazido a devastação deste nosso rectângulo, onde não são poupadas as habitações, florestas, animais e principalmente as populações completamente desprevenidas e indefesas e principalmente os nossos "soldados da paz", também estes as maiores vitimas.
Não cabe neste espaço analisar, nem a mim analisar as principais causas, do que devia ter sido feito e não foi, para se prevenir tal catástrofe, que todos os anos apresenta um quadro negro de vitimas.
Este ano o quadro de vitimas, para além das que atrás referi, têm sido,sem qualquer dúvida os nossos "soldados da paz",que com abnegação, espírito de sacrifício e dedicação a uma causa que abraçaram em prol do próximo, sem qualquer recompensa monetária, em troca, têm neste momento um um quadro bastante negro de vitimas, assim, pelo menos temos 41 bombeiros em serviço que ficaram feridos e a lamentar a perda de três elementos.
Nesta hora de dor, quer para todas as cooperações que faziam parte as vitimas, quer para os amigos e familiares as minhas sentidas condolências.


Mário da Silva Jesus



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Cheque-mate!

A indignação do socialista José Junqueiro e a notícia do Público sobre a distribuição de cheques à porta das igrejas pelo presidente da câmara de Viseu é bem revelador da hipocrisia dos nossos políticos e do desconhecimento do país real dos jornais nacionais.

Como toda a gente que não vive na região de Lisboa sabe, as eleições autárquicas sempre foram eleições disputadas entre vários candidatos de partidos diferentes, em que um deles tem ao seu dispor um livro de cheques da Câmara para comprar os votos necessários para garantir a sua vitória nas urnas. É assim de norte a sul do país, ilhas incluídas, há mais de 40 anos.

Enquanto uns candidatos percorrem o concelho a prometer um mundo melhor e a oferecer canetas e papéis, há um candidato que percorre o concelho com um livro de cheques, oferecendo casas, mobílias, electrodomésticos, subsídios, apoios, excursões, festas, almoços e jantares. Tudo por conta do Orçamento de Estado. E agora adivinhem lá em quem é que o povo vota?

Moral da história: não há dúvida nenhuma de que, nas eleições autárquicas, o povo vota sempre na pessoa e nunca no partido, desde que essa pessoa traga consigo o livro de cheques da câmara, bem entendido.

Santana-Maia Leonardo

Como podemos ignorar?




(Guerra na Síria. Foto de Bassam Khabieh)


Henri Cartier-Bresson.










Henri Cartier-Bresson (fotógrafo)
 1908. Agosto.22 – Seine-en-Marne, França / 2004.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Esta democracia é alvo de atentados

Aprendi que a democracia é uma actividade nobre, o maior e melhor de todos os sistemas políticos no que diz respeito ao interesse público. A democracia não pode permitir que se atente contra ela, seja a que nível for. O Expresso, pela pena de Miguel Sousa Tavares, informa que o meu dinheiro –contribuinte com todos os impostos em dia – ajudou a fundar a FLAD(!). (Não autorizei). O nosso dinheiro é pau para toda a “obra”. A FLAD, a SLN e o BPN estão colados a Rui Machete, pelas piores razões... A imprensa tira-lhe uma fotografia de péssima qualidade. Foi premiado, é o novo ministro dos Negócios Estrangeiros. Portugal é dirigido por uma casta política, há décadas, que vive  bem e come melhor, muito acima das nossas necessidades, nós, os demais Portugueses que pagamos impostos de nórdicos e recebemos salários asiáticos... “ Portugal tem todas as condições para ser um  país culto, rico, com uma população saudável, um país desenvolvido. Bastará que seja bem governado, em função do interesse da sua população e não de alguns grupos económicos que dominam o país de forma feudal”, escreveu e bem, Paulo Morais, no seu notável livro “ Da Corrupção à Crise. Que Fazer?”. Livro (da Gradiva) a ler. Com urgência.
Vítor Colaço Santos

Às matas, já!

 
Há tempos falou-se muito da necessidade de se proceder atempadamente à limpeza de matas e abertura de caminhos com vista a diminuir o perigo de incêndios. Foi evocada legislação, foram referidas regras e regulamentos. Nestes tempos de tanto desempregado, a jactância de discursos de muitos políticos para ultrapassar estes desatinos, ultrapassou a compreensão de um simples cidadão. Não é de todo estapafúrdio promover a limpeza das matas mas a ideia que ficou da maneira como foi apresentado não foi a mais feliz.
Mas é preciso voltar ao assunto já e talvez fosse mais correcto sensibilizar o governo para ajudar as autarquias a implementarem nas suas áreas procedimentos de limpeza em conjunto com os moradores de aldeias e lugares que prevenissem este perigo nos tempos de Verão. A Protecção Civil, os Bombeiros, o senso comum e o dever de cidadania que ainda há no povo português devidamente organizados certamente que evitarão as mortes e a dimensão das catástrofes que ultimamente aconteceram.
 
(Público, 17-8-2013) 
Maria Clotilde Moreira

Na (des)ordem do dia

As bulas entraram na ordem do dia e passaram a moda no Reino da Luz, aonde os seus seis milhões de ‘fiéis’ preferem indultar o Cardozo, o actual Barrabás do futebol, do que manter nas boas graças o seu bom Jesus.
O actual Pôncio Pilatos, antes prefere receber os sessenta e cinco mil euros de tal indulgência, do que dar uma indemnização de milhões a Jesus, para o mandar para outro reino.
Que Deus tenha piedade de tantos infiéis.

José Amaral

Interrogações do cidadão comum

O comum cidadão que esteja minimamente atento a tudo que vem na Comunicação Social, lendo e ouvindo-a, bem como a sua constatação diária do que se passa à sua roda, forçosamente ficará com a ideia de cada vez vale menos ser-se honesto, responsável, cumpridor dos seus deveres, obrigações e de todas as responsabilidades devidas para com a sociedade aonde está integrado, exigindo dela, por fim, tudo a que tem direito.
Mas fica completamente entontecido quando nota que o mundo que o cerca tem mais cuidados com os prevaricadores, os quais ‘pisam o risco’ a ‘torto e a direito’, tal como ter(mos) de ficar de ‘bico calado’ com atitudes e decisões verdadeiramente insólitas.
Assim, que dizer da decisão de um colectivo de juízes em considerarem que estar-se alcoolizado no local de trabalho é de somenos importância, ou será que tais doutos juízes na sua vida de estudante foram levados até a um hospital por estarem em coma alcoólico?
E ter-se um cavalo à janela será um acto de amor e carinho pelos utentes de tal habitação camarária?
E que dizer-se de presidiários candidatos às próximas eleições autárquicas?
E já agora, o que dizer-se também da escolha do multi-encanudado, multi-doutorado, multifacetado Miguel Relvas para o cargo de alto comissário da casa olímpica da Língua Portuguesa, no Brasil?

José Amaral

Suicídio (também) efeito da crise económica e social

A Sociedade Portuguesa de Suicidologia aponta como suspeitar, detectar, alertar ou ajudar alguém que possa estar a ponderar o suicídio como «solução». Em casos extremos chame-se o 112
de imediato. Quem fala em suicidar-se, não deve ser abandonado ao seu desespero, deve ser escutado e revelado interesse, envolvendo outras pessoas, criando empatia, sintonias e postura não
crítica,reconhecendo-lhe qualidades e sentimentos. Não lhe prometer confidencialidade porque poderá ser preciso contactar familiares, amigos, técnicos de saúde ou o seu médico. O suicídio é uma
«solução» para um problema transitório ao qual a assistência médica e o tempo trarão (re)solução. Regista-se a maior incidência no Baixo Alentejo. Aqui, diz-se que não havendo futuro, não existe
presente... O desemprego, a perda da casa, o elevado endividamento, a falta de esperança são factores determinantes na saúde mental, gerando quadros depressivos que pedem com urgência,
novos modelos efectivos de intervenção social. No plano da prevenção os porteiros sociais : sacerdotes, empregados de café, barbeiros, cabeleireiras, farmacêuticos e também os profissionais de
saúde, nomeadamente os médicos de família, são valiosos contributos, actuando como “campainhas” e factores dissuasivos para a não concretização do suicídio. Estes ouvidores confidentes, trarão
valor acrescentado à vida. Os humanos são criadores por excelência, criemos em permanência e estaremos a semear, divertir e a perpetuar a vida. Viva a Vida!
Vítor Colaço Santos

Pontal nem pariu um pontinho

Há três anos o recém líder do PSD, Passos Coelho foi ao Pontal e ameaçou o então chefe do Governo, Sócrates, que não toleraria mais impostos. Em Agosto de 2011, na festa
social-democrata, já como 1º ministro dizia:«[Faremos] um corte na despesa do Estado sem paralelo nos últimos 50 anos». Boas notícias!, viriam cortes nas fundações, institutos,
mordomias, racionalização de despesas, erradicação de desperdícios, etc. etc. Nada disto foi feito! Dois anos se passaram e o rumo seguido é com sucessivos aumentos de impostos,
taxas e alcavalas. Cortes severos nos salários, pensões, reformas e nas prestações sociais. Cortar nos que têm menos é tão fácil... Em Agosto de 2012, a festa de rua do Pontal foi
substituída por local recatado das (justas) manifestações de desagrado popular. Aí Passos, após um ano de governação com resultados colossalmente desastrosos, disse que 2013
não iria ser de recessão económica. Falhou. A recessão foi profunda. A economia interna quase faliu. O continuado aumento de impostos aliado à ausência de consumo, aumentou
ainda mais a recessão e as metas do défice orçamental ficaram ainda mais longe. Tanto empobrecimento gerado por dramáticos e criminosos sacrifícios não serviram para nada.
Agosto de 2013. Calçadão da Quarteira. Passos reafirma que o Executivo vai prosseguir no mesmo caminho. Estamos no rumo certo, disse. Rumo certo, para onde?- Para mais
austeridade; mais cortes e recortes sociais; mais empobrecimento; mais desemprego; mais depressão na economia e nas pessoas; mais...
O Pontal não trouxe esperança, nem pariu um pontinho.
Vítor Colaço Santos

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

"Sou feliz"


O cão veio receber-nos ao portão. "Não morde", tranquilizaram.
A rede a um canto do alpendre... - típico de uma casa brasileira.
Chamam-me a atenção as janelas abertas: umas grandes, outras pequenas, estas estreitas e altas, desiguais. Quinze aberturas para o mundo, deixando, cada uma a seu jeito, entrar a brisa suave e morna do inverno bahiano.
A beleza da assimetria...
À entrada da casa, reparei só no dia seguinte, uma peça de olaria em forma de coração com a inscrição "sou feliz".
A gente entra naquela casa e vê que é verdade.
Espero voltar novamente!

Dia Mundial da Fotografia



Hoje dia 19 de Agosto, comemora-se "O Dia Mundial da Fotografia".
A celebração da data tem origem na invenção do daguerreótipo, um processo fotográfico desenvolvido por Louis J.M. Daguerre em 1837.
Mais tarde, em Janeiro de 1839, a Academia Francesa de Ciências anunciou a invenção do daguerreótipo e a 19 de Agosto do mesmo ano o governo francês considero
Mais tarde, em Janeiro de 1839, a Academia Francesa de Ciências anunciou a invenção do daguerreótipo e a 19 de Agosto do mesmo ano o Governo francês considerou a invenção de Daguerre como um presente "grátis para o mundo".
Outro processo fotográfico - o calópio, inventado também em 1839 por William Fox Talbota, fez com que o ano de 1839 fosse considerado o ano da invenção da fotografia.
                                                                                   *      
A cidade do Porto está hoje (último dia) repleto de uma série de eventos comemorativos do Dia Mundial da Fotografia, que vão de exposições a workshops, passando por concursos de fotografia. O Centro Português de Fotografia está aberto ao público e tem à sua disposição visitas guiadas, passatempos e degustação de vinhos e tapas.
(D.N. de 19/08/2013)

sábado, 17 de agosto de 2013

A despenalização dos cartões



O guarda-redes do Sporting C.P. Rui Patrício, foi expulso no encontro de pré-temporada, frente aos italianos da Fiorentina, jogo realizado no passado domingo em que o clube de Alvalade venceu por 3-0 tendo vencido então o troféu em disputa “ Os Cinco Violinos”. Devido  a essa expulsão, pelo árbitro desse encontro, Pedro Proença, a este belíssimo guarda-redes do Sporting e da selecção nacional, tendo este jogador sido punido pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, com um jogo de castigo.No entanto devido ao facto da equipa “B” ter jogado na passada sexta-feira na Liga de Honra frente ao Beira-Mar (3-1), este jogo veio na melhor hora e serviu assim para despenalizar, (limpar o castigo) daquele jogador, que está assim disponível e às ordens de Leonardo Jardim para o jogo de amanhã na estreia do Arouca na I Liga Portuguesa.Com esta despenalização o futebol português em termos de limpar castigos, fez-me recuar às longínquas décadas de sessenta e setenta em que os jogos de reserva que se realizavam às quartas-feiras e sábados, serviam e tinham como finalidade precisamente essa “batota”, de poder limpar os castigos e “salvar” os jogadores para poderem assim competir aos domingos.Voltámos de novo a essa “parada da paródia”. Assim, com esta, nova? situação, só vem trazer mais benefícios às equipas “B” dos grandes que têm as suas equipas a disputar a II Liga de Honra, porque em contra partida as restantes equipas que disputam a I Liga, não estão em pé de igualdade e não têm essa mesma possibilidade de verem os seus jogadores despenalizados.Um caso para ser revestido pelas altas instâncias responsáveis do nosso futebol, para bem do futebol e para a verdade desportiva.



MÁRIO DA SILVA JESUS

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Senhores tenham vergonha

A política atual Nunca pensei que a política e os atores políticos atingissem um nível tão baixo como o atual. Os políticos dos dois principais partidos (PSD e PS) têm algo a esconder e quando se descobre o que escondem falam com um descaramento que até parece que têm razão, daquilo que poderemos chamar de ações propositadas de vigarizar o país. Quer sejam os políticos deste governo (ministros, secretários de estado,…), quer sejam os assessores e o próprio presidente da república têm mostrado que existe uma promiscuidade entre estes e o setor bancário, levando ao recebimento de mais-valias, empréstimos, com ganhos que não conseguem explicar. Senhores tenham vergonha dos portugueses que vivem com muitas dificuldades para terem o mínimo de subsistência.(JN 16/08/2013)

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Crónicas do meu Verão: A economia míope do Governo



Foi muito interessante hoje o comentário, na SIC, do jornalista José Gomes Ferreira. Primeiro, houve um elogio entusiasta ao Governo e ao crescimento do PIB, neste semestre - até aqui nada de novo e, de facto, é um indicador positivo inverter-se a tendência de crescimento negativo, e o ter-se verificado um aumento das exportações. 
Mas o apresentador do Jornal da SIC, José Bento, fez então uma simples pergunta :
- Então e as pessoas que perderam o emprego ou viram reduzido o seu salário? A resposta de Gomes Ferreira foi que o Estado dará apoios sociais a estas pessoas.
Por outras palavras: o emprego, em si, não é um objectivo, a melhoria do nível de vida das populações não é uma meta. Se aumentarmos as exportações, tudo estará bem, mesmo que tenhamos um absurdo nível de desemprego que ronda, perigosamente, os 17%. 
Pergunto: uma Economia não tem de ser vista na globalidade ? O Bem-estar da população, a existência ou não de emprego, não são objectivos centrais em qualquer Economia ? Sobretudo numa tão pequena e periférica como a nossa. 
Eu bem sei que é maravilhoso empunhar estatísticas como uma bandeira ? Mas ... e as pessoas .... a sua vida ... o seu salário ... o seu emprego ??? São questões menores ???
A Economia, gestão, produção e redistribuição dos recursos, é apenas uma máquina de fazer negócios e de exportar produtos ? 
Era bom que o Governo e os comentadores eufóricos que o defendem, olhassem nem que fosse uma só vez para o seu povo, em vez de continuar a ver , com uma distorção míope, um crescimento que não se traduz em desenvolvimento social e económico dos portugueses. 

Rui Marques

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Crónicas do meu Verão: A Odisseia do Guerreiro pelo Alto-Minho



Só faltava uma Penélope, a bordar em casa, cândida e doce, à espera do seu guerreiro. Mas ontem fui Ulisses: atirei-me à estrada, aos caminhos, aos atalhos, aos parques, às Vilas, fiz cerca de 10 quilómetros e regressei, saciado, das minhas aventuras e desventuras predestres. 
Ontem Ulisses/Rui Marques começou a sua particular Odisseia em Vila Praia de Âncora. Caminhei, lenta e seguramente, até Moledo, essa localidade encantadora à qual gosto de voltar para sentir a ventania suave da manhã, e muitas vezes, provar os doces que reluzem nas pastelarias e cafés e encantam o paladar. 
Depois desta ténue e indolor etapa, começaram a surgir os Monstros - como na clássica viagem do herói grego. O primeiro foi a estrada, quando deixei Moledo e me adentrei, cautelosamente, no asfalto da estrada - embora fosse a via mais rápida para chegar a Caminha, prefiro o declive dos caminhos, a rusticidade dos atalhas a esta cobra esticada cor de chumbo, de onde, à minha esquerda, disparavam camiões, Autocarros, automóveis como se fossem balas perdidas a apontar a um desamparado alvo humano. 
Adentrei-me, ao fim de uns quilómetros, em Caminha. Caminha, Terra de Sidónio Pais, o Presidente -Rei como lhe chamava Fernando Pessoa, o carismático Presidente da República que criou a Sopa dos Pobres, e que morreu baleado na Estação do Rossio, em 1918, a 5 de Dezembro de 1918 no rescaldo da contestação social pelo massacre das tropas portuguesas na Batalha de La Lys. 
Caminha, Vila antiga com a inconfundível Torre do Relógio, que constitui a única Torre que sobreviveu da Vila primitiva. Funcionava como Torre de Menagem e nela estava inscrita a pedra das armas ( símbolo da autoridade régia) e uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, doada pelo rei D. João IV de Portugal, no seguimento da Guerra da Restauração - o sino do relógio foi incrustado na Torre em 1610. 
Após uma passagem pela Biblioteca de Caminha, onde além dos recursos habituais, encontramos por exemplo, um espaço onde podemos ver miniaturas que reproduzem objectos da antiguidade romana e pré-romana, mapas e informações sobre os nossos ancestrais parentes e o modo como povoaram e viveram no Território minhoto. 
Visitado o Templo das palavras, rezado às Musas do saber, lidos os jornais e vista esses novos augúrios que agora, não se encontram na predição dos augures ou dos profetas, mas nas páginas da Internet, Ulisses retomou o caminho. E aqui chegou o segundo Monstro que se revelou benévolo - descobri-o no Parque da Foz do Minho, nos Pinheiros que mexiam as extremidades com um desassombro sobre-humano - eu passava, pobre criatura que teme que os Deuses desabem sobre a sua cabeça, por entre essas criaturas diabólicas e belas, que me faziam lembrar as árvores que as Bruxas profetizam que se erguerão para destruir Macbeth - numa das obras-primas de Shaekspeare - e que acabam por ser usadas, com inteligência pelos inimigos do usurpador do Reino da Escócia, para cercar o seu Castelo e levá-lo à loucura. 
Passado o Bosque encantado dos Pinheiros gigantes, Ulisses banhou-se em Moledo. Enfrentou  o Vento furioso e as areias pegajosas que se colavam à sua roupa como lacras ou parasitas. 
Depois empreendeu o regresso a casa. Mais uns dois, três quilómetros e chegou. 
Só faltava Penélope, semi-deusa espreguiçada na cama, de braços abertos e lábios sedutores, no leito do Herói. Ulisses tinha feito a sua particular Odisseia, mais uma, no Verão de 2013. 

Rui Marques

Crónicas do meu Verão: Pimbódromo na RTP


"Em Playback é que tu és bom, a cantar sem fugir do tom, em Playback, em Playback" - cantava o saudoso Carlos Paião, ele que tantas vezes actuou na RTP e representou Portugal no Festival da Eurovisão. Mas claro, o Carlos Paião era um cantor a sério, não tinha nada a ver com a Fauna de artistas Pimba que a Televisão "Pública", indecorosamente, promove de manhã à tarde, em insuportáveis programas de entretenimento. 

Neste Verão, só vi o Vitorino em Ponte de Lima e a Syriana - uma jovem cantora de Braga, muito interessante - de resto abundam os Pimbas novos e velhos, com letras horrendas e o inevitável Playback, que nem sequer é disfarçado. 
Já não é o Sambódromo. É o Pimbódromo da RTP. 
Pior que tudo é  a " nova Geração" Pimba. Temos, por exemplo, um Saul recauchutado, de lábios grossos e ar ainda mais boçal, a mexer a boca como um boneco enquanto os apresentadores deliram, temos uma quantidade imensa de novos valores a despontar no Concurso " A minha letra é mais cretina que a tua", ou meninas, como a que estou a ouvir, que repetem êxitos de Verão em espanhol. 
Só falta uma coisa neste Festival Pimba. E se o Governo nomeasse outro Grupo de trabalho para discutir como piorar ainda mais o entretenimento da RTP ? 
Que tal resgatar o Macaco Adriano, essa glória do Lixo televisivo e do Big Show SIC , para apresentar o Pimbódromo ? E já agora um casal de macacos, Adriano e Adriana, que podem copular em directo, acompanhados por um cantor Pimba a fingir que canta uma música de acasalamento. 
Meninos e Meninas, venham ver o pior espectáculo do Mundo. O Pimbódromo da RTP !!!

Rui Marques

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Paulo Portas em 1993 - Eu disse isso?

São conhecidas várias frases (mais ou menos) populares que nos dizem muita coisa, e uma delas é "em política nunca digas nunca", e outra é "nunca digas dessa água não beberei". Descobri hoje declarações de Paulo Portas feitas em 1993, num programa com Herman José, Zita Seabra e outros, em que diz "no dia em que um amigo meu chegar ao poder, eu passo-me para a oposição". Acontece que desde há anos Paulo Portas não só tem amigos no poder como o próprio também lá está. Estas declarações poderiam ter sido evitadas? Claro que podiam. Paulo Portas, para ser coerente, poderia ter evitado ir para o poder? Claro que podia. Mas não fez nada disso, antes pelo contrário, disse e fez o que melhor lhe apeteceu em cada momento.

Miguel Torga








 Miguel Torga (escritor)
São Martinho da Anta.12.Agosto.1907-Coimbra.17.Jan.1995

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, nasceu ainda no tempo da Monarquia em São Martinho da Anta, Vila Real. De uma família de lavradores e almocreves transmontanos, a paisagem e a infância rurais marcaram-no e determinaram o seu gosto de andarilho. Foi a fidelidade à terra e a valores patriarcais que venceram tanto a tentação cosmopolita como a tendência de intelectual estrangeirado.
Matriculado em Lamego no Seminário acabaria por desistir por não querer seguir a carreira eclesiástica e, adolescente, partiria para o Brasil, para casa de um tio onde trabalhou na fazenda. Voltou cinco anos depois já preparado para prosseguir os seus estudos que entretanto tinha iniciado ainda no Brasil por insistência do seu tio que via nele um jovem inteligente. Terminado o liceu matriculou-se na Faculdade de Medicina de Coimbra em 1928 onde tirou a especialidade de otorrino estabelecendo-se depois em Coimbra, rendido aos seus encantos, atraído pelas livrarias, cinema e tertúlias literárias numa cidade povoada por estudantes universitários.
Desde os seus tempos de juventude colaborou em várias revistas tendo ajudado a fundar duas, o “Sinal” e “Manifesto”. Colaborou na “Presença” e “Revista de Portugal” de Vitorino Nemésio. A partir daqui decide confiar os seus pensamentos exclusivamente ao seu “Diário” que, pela sua extensão (1941/1994) e dramática fundura humana, contém alguns dos seus mais belos poemas. Depois de o “Diário”, “A criação do mundo” explora o filão autobiográfico e onde demonstra a sua rebeldia conta as injustiças e abusos de poder tecendo críticas ao franquismo que motivaram a sua prisão pelo regime. “Vindima” foi o seu único romance que relata a vida dos vindimadores do Douro, obra de carácter bastante humanista que relata a vida difícil das gentes do Douro e a sua labuta diária de como que criação de um mundo esplendoroso merecedor de todos os louvores e cânticos à sua beleza natural, moldada por mãos rudes mas humildes. O homem como criador e propagador da vida e da natureza, o homem rural com quem Miguel Torga teve um convívio permanente seja nos tempos de juventude seja mesmo enquanto médico, esse homem e não uma qualquer divindade é que era merecedora dos louvores de admiração. É no conto, o género mais próximo da poesia, que Miguel Torga atinge um lugar cimeiro na Literatura Portuguesa. “Bichos” (1940), “Contos da montanha” (1941), “Rua” (1942) e “Novos contos da montanha” (1942) ilustram o dom do autor par breves histórias de temática moral. O mais ambicioso e mais orgânico livro de poesia “Poemas Ibéricos” (1952) tem um rasgo épico a que não será alheia a lição de a “Mensagem” de Fernando Pessoa.
Mais de uma vez candidato ao Nobel, prémio que nunca viria a ganhar, foi no entanto merecedor de vários prémios tais como o Prémio Camões em 1989 e Prémio Montaigne em 1981 e, em 1992, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.
É uma das figuras mais marcantes da Literatura Portuguesa do Séc.XX.

sábado, 10 de agosto de 2013

SIMPLES COINCIDÊNCIA?


A desilusão
Vasco Pulido Valente
Edição Público Lisboa
ago 9 2013

ODiário de João Chagas, publicado postumamente depois do “28 de Maio”, é um dos melhores livros de memórias políticas de uma literatura que não se distingue no género. Chagas tinha sido um dos participantes na tentativa de revolução de 1891, degredado... leia mais...





Na edição de 9 de Abril de 2013 do jornal "Público" em que foi publicada a minha "Carta" sobre "Já cheira à I República", o conhecido colunista Vasco Pulido Valente publicou um artigo sobre o mesmo tema, comparando a actual República, com a I República. Será uma simples coincidência, ou de facto se confirma a deriva em que o nosso País está a mergulhar? Já passaram mais de 39 anos, do dia em que tudo nos foi prometido, e o que temos hoje é uma Justiça indigna, partidos que pouco mais são do que uma corja, o serviço público é cada vez mais desconsiderado e desprezado, a corrupção nunca foi tão grande, a falta de respeito por toda a forma de autoridade, desde um simples professor até uma qualquer farda, nunca foi tão grande, a ética e os mais elementares princípios do pudor e da decência humana nunca foram tão baixos, a insegurança de pessoas e bens é brutal e há no ar uma desagradável sensação de incerteza sobre o futuro do País. Pouco faltará para muitos começarem já a pedir uma qualquer forma de ditadura razoável, competente e séria, para trocarmos esta "democracia", em que votamos de 4 em 4 anos, para eleger uns quantos indivíduos das "nomenclaturas" partidárias, que no próprio dia da votação nos cospem em cima, com o maior desprezo pelas promessas eleitorais quebradas. Democracia com este povo, só resulta em anarquia, corrupçao e insegurança de pessoas e bens. Haja alguém que nos governe! Os únicos períodos em que tivemos desenvolvimento foi em ditadura, monarquia ou na II República, ou Estado Novo, como preferirem. Triste sina, só lá vamos com o cacete brandido!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ser político é a melhor profissão neste País

Agora estou numa de provérbios. Cá vai mais um...
"Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte". E é bem verdade. Este provérbio vem bem a propósito do que acabo de ler na revista da imprensa de hoje, acerca dos cortes nas reformas que deixam políticos de fora...Quem bom, que ser político neste país. O "Jornal i", escreve na sua edição de hoje, que passo a transcrever com a devida vénia, o seguinte..."Deputados há mais de 12 anos e ministro e secretários de Estado até 2005, ficam a receber o mesmo que até aqui,"mais adiante diz, que "as subvenções vitalícias pagas aos políticos não estão contempladas na proposta de lei que prevê a convergência entre os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações e a Segurança Social. Ou seja, todos os deputados que estiveram no Parlamento durante mais de 12 anos ou membros do Governo que exerceram cargos até ao final de 2005 continuam a receber o mesmo que agora". E, é assim que estamos a ser des(governados)e desfraldados, por uma nova classe profissional, que são os "polítiqueiros" deste "burgo", que sem qualquer escrúpulo e respeito pelo cidadão, que os elege para o poleiro que eles tanto amam, o atraiçoa e cobarde mente nas costas desse mesmo cidadão o apunhala, sem dó nem piedade, aprovando leis que só os vem favorecer, a eles políticos. Mais uma medida a favor deles a juntar a tantas outras. Quando são anunciadas todos os dias, medidas drásticas para o "zé-povinho", quando todos os dias somos ameaçados com o desemprego, com a fome, com aumentos de impostos (coisa que o nosso "primeiro-Coelho", que em plena campanha eleitoral,mentiu ao afirmar solenemente, que não iria, aumentar os impostos), com os sucessivos cortes disto e daquilo,e, eles no seu melhor, aí estão, anafados e bem dispostos e prontos a sugar o pouco que ainda resta. Que exemplo de cidadania podem eles dar?. Que respeito podem eles merecer?. Nenhum. Já alguém ouviu falar que o número de deputados iria ser reduzido face às dificuldades económicas-financeiras, do país e que iriam para o desemprego, como fazem a milhares de trabalhadores?. Não. Sinceramente que esta classe de "gentinha" já me começa a meter um certo nojo. 


Mário da Silva Jesus

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

JÁ CHEIRA À PRIMEIRA REPÚBLICA...


Na I República, sem as tecnologias de agora, para sabotar ou derrubar um governo eleito, era precisa a força física. Umas lambadas, uma facada ou um tiro, mesmo na via pública, como houve muitos, quando era necessário neutralizar um adversário. Disso, os velhos defensores das "excelsas liberdades" dessa República, não gostam de falar... Agora a coisa fia mais fino. Estamos num regime finalmente "democrático", por isso vasculha-se até ao tutano o CV de um político, e à mais pequena "imparidade", fora com ele. No caso mais vertente, como já teve a coragem de salientar o Doutor Miguel Beleza, foi um exagero o que tramaram com o agora ex-Secretário de Estado do Tesouro. Foi 17 anos quadro superior de um Banco Estrangeiro, em que a sua especialidade, a partir de certa altura, foi promover a venda de contratos "swap". Ora, a actual Ministra das Finanças, numa decisão pelo menos lógica (agora já não sei se sensata), escolheu para SET uma pessoa com conhecimentos bastantes dos "dois lados da barricada", para renegociar os restantes contratos com a Banca Estrangeira. Está provado, por ser matéria de facto, que nem o ex-SET, nem o Banco que representou, violou a Lei ao negociar com o anterior governo aqueles contratos. Ficaram todos muito chocados pelo facto de poder defender interesses diferentes, ao fim de vários anos? Então os Advogados não defendem alegados bandidos e inocentes? Actualmente ainda, e durante os últimos 40 anos, não foi possível assistir a Ministros que rapidamente transitaram para empresas privadas, com quem haviam negociado antes contratos muito vultuosos? Isso faz deles pessoas desonestas à partida? Se há quem com alguma razão, se queixa de os actuais governantes não terem a experiência necessária ao desempenho destes altos cargos, então agora com todo este crivo de exigências e intolerâncias, só lá iremos com meninos acabados de sair da Universidade, sem experiência alguma. E isso aproveitará a alguém? À imprensa, que como piranhas devora tudo o que encontra à frente? Aos partidos da oposição, designadamente os que nunca serão governo pelo voto? Ao povo e à classe média é que não certamente, pois cada governo que é "atropelado" e cai, os credores elevam cada vez mais alta a fasquia do chamado "ajustamento", expressão que tem tanto de sinistra como de inexorável... É caso para dizer, deixem o governo (este ou outro qualquer) governar, bem ou menos bem, sempre é melhor que ficarmos num pântano de indecisão.

Obs. Publicado parcialmente no jornal "Público", na sua edição de 9/8/13.

Será que Paulo Portas faz o que diz?

No seguimento do pedido de demissão que o ministro das finanças Vítor Gaspar apresentou ao primeiro-ministro Passos Coelho, também Paulo Portas seguiu o mesmo caminho, embora com argumentos e motivos diferentes – o primeiro porque chegou à conclusão que as premissas tidas como correctas para ultrapassar a crise, estavam – afinal – todas erradas, e o segundo invocou “imperativos de consciência” para tomar a sua decisão “irrevogável”, acrescentando que tem sido ignorado por Passos Coelho. Como hoje já se sabe, esta palavra - talvez de acordo com algum novo acordo ortográfico - passou a ter validade de cerca duas semanas, com ganho acrescentado de mais pastas no poder por parte do CDS/PP. Paulo Portas tem em cima da mesa mais um teste à sua “palavra dada”, e que se relaciona com a penalização sobre o corte de 10% nas pensões da CGA. Ou seja, em Maio passado, o então ministro dos negócios estrangeiros, declarou que “esta é a fronteira que não posso deixar passar”. Agora só resta esperar para ver se o teor dessas declarações são irrevogáveis, ou se têm o mesmo valor do que foi escrito no recente pedido de demissão. Dinis Evangelista

Nicolas Ray.




Nicolas Ray (realizador)
 1911. Agosto.7 – Gallesville, Wisconsin, EUA / 1979.


De seu verdadeiro nome Raymond Nicholas Kienzle, Nicolas Ray começou por estudar arquitectura tendo posteriormente trabalhado no teatro e cinema onde se estreou como assistente de Elia Kazan. Dirigiu o seu primeiro filme, “They live by night”, em 1948 onde retratou a delinquência juvenil, que se tornaria num dos seus temas preferidos. A inquietação e inadaptação dos jovens no período pós-guerra retratados como heróis frágeis que tentam sobreviver num mundo de violência mas onde as paixões também têm o seu lugar. “In a lonely place” de 1950 inaugura uma época de ouro na sua carreira de director de cinema. Neste filme Ray dá-nos a história de um cínico argumentista acusado de homicídio. Mais tarde surge o seu primeiro filme a cores. “Johnny Guitar” (1955), um western com Joan Crawford, é de forte cariz psicológico, onde o realizador utiliza as cores e explora o fundo as potencialidades cromáticas. Seguem-se dois westerns mais convencionais, “Run for cover” (1955) e “The true story of Jesse James” (1957). Em 1955 realizará “Rebel without a cause”, o seu filme mais popular, com o seu actor preferido. James Dean a interpretar o papel de alguém que se sente confuso e angustiado no período pós-guerra. Num dado período serão actor adultos abandonados que tomarão o papel das personagens nos seus filmes, como James Dean e o seu rosto de criança, Sterling Hayden de “Johnny Guitar”, Humphrey Bogart e Robert Ryan. “Bigger than life” (1956) é um dos seus filmes mais amargurados. Ray usa mais uma vez o décor e as cores que espelham a profunda perturbação que se esconde sob a aparente tranquilidade da América profunda.

Dono de um talento genuinamente cinematográfico que lhe granjeará mais admiração na Europa, através de alguns realizadores da Nouvelle Vague francesa como Eric Rhomer e Jean-Luc Godard, do que nos Estados Unidos, a obra de Nicola Ray é uma análise de solitários marginais e violentos que a sociedade não conseguiu integrar. A sua última aparição no cinema foi num papel no filme de Wim Wenders em “O Amigo Americano” de 1977.