sábado, 23 de julho de 2022

Democracia sem competência


Sem entrar no “choradinho” cauteloso de quem quer dizer alguma coisa que não afina pelo diapasão das nossas televisões sobre a invasão da Ucrânia, não posso deixar de registar que, cada vez mais, surgem opiniões que questionam o unanimismo reinante. O “medo” de questionar as posições ocidentais, por parecerem humanitárias, vai-se perdendo e, sucessivamente, brota a “coragem” de se verbalizarem dúvidas que, fora (e dentro) do Ocidente, muito mundo partilha. 

Não podemos quedar-nos pela defesa da Democracia quando se começam a perceber alguns sinais muito inquietantes por parte dos actuais dirigentes ucranianos. Não podemos ignorar tanto sofrimento humano, anterior à agressão russa, por parte de povos que em nada contribuiram para serem espezinhados por potências distantes. Não podemos descobrir, justamente agora, que a fome no Mundo se deve às recentes decisões da Rússia, porque ela já existia muito antes.

A questão terá mais a ver com a circunstância de a civilização ocidental se reservar direitos que não confere aos habitantes de outras paragens. Alardear a superioridade dos valores da Democracia, por muito meritório que seja, não basta. Exige-se, também, um mínimo de competência que, neste caso, e pelas mais diversas razões, os desorientados dirigentes europeus não demonstram.   


Público - 24.07.2022


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