sábado, 25 de novembro de 2017

25 de Novembro, golpe ''sereno''

«O 25 de Novembro é a reposição do espírito do 25 de Abril» [?], disse Ramalho Eanes, o mentor deste golpe ‘’sereno’’. O resultado daquela nefasta data, nem conseguiu ser o espírito da alma desta - a mais gloriosa da nossa (quase)  milenar História. Há muitos anos, fiquei pasmado com o sr. Eanes: « O 25 de Novembro foi fracturante»(!). Em que ficamos? Só por ingenuidade política ‘é’ que acreditamos que não previa ao qu’isto (cancro «em» fase terminal…) chegaria. Sabemos que é sério sob o ponto de vista da classe dominante.
   Vimos o ELP/MDLP, sintonizados com o PS, PSD e hierarquia católica serem grande parte da seiva do sinistro evento. Os primeiros foram acusados da morte do padre Max e sua aluna, Maria de Lurdes e por aí fora. O embaixador da C.I.A. Frank Carlucci, serviços secretos alemães, franceses e ingleses no pós-25 de Abril e no fomento do separatismo insular; afirmam ter sido encarado o recurso à intervenção dos exércitos franquistas e ingleses no nosso país, caso o bloco contra-revolucionário liderado pelo PS não conseguisse dar conta do recado, etc.
O 25 de Novembro teria sido uma resposta das forças democráticas a uma tentativa de golpe do PCP e esquerdistas, tornando-se um mito insustentável, desmontado pelos próprios que o fabricaram. Tanto o ex-presidente Costa Gomes, como Vasco Lourenço e militares do Grupo dos Nove (pró-25 de Novembro), confessaram que tinham o golpe em preparação há muito tempo, tal como a provocação que o iria justificar.
   A actuação do PCP é dúbia, pois Álvaro Cunhal diz:« A orientação do PCP constituiu uma contribuição que se revelou indispensável para o resultado imediato do 25 de Novembro»(!).
   Há 42 anos, o Povo não saiu à rua, reinando o silêncio do estado de sítio. Nem o comemora.
A esperança da Revolução de Abril tinha sido abruptamente interrompida! 

                             Vítor Colaço Santos

Público - 26.11.2017

3 comentários:

  1. A orientação do PCP, não foi o evitar-se a guerra civil? Havia quem quisesse entrar nessa aventura. Nessa desgraça. O PCP não quis. Eu, e creio, a esmagadora maioria dos portugueses/as, não quiseram. O resultado imediato do 25 de Novembro, foi: não à guerra civil fratricida.

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  2. Chamar "sinistro evento" ao que não foi mais que uma indispensável correcção, não abona muito em favor do equlíbrio de quem o faz. E concordo com o senhor Ramalho; para além da liderança competente do general Ramalho Eanes, o PCP e o então presidente da República, general Costa Gomes, tiveram um papel fulcral na contenção da desgraça que seria uma guerra cicil!

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