quarta-feira, 31 de julho de 2013

Lisboa em tempo de guerra - uma exposição a não perder


A cidade de Lisboa ganhou um novo e belo espaço para exposições. Trata-se do Torreão Poente no Terreiro do Paço, onde até 15 de Dezembro pode visitar a exposição “A Última Fronteira – Lisboa em Tempo de Guerra”. Esta cuidada mostra, que é sobretudo documental mas reunindo também alguns artefactos, mostra-nos Lisboa nos anos da II Guerra Mundial e que era ponto de chegada de muitos refugiados judeus (e não só) e principalmente rota de passagem para a América. A par dos diversos painéis fotográficos podemos ir lendo testemunhos de muitos escritores que passaram por Lisboa, como é o caso, entre outros, de Saint-Exupery, Erika Mann, Heinrich Mann, Alfred Döblin (autor do superlativo Berlim Alexanderplaz) e Arthur Koestler. Koestler, que escreveu o soberbo O Zero ou o Infinito, esteve alojado na Pensão Leiriense em Lisboa onde foi protagonista de uma tentativa de suicídio. O relato da sua passagem por Lisboa está contido no livro Arrival and Departure que, infelizmente, nunca foi traduzido para português. (Lanço um desafio aos nossos editores: não seria uma boa altura de editar em português os relatos destes e outros escritores sobre a sua passagem por Lisboa durante este conturbado período?) Na exposição podem ver-se também fotos da Exposição do Mundo Português, inaugurada em 1940, tiradas por um jovem que mais tarde viria a ser um arquitecto de renome: Nuno Teotónio Pereira. Um conjunto de curtos filmes sobre o quotidiano de Lisboa durante a Guerra completa esta pequena mas importante exposição. Entretanto, não perca as vistas: dos janelões do Torreão pode admirar a estátua de D. José e do Arco da Rua Augusta, ambos reabilitados, bem como contemplar a beleza da cidade a trepar para o castelo e debruçar-se sobre a mansa ondulação do rio Tejo a afagar o cais das colunas.

João Ferreira

terça-feira, 30 de julho de 2013

Quem não deve não teme

Efectivamente é um proverbio que se adapta na perfeição ao que se está a passar em relação às férias de verão de quatro políticos, (três deles bem conhecidos da nossa “praça” e o quatro um ministro da “estranja”), que estão regaladamente a usufruir no nosso paradisíaco Algarve. Não. Não cito nomes dos políticos que têm esse privilégio, não porque tenha qualquer medo de represálias, mas porque considero e julgo que assim é melhor e despertará alguma curiosidade acrescida aos leitores. Não, não se trata de nenhum concurso de adivinhação, nem têm que ligar para um qualquer 760……… de valor acrescentado, mas assim torna-se mais engraçado, puxar pela imaginação daqueles de me lêem.
Mas, coitadinhos, penso eu, que raio eles também têm igualmente todo o direito a uns dias de descanso, depois de um ano de trabalho, aliás quero dizer, a um ano sempre a lixarem-nos com aplicação de medidas e mais medidas de austeridade que não sabemos onde vamos parar.
Medidas de austeridade, várias, o que nos tem levado, ao ponto da tanta miséria em muitos lares, e que somente são aplicadas ao “zé-tuga”. Porque para os restantes cidadãos, leia-se políticos isto é tudo à "fartazana".
Acontece, porém que, na “vilória” onde habito, nunca se vê um polícia de serviço e era bem necessária a sua presença, pelo menos para causar respeito e controlar devidamente a área. 
Em contrapartida, para guardarem e vigiarem os ditos quatro políticos, nas suas férias, foram mobilizados cerca de 100 elementos da PSP e GNR.
Pergunto eu, então eu nunca vejo polícias na minha rua, ou noutra rua qualquer, porque não os há em número suficiente, dizem eles, os responsáveis, logo para guardarem os “figurões politiqueiros”, foram mobilizados tantos agentes? Porque será?
Não têm a consciência devidamente descansada, que é necessário tanta segurança?
Sempre ouvi dizer “quem não deve, não teme.



Mário da Silva Jesus

Quando tudo parece ficar pior!


Quando tudo parece ficar pior!


De repente,  por certo tantos de nós já nos demos conta disso, de estar a pensar- ainda pensamos, apesar de tantos quererem que o não façamos - que isto vai de mal a pior!

Já não chega dizerem-nos que vivemos acima das nossas possibilidades! Já não chega dizerem-nos que a troika até é muito boazinha. Já não chega dizerem-nos que um dia iremos melhor ficar. Não. Nada disto resulta.

Só temos que saber querer pensar e sentir o que vai connosco, com os que nos estão próximos e sentir as Pessoas. Sem filtros, sem noticiários. Nada disso, ver a nossa vida e a dos outros.

Vemos  imensas pessoas nas ruas a horas desencontradas, com ar de desnorte, dado estarem em tempo e idade de trabalhar e não terem como o fazer. Vemos gente em filas de supermercados a contar os cêntimos para comprar produtos essenciais, de linha branca. E não conseguem! Vemos velhos em desespero na farmácia a comprar metade dos medicamentos de que necessitam, dado que o dinheiro não chega. Vemos jovens com ar de desanimo. Não têm emprego, não sabem se o virão a ter. Gostavam de fazer-se à vida e não têm como. E nao terão todos que emigrar, ainda têm cá raízes!

Sentimo-nos desanimados por muito que animados queiramos poder / dever estar.

Não vemos quem tem "direito e dever"  a intervier muito no Poder, a outorgar reflexões de que vai fazer melhor do que ontem, não, antes pelo contrário, a certeza com que ficamos é que com "estes" isto não vai mudar, dado que não sentem o país real, nem estão interessados em o sentir. Mas, as oposições também não são a alternativa, dado que não sabem dar a volta ao problema, e se estivessem no posto de "estes" seriam iguais. Isto ninguém duvida, uma vez que se duvidas houvesse, seria possível ir a eleições, e não é. Ficaria tudo na mesma ou pior. Mesmo que com os outros partidos políticos!

Claro que partir tudo, para tudo do zero reconstruir, nem pensar, mas viver nestes deslizamento para cada dia pior, não é solução.

E enquanto a Justiça não funcionar de facto e castigar de facto, alguns dos senhores que já deveriam, ter sido, faz tempo, castigados por nos prejudicarem como País e como habitantes do mesmo.

Enquanto não houver total transparência em tudo, no "ser e parecer" de todos os políticos.

Enquanto não se falar menos e se disser bastante mais. Enquanto, toda - quase toda - a nossa comunicação social se deixar de arranjar noticias escaldantes dia após dia e parar, para pensar, pensando bem mais e melhor,  o que vai noticiar.

Enquanto não deixar de haver animosidade entre gerações velhos e novos.  Entre empregados e desempregados. Entre doentes e cheios de saúde.

Enquanto o individualismo não for suplantado por trabalho em equipa, por vontade de cooperar uns com os outros.

Enquanto a necessidade de sermos pontuais, não for primordial, respeitando-nos e respeitando o outro.

Enquanto não mudarmos todos, e muito, isto não vai melhorar, vai piorando a cada segundo que vai passando.

E parece não haver esperança de ficar-se melhor. É tremendo, e está na vontade de cada um de nós de fazer melhor...os outros não fazem! Está visto. Os que prometem, não podemos contar com eles! Façamos todos, todos, por nós, pelos nossos concidadãos, pelo País.

Augusto Küttner de Magalhães

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Passos Coelho e o seu duplo

O primeiro ministro Passos Coelho declarou este fim de semana que "não quer aumento de impostos" e que "a economia não se recupera aumentando impostos". Tendo em conta que os impostos sofreram forte agravamento desde que este governo tomou posse, estas declarações não deixam de ser caricatas, ou mesmo ridículas, para não dizer cómicas. Ou será que Passos Coelho é ele e o seu duplo? Ou seja, por um lado aumenta os impostos, mas por outro discorda. Ocorre-me uma rábula de revista, tão bem protagonizada por Ivone Silva, sobre a contradição que havia entre a Olívia costureira e a Olívia patroa. Ou seja, será que Passos Coelho concorda e discorda de Passos Coelho? Será que Passos Coelho está contra a política de impostos de Passos Coelho? Seja como for, e não obstante haver cada vez mais portugueses a discordarem do aumento de impostos deste governo liderado por Passos Coelho, estou em crer que também Passos Coelho venha um dia destes a insurgir-se - quiçá na rua - contra o aumento de impostos decretado pelo governo de Passos Coelho. Dinis Evangelista - Queluz

Relembrar a memória de um grande actor



Nunca será demais relembrar a memória de António Jorge Peres Feio, que nasceu em Lourenço Marques, 6 de Dezembro de 1954 e faleceu em Lisboa, a 29 de Julho de 2010, faz hoje precisamente três anos, que o vimos partir, um dos maiores talentos do teatro. Grande actor e encenador português. Estreou-se aos onze anos no teatro, com a peça de Miguel Torga, O Mar, dirigida por Carlos Avilez, no Teatro Experimental de Cascais. Começa cedo a aparecer na televisão e no cinema, participando em folhetins na rádio e campanha publicitárias. Ao longo da sua carreira, para além do teatro, fez televisão, cinema e rádio, traduções e muitas dobragens. Mantinha-se na rádio com uma crónica humorística na TSF.
Um dos maiores êxitos, para além do teatro foi a televisão, que mais o popularizou em pareceria com outro grande actor José Pedro Gomes, na “Conversa da Treta”.
Enumerar as diversas companhias de teatro que fez parte ao longo da sua carreira não é tarefa fácil.
 Em 27 de Março de 2010, foi condecorado pelo Presidente da República, com o grau honorífico de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

"Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros!!. 
"Não deixem nada por fazer, nem nada por dizer..."

 Frases deixadas por António Feio, que podemos muito bem reflectir um pouco


Mário da Silva Jesus  



domingo, 28 de julho de 2013

Papa Francisco e a Jornada Mundial da Juventude

Eis o que resumi, acerca da viagem do Papa Francisco a Terras de Vera Cruz:

No pronunciamento de Sua Santidade, o Papa Francisco, em Copacabana, no Rio de Janeiro, Brasil e Terras de Vera Cruz, em 27/7, a JMJ – Jornada Mundial da Juventude, composta por uma multidão de cerca de três milhões de fiéis peregrinos, bendisse e glorificou a Jesus Cristo Redentor e Ressuscitado, através da presença do sucessor de Pedro, o qual, no meio da turba, os ouviu com belos testemunhos de vida e de fé, lhes falou e os abençoou, numa Vigília Papal que ficará para sempre no coração de todos os homens de fé e de boa vontade, uma vez que esta vida de partilha é e será o limiar da plenitude da nossa eternidade.

José Amaral

A política e o jornalismo. Ambos a ter que melhorar!

Por vezes as verdades incomodam-nos, por serem verdades, por serem difíceis de aceitar, e por termos que fazer um esforço – se nelas não colocarmos filtros, para não acreditarmos – para mudar.

Mais ainda num tempo que tantas mudanças de fundo em todos os lados são-nos indispensáveis, mas, não passam ainda, de letra morta. Tudo, tanto, é necessário mudar, tudo, tanto, fica ainda mais na mesma. É difícil mudar.

A política que não só no nosso País, tem vindo num decrescendo de qualidade assustador, e sem dúvida os políticos têm vindo a baixar de nível, como não se imaginaria há 20 anos.

Por certo isto não é novidade para ninguém – se calhar nem para os próprios, se não andarem iludidos - e constata-se a cada dia que passa, a cada aparição que têm – qualquer um - a avanços e recuos sem a mínima cabal explicação, e com excessiva naturalidade. Tudo pela espuma da existência.

Disse «União Nacional»?

Passos apelou a "um acordo e convergência de objectivos com o PS para além da actual legislatura de modo a conseguir um clima de união nacional". Seguro respondeu que não gosta da expressão "união nacional", por estar "associada a um dos piores períodos da história do País". De facto, Passos com a idade que já tem, e apesar de não ter vivido o tempo do Estado Novo, já deveria saber que há palavras que Salazar adoptou há mais de 50 anos, que ficaram como que estigmatizadas, e quem as usar é de imediato atacado como se fosse um perigoso fascista. Seguro apenas respondeu com o politicamente correcto dos nossos tempos. Ou seja, reduzir o consulado de Salazar a 48 anos de nada. Os seus detractores, grande parte ainda vivos, não conseguem, por incómodo ou vergonha, assinalar sequer a grande obra que o ditador realizou nos primeiros 20 anos do seu regime. A restauração da ordem nas ruas, a segurança de pessoas e bens, a consolidação das contas públicas com o pagamento da dívida, os orçamentos equilibrados e excedentários, o arranque da Economia, o desenvolvimento, enfim. Foi feito à custa de liberdades que a I República havia prometido e desbaratou em anarquia, assassínios políticos e desordem pública. A ordem que Salazar restaurou foi desejada pelas Forças Armadas que lhe entregaram todo o poder, e pelo povo, que estava farto de desordem. Essa parte, bastante importante, os "democratas" de hoje, como Soares e Seguro, ignoram e nunca mencionam sequer. Não é por ignorância, mas sim desonestidade intelectual. Se Salazar tivesse abandonado o poder em 1950, depois de numa luta hercúlea ter conseguido salvar o País de intervir na terrível II Guerra Mundial, ainda hoje seria recordado como um dos maiores estadistas do País. Só quando a geração que apeou o seu regime pelas armas, que ainda está viva, desaparecer toda, então se fará a verdadeira e justa história do regime, que como toda a obra humana, teve coisas más, mas também teve coisas boas. Mas não precisamos de esperar tanto, para conhecer a verdade com isenção e estudo. Podemos ignorar historiadores parciais, como Franco Nogueira, que foi Ministro do regime, ou Fernando Rosas, por ser da extrema esquerda. Mas Filipe Ribeiro de Menezes, formado e doutorado em História no Reino Unido, com a sua magnífica obra "Salazar", dá-nos um excelente testemunho do bom e do mau do regime e do homem que o criou. A não perder.

sábado, 27 de julho de 2013

O cheiro da 'peste negra'

Que me dizem?

As remodelações havidas no remendado e mal cozinhado governo de uma coligação que coexiste numa tripartida comunhão de adquiridos (CDS+PSD+PR) dá que pensar, tira-nos o sono, todos os sonhos e o pouco que ainda tínhamos.
Basta atentarmos para um título garrafal vindo na nossa Comunicação Social, para ajuizarmos a ‘peste negra’ que se abateu sobre o nosso querido e mal gerido Portugal:
A CRISE SOCIAL LEVA PRESOS A RECUSAR A LIBERDADE, porque não sabem como viver depois de soltos.
Mas, vamos continuar na senda dos novos recrutamentos: desde aquela ministra que diz não saber o que outros dizem ter sabido há muito, até aquela figura grada que por tal é cognominada de barão, mas que também fez parte dos quadros de um grupo de malfeitores que controlava a instituição de crédito onde foram praticados gravíssimos crimes de lesa pátria por parte da sua administração, passando por branquinho secretário que ‘branco mais branco não há’, uma vez que, quando era deputado, teve a desfaçatez de, na AR, perguntar o que queria dizer a sigla ONGOING, para logo de seguida ir fazer parte dos quadros da mesma.
Portanto, perguntamos: comentários para quê, se tudo cheira tão mal?

José Amaral

sexta-feira, 26 de julho de 2013

novos governos

Desde que o louco D. Sebastião resolveu vingar como mata-mouros real em Alcácer-Quibir, forçados fomos a esperar por alguém saído dum frondoso nevoeiro que nos empurrasse para a abastança. Entretanto, tivemos vários D. Sebastiões. Cavaco, por exemplo, continua a ser, para muitos, um deles. O sr. Borges, outro, agora merecidamente desaparecido. O último parece ser Pires de Lima. E ele parece que gosta do cargo real. Ao contrário da maioria da opinião publicada (começa a cansar ler os jornais), não consigo entrar na onda. Nem simpatizo, nem antipatizo. É, simplesmente, mais um para quem o ser um ex-ministro lhe fará, decerto, muito jeito.

IRC



"Na página on-line do Diário de Notícias de hoje dia 26 de Julho, lançou este jornal, um inquérito aos leitores, muito bem apropositado aos dias de hoje, cuja pergunta era a seguinte; “Acha que a descida do IRC é suficiente para relançar a economia?”. Não. Não e como tal vou de decerto modo criar alguma polémica acerca deste tema, estando plenamente ciente do que estou a afirmar, pois, efectivamente a descida do IRC, em nada vem contribuir para relançar a economia, uma vez que infelizmente os nossos empresários fogem aos impostos, sendo que a maioria deles, têm a cultura do verdadeiro “tuga”, quando menos imposto pagarem, mais rápido enriquecem.
Portanto não vejo que com a descida do IRC, haja mais incentivos a ser relançada a economia. Porque infelizmente pertenço a um País, onde os nossos empresários entre muitas artimanhas, são useiros a fugiram ao pagamento de impostos."




Mário da Silva Jesus

Portugal.

(Obra gráfica de João Abel Manta)

Portugal. É um país, apesar de muitos o negarem. Tem fronteiras seculares, tem hino, tem uma Constituição, tem uma Assembleia da República, tem Tribunais de todos os géneros e feitos, tem mar, serras, planícies, rios de todos os caudais, festas e romarias, tem fado e futebol. E tem Cavaco Silva, o Presidente.

Como pode nascer uma tese

 
Um livro pode mudar-nos a vida. Pelo menos, é capaz de fazer-nos mudar de direcção!
Estava eu a fazer um trabalho de investigação, no curso de mestrado, sobre azulejos na cidade de Aveiro, algo que «aparentemente» nada tem a ver com a (minha querida) música quando... folheando um livro sobre a temática - não me lembro qual, mas hei-de descobrir -, encontro no meio de uma imensa lista bibliográfica, este belíssimo livrinho de pouco mais que cinquenta páginas.
Raul Lino - o mais "musical dos nossos arquitectos", segundo o professor e arquitecto Pedro Vieira de Almeida (1933-2011) - tinha, na música, a sua "segunda natureza" (José-Augusto França).
A partir desse dia deitei para "trás das costas" os azulejos (já tinha praticamente uma tese com este trabalho) e, felizmente, encontrei o tema que procurava para tese mestrado!

Nada de perde. Não foi tempo perdido o que dispendi com a azulejaria de Aveiro, bem interessante, diga-se!! Talvez um dia alguém «pegue» na história da Fábrica da Fonte Nova e tenha aí a sua tese de mestrado!! Tenho muita informação e fotos - posso ajudar!

Exausto, esgotado, exaurido...

 
Isto de se ter pertencido à CEE e agora à moeda única e estarmos inseridos na globalização e termos de cumprir uma regras ditadas por uns que nunca cá viveram, está a deixarmos exaustos.
Depois também os modelos de “desenvolvimento” que uns nossos governos têm vindo a adoptar arruinando as indústrias, fechando-nos o “mar” e debilitando as pescas e arrumando os barcos, fragilizando a nossa agricultura desertificando muitas aldeias, estes modelos estão esgotados.
E com estas opções de governação os portugueses estão exauridos.
Claro que muitas das escolhas dos portugueses foram com votos entusiasmados que acreditaram nas patranhas que iam sendo divulgadas: a propaganda de que não haveria, há ou haverá alternativas - porque temos de acompanhar a Europa - são agora marteladas todos os dias abafando algumas vozes sérias e preocupadas que apontam outros caminhos. 
Estamos cansados de fazer sacrifícios. Estamos cansados das angústias de pais sem emprego, de crianças com fome, de jovens sem futuro. Estamos cansados das troikas e não sei quem mais que é recebido com veneração quando são espezinhadas as propostas contrárias que vão aparecendo. Porque não experimentam algumas dessas propostas? Mas, depois, ouvimos falar em milhões para bancos, em dívidas e juros também aos milhões (quem fez dívidas não devia ir para a cadeia?), ah! e também se fala de “compra” de jogadores por milhões (comprar seres humanos não era no tempo da escravatura?).
Temos de encontrar o verdadeiro caminho para Portugal e, como disse o Poeta Ary dos Santos: “Levanta-te meu povo…  pois quando o povo acorda é sempre cedo”.
 
Maria Clotilde Moreira
(Jornal da Costa do Sol, 24-7-2013)

Não somos descartáveis




"Porque somos irmãos, ninguém é descartável."
(Papa Francisco no Brasil)

Em quem hei de votar?

Tenho ainda muito tempo para decidir em quem hei de votar, mas vou-me aconselhando.
A menina da pastelaria disse-me que recomenda o voto no Menezes porque já esteve junto dele e o achou muito simpático. Já o menino do quiosque disse que era melhor o Pizarro pois já tinha sido tratado por ele, enquanto médico, e com êxito. Por sua vez, o senhor da papelaria votará no Rui Moreira porque este é "muito portista". Quanto ao cabeleireiro, como  sempre foi do PSD, embora tenham muitas razões de queixa, não vai agora mudar, não é "vira casacas" e votará no Menezes.
Aprendi, então, que uma autarquia se governa com o coração, simpatia, boa medicina e paixão pelo F.C. Porto. A razão, segundo o bondoso povo português, deve andar afastada destas coisas; quem manda é o império das emoções e do coração. Boa! É assim mesmo, bom povo, por isso é que o estado da nação é o que é. Depois não vos queixeis. Aguentai!

Desacordo autarcográfico

Vai por aí uma “espiral” discursiva sobre a lei de ”limitação de mandatos autárquicos”.

Sendo o objecto da Lei 46/2005, literalmente, a “limitação de mandatos” (epígrafe do artº 1º), há quem defenda, naturalmente, que … “limita mandatos”, quaisquer mandatos, a três sucessivos.

Porém, há também quem diga que só limita mandatos em determinada câmara municipal ou junta de freguesia.

Multiplicam-se, mais ou menos discordantes, pareceres, comentários, opiniões, dissertações e, não tardará, teses de mestrado e doutoramento. Começa mesmo já a formar-se no ar (e na terra, aliás, nas “terrinhas”) mais uma “espiral”, esta de processos judiciais.

E até uma revolução “branca” (o que diria Stendhal disto, quase 200 anos depois do seu empolgante Vermelho e Negro?) já está desencadeada. A partir do Porto, como quase sempre…

Há mesmo quem garanta ter já começado mais uma guerra … aos “dinossauros”, por risco de invasão de (muitas) … “pastagens”.

O Presidente da República (PR), em vez de limitar, alargou os limites da barafunda ao “esclarecer” que houve um “erro” na publicação da tal lei no Diário da República (DR). Disse o Presidente que terá havido um “erro” da Imprensa Nacional (que oficialmente publica o DR) e, assim, onde, no texto publicado da lei, consta presidente de câmara municipal ou de junta de freguesia, “deveria” constar presidente “da” câmara ou “da” junta.  

O egoísmo está a funcionar, bem!

Talvez fruto da desorientação estabelecida por não actuações devidas - jovens mal tratam professores e não só, e não só, por pais os não saberem educar! - e não só! - nos momentos devidos, estamos, rapidamente, a caminhar para um país onde quanto mais egoístas nos tornarmos, melhor.

Individualistas já somos , egoístas nem tanto éramos, mas estamos a ficá-lo, em grande.

Das mais pequenas situações às maiores cada um tenta salvaguardar o seu espaço, proteger-se o melhor conseguível, e quem estiver ao lado ou atrás, que se lixe. Não estivesse!

O que vai à frente tem que ser ultrapassado a todo o custo, mesmo calcando-o, mesmo esmagando-o, se indispensável for. Cada um trata bem  de si e do seu espaço. O resto é lixo.

Claro que institucionalizando-se, como está a ser o caso, estes procedimentos, estamos a cada dia que passa a mais selvagens nos tornarmos. Vale tudo.

Em tempos achei que a policia a vigiar os nossos comportamentos era uma grande maçada. Hoje, quando não se vê polícia em sitio algum, por falta de dinheiro para os fazerem deslocar em trabalho/serviço, para onde necessário seria estar, sinto que  faz falta. E tenho pena de "isto" dizer tendo vivido antes do 25 de Abril de 1974 quando tudo era excessivamente controlado, mas vivendo agora, neste tempo, em que vale tudo. Dá que pensar!

Quando tudo parece ficar pior!

De repente,  por certo tantos de nós já nos demos conta disso, de estar a pensar- ainda pensamos, apesar de tantos quererem que o não façamos - que isto vai de mal a pior!

Já não chega dizerem-nos que vivemos acima das nossas possibilidades! Já não chega dizerem-nos que a troika até é muito boazinha. Já não chega dizerem-nos que um dia iremos melhor ficar. Não. Nada disto resulta.

Só temos que saber querer pensar e sentir o que vai connosco, com os que nos estão próximos e sentir as Pessoas. Sem filtros, sem noticiários. Nada disso, ver a nossa vida e a dos outros.

Vemos  imensas pessoas nas ruas a horas desencontradas, com ar de desnorte, dado estarem em tempo e idade de trabalhar e não terem como o fazer. Vemos gente em filas de supermercados a contar os cêntimos para comprar produtos essenciais, de linha branca. E não conseguem! Vemos velhos em desespero na farmácia a comprar metade dos medicamentos de que necessitam, dado que o dinheiro não chega. Vemos jovens com ar de desanimo. Não têm emprego, não sabem se o virão a ter. Gostavam de fazer-se à vida e não têm como. E nao terão todos que emigrar, ainda têm cá raízes!

Quando não queremos enfrentar a realidade. Iludimo-nos.

Não gosto do termo "pecado"! E mesmo quando fui obrigado a ser crente, me assustava a palavra "pecado". Parecia que havia um fiscal que pairava pelas nossas cabeças e se fizéssemos algo de errado, éramos - nunca entendi como - punidos. Mas era desconfortável.

Depois tudo foi ficando diferente, e o "pecado" caiu em desuso, e passou a ser e bem tido como "errado,  não correcto, não ético". Hoje está ainda nesta base, se bem que num tempo em que "vale tudo"! .

Mas como em,todo o lado, mas em especial a Ocidente, os valores se têm esbatido, o desrespeito por nós e pelos outros está fora de moda, tudo anda meio desequilibrado.

E como todos tentamos viver na espuma dos dias, nas noticias "noticiados ao segundo" e pensamos que "pensar" é uma maçada, ficamos todos demasiado formatados ao momento, momento que se esbate com o momento seguinte, e assim continuadamente!

E como somos todos seres humanos, e como todos erramos, mas achamos que só os outros erram, andamos com dificuldade em analisar a realidade. E quando o fazemos fica tudo propositadamente pela rama, para ver se a noticia da tarde, anula a da manhã. E tenta-se formatar raciocínios, sem dar espaço e tempo para analises mais cuidadosas e racionais.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A crise das Humanidades...

Sou professor de Geografia e de há uns anos para cá que tenho assistido a uma redução, em termos gerais, da qualidade dos alunos que chegam à área das Humanidades no início do ensino secundário. Os maus resultados verificados nos exames nacionais deste ano às disciplinas ligadas às Humanidades são a prova cabal da crise que se vive nesta área do saber. Entretanto, o GAVE veio esclarecer que os alunos têm vindo desde há vários alunos a evidenciar dificuldades nas capacidades de leitura e de escrita. 
Ora, sabendo-se que nos exames destas disciplinas abundam questões de escolha múltipla (só no exame de Geografia este tipo de questões correspondem a metade da pontuação total do exame), então fica claro que a gravidade da situação é ainda maior do que aquela que transparece dos resultados obtidos pelos alunos. É que os resultados só não têm sido piores porque ainda é concedido um peso considerável às questões de escolha múltipla que, como se sabe, não permitem aferir, de forma real e cabal, os verdadeiros conhecimentos dos alunos.
Nas Humanidades deveriam estar, teoricamente, os alunos com melhores capacidades para a leitura e escrita. Contudo, a "fuga" de muitos destes alunos para as áreas das Ciências Exactas, pela ideia que se criou que as saídas profissionais das Humanidades são cada vez mais limitadas, deu origem à situação que actualmente vivemos: uma crise latente na área das Humanidades. 
Não será tempo de se repensarem os currículos dos ensinos básico e secundário, assim como a forma como se elaboram os exames nacionais? É que a ideia que se tem é que os alunos chegam ao ensino secundário cada vez menos bem preparados, situação que é também já relatada relativamente à entrada dos alunos no ensino superior...

Pedro Peixoto
in Público, 25 de Julho de 2013

O Papalagui

Não é apenas o nome dado ao Branco pelo chefe de uma tribo no arquipelago de Samoa (Polinésia), nem apenas a designação do famoso livro que descreve as suas impressões e críticas aos europeus no início do século passado.
É ainda o nome que o bibliotecário ambulante de Proença-a-Nova, Nuno Marçal, deu ao seu blog(Nuno ficou conhecido no fim-de-semana passado através da reportagem da Notícias Magazine). Vale a pena espreitar este espaço onde Nuno publica as fotos das suas "andanças" com um olhar muito sensível. Conheça aquilo que me parece ser um belo projecto de vida: aqui.

Desprezo por desempregados, pensionistas e reformados

Os desempregados, pensionistas e reformados descontaram para que a Segurança Social lhes atribua o que lhes assiste por direito próprio nas prestações sociais e na aposentação.
Tantos e tantas descontaram durante décadas.
No dia da sua demissão da pasta das Finanças, Vítor Gaspar assinou um documento oficial que obriga a Segurança Social – através do seu Fundo de Reserva – a comprar dívida
pública nacional nos próximos dois anos e meio até 4,5 mil milhões de euros!... Esta reserva serviria para o pagamento das prestações sociais e das reformas em caso do sistema
colapsar. E o sistema está periclitante. Esta medida, enquanto ainda ministro, revela um total desprezo pelos desempregados (vítimas da sua política de somas de austeridades,
destruidoras de vidas), pensionistas e reformados que podem vir a ter cortadas as suas fontes de subsistência, já que o risco das aplicações são de 90%(!) na dívida pública
portuguesa. Dizem economistas que nem um mero gestor de fundos medíocre sabe que não pode executar esta operação de (elevado?) risco... mas Gaspar foi até ao limite temporal
nas suas políticas anti-sociais.
Vítor Colaço Santos

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Cáritas quer séniores mais perto do mercado de trabalho

Cáritas quer séniores mais perto do mercado de trabalho
O projeto é apresentado hoje na Associação Comercial Portuguesa, em Lisboa, às 17 h.

Imputáveis e inimputáveis

Imputáveis fomos “nós”, povo trabalhador que gastou, abusou e sendo perdulário, viveu além possibilidades reais, comprando (a juros agiotas) dinheiro aos bancos para casa própria, carro, mota
e férias. À época, o 1º ministro Durão Barroso foi o pioneiro da famosa tanga:« os funcionários públicos são os culpados da crise»(!) Estão a ser enterrados em vida.
Atenção!, não foram os gastos dos trabalhadores que provocaram a dívida privada colossal que nos inferniza a vida. 70% desta dívida é resultante da especulação imobiliária. Só 15% resulta da aquisição de bens de consumo. Para acertar as contas da crise são (sempre, até quando?) os trabalhadores chamados a pagar até à exaustão, transgressões criminosas que não fabricaram.
O Ecofin (Conselho que reúne os ministros das Finanças da UE), divulgou novas fórmulas de «resolução bancária» não revelando que o Anglo Irish Bank custou até agora 30 mil milhões de euros ao povo irlandês. Que em Espanha, Rodrigo Rato, ex-ministro da Economia, quadro superior do FMI, terminando a sua carreira como presidente do Bankia, colocou-o na falência, custando aos contribuintes espanhóis 20 mil milhões de euros. Cá, os Costas e Rendeiros lesaram o erário público em milhares de milhões de euros com as malfeitorias do BPN e BPP. No BPN, a soma acentua-se... Confundir (querer confundir, propositadamente) tudo isto com «crises das dívidas soberanas» é um atentado à inteligência, é confundir os efeitos com as causas... Dados da Comissão Europeia dizem-nos que os europeus já gastaram 4,5 biliões de euros para salvar o sistema financeiro na Europa!! São os banqueiros e financeiros os verdadeiros inimputáveis!... Onde pára a Justiça?
 
Vítor Colaço Santos

O nosso PR sempre atrasado.

Vir agora o nosso PR assumir que aceita o Governo que antes havia deixado suspenso de um putativo acordo, fora de tempo, com o maior partido da posição, é uma vez mais reagir em atraso.

Se, haveria o risco de há 10 dias, justificado durante 11 minutos pelo nosso PR de ir a eleições, que nada iriam eventualmente resolver, ter vindo o nosso PR a arrastar os pés, para agora tomar esta decisão que deveria antes ter tomado, é sempre reagir em atraso.

Antes, faz dez dias, fez um discurso com, no mínimo, 2 anos de dilação.

Agora vir fazer o que deveria ter feito há 10 dias, é uma vez mais reagir sempre em atraso.

Mas, é o que temos e com que havemos de ter que lidar, dado que outras formas supostamente hostis também não são – de forma alguma - o que nos possa trazer quaisquer soluções para o nosso futuro, que continua sempre com poucas perspectivas de ser o melhor e o bem encaminhado.

Assim, espera-se que o Governo – agora ressuscitado – seja capaz de governar de forma bem melhor do que fez nestes dois últimos anos – governou mal - , e que seja muitíssimo  mais eficiente, transparente, lúcido, realista e explique tudo o que vai fazendo, o que não quis ou não soube, até aqui fazer.

Espera-se que não haja mais lutas de galos a ver quem manda mais e quem sai e depois entra, e não saiu, mas estava para o fazer, e depois voltou.

E que haja respeito por uma população em desespero e um País a desfazer-se a cada dia que passa.

E, agora depois de todos estes atrasos, o nosso PR tem por obrigação perante o País e face ao que fez - e fez que com outros fizessem - nestas duas últimas duas semanas, não voltar a andar atrasado, e de fazer com que os dois anos que temos pela frente funcionem bem melhor do que estes dois últimos.

E não vai ser a AR a controlar - moções! - o Governo com maioria parlamentar, deverá o PR fazer o controlo activo, dar-nos informações de como acha que tudo está a correr – não o fazer mais, em atraso! – e, de quando em vez ir assistir a algum conselho de Ministros, nunca  para intervir mas para se mostrar presente, como PR que tomou as decisões que quis tomar, mesmo em atraso.

Augusto Küttner de Magalhães

Julho 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

3 em 45 000




"Dos 45 mil que se candidataram, 99,9% não foram colocados", ou seja, apenas 3 conseguiram.
Os professores vivem uma ansiedade louca a cada verão. As férias são um suplício. Aguardando, aguardando...
Estas férias já estão estragadas para milhares de famílias: desemprego ou o pai ou a mãe vão para longe...
Ansiedade, vidas que não se podem planear, famílias que não criam raízes em lado nenhum.
Que qualidade para o ensino?
Demita-se Nuno Crato!!
Quem toma conta da Educação em Portugal?
É urgente resolver esta «pasta».

Papa no Brasil


“Estamos a acostumar-nos à cultura do descarte”, insistiu. “Fazemos isso com os mais velhos, mas agora também o fazemos com os jovens sem trabalho”.

Entrevista


No "Público" de ontem vem uma entrevista ao presidente do Crédito Agrícola, Licínio Pina. Gostei bastante da entrevista não só pela raridade da entrevista a um presidente de uma instituição bancária mas principalmente pelas ideias expressas por Licínio Pina. Na entrevista desmistifica a questão do crédito disponível para o investimento e acusa o Ministério da Economia de continuar a ter demasiadas burocracias para quem quer investir. Fala da inconveniência da privatização parcial da CGD e explica porque é que o Crédito Agrícola, contrariamente a outras instituições, não fecha balcões no interior do país. Presidente de um dos bancos que melhor resiliência apresentou, Licínio Pina, à pergunta sobre o apoio público aos bancos privados em dificuldade, respondeu taxativamente que não, «o problema dos bancos deve ser resolvido pelos accionistas e não pelo Estado». Deverá ser o único presidente de uma instituição bancária a ter esta opinião. A seguir vem uma outra opinião que será a de muitos economistas e entendidos na matéria mas a quem a comunicação social não dá relevo. Ficou bastante admirado com o programa de ajustamento ser elaborado por pessoas com bastantes qualificações académicas e mesmo assim caírem no erro de acharem que políticas orçamentais contraccionistas não levariam a uma retratacção no consumo, o que qualquer economista sabe. Refere o óbvio de que a economia necessita de crescer e logo de investimento directo estrangeiro e que esse investimento só será exequível se acabarem com a instabilidade política e fiscal (!) de modo a transmitir confiança aos investidores, coisa que não se tem visto nestes últimos dias. Termina a entrevista criticando os políticos com responsabilidades governativas pelo triste exemplo de desnorte e desrespeito pelos portugueses dada a forma como eles tem conduzido a política neste país. 
«Defendo uma mudança nas lideranças partidárias para que quem assuma as funções saiba que quando toma uma decisão ela tem impacto directo na vida das pessoas».
Mas isto não foi sempre uma daquelas evidências óbvias?...Pois, parece que não, pois não sr. Portas?

Papéis

Guardamos os papéis
As prendas
Cartas e apontamentos
Para um dia mostrar,
E enchemos gavetas e caixas
Que arrastamos de casa em casa
Para um dia relembrar.
Dias adiados falados de relance:
havemos de ver aquelas recordações…
Mas o dia não chega
E alguém depois
As deitará no lixo
         
 
 
(2010)
Maria Clotilde Moreira