terça-feira, 29 de novembro de 2022

Afinal, há fronteiras


Sim, é possível ser-se radicalmente contra a invasão da Ucrânia pela Rússia e, em simultâneo, reconhecer nos EUA os grandes colectores dos lucros da guerra, e pensar que a ideia de alargar a NATO nunca foi boa. Perceber a política agressiva do Kremlin não é o mesmo que aceitá-la.

A recusa de interpretar certos efeitos de causas duvidosas, só porque estas são “ocidentais”, não é análise desapaixonada, mesmo se ela vem de Teresa de Sousa (T.S.), uma analista de corpo inteiro, conhecedora como poucos da realidade internacional, apesar de subordinada à sua concepção de democracia, imutável com actores e geografias alternativos.

Compreende-se que o PÚBLICO, atendendo às barbaridades da guerra, tenha uma posição editorial predominantemente anti-Putin. Mas sei que o jornal nunca escamoteará outras vertentes de análise que não as que T.S. utiliza no seu “Sem fronteiras” de domingo passado. Aliás, foi no PÚBLICO da véspera que tive acesso ao artigo de Azeredo Lopes. A “universalidade” do pensamento de T.S., que parece evidente a quem lê os seus textos, não é, obviamente, a verdade definitiva. E as “fronteiras” com que quer confinar as esquerdas europeias, autênticas “más companhias”, são legítimas para T.S.? Talvez para Stoltenberg, esse ideólogo de “primeiríssima água”...  


Público - 29.11.2022

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