terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Amor em lugar do ódio (repetição)



Peço desculpa por ter sido obrigado a transcrever para aqui a carta e os comentários pois como é fácil entender, em apenas dois dias (de 28 p/30) o assunto já está nas mensagens antigas, e como é compreensível ninguém lá vai. Com receio que isto tenha acontecido ao senhor Fernando Cardoso e por lá ter colocado uma pergunta sobre o seu comentário, vejo-me obrigado a usar este expediente. Jorge Morais




**Ainda a propósito da morte de Mário Soares, li nestas cartas para a imprensa que quem manifestar a opinião que ele teve grandes culpas no processo da descolonização, quer se trate de ex-combatente no ultramar ou retornado, leva logo com o rótulo de "saudosista do ódio". Pois quero que fique bem claro, que não sendo retornado nem ex-combatente no ultramar, comungo da mesma opinião dessa gente e garanto que o sentimento que sinto por ele não é nem nunca foi de ódio. Posso não ser da mesma família política de "a" ou "b", posso não ser simpatizante do clube "c" ou "d", mas nunca fui odioso contra ninguém nem sequer anti qualquer coisa. Pura e simplesmente serei um "não" isto ou aquilo, mas sentir ódio por alguém, nunca. E sabe a razão? Pura e simplesmente que só quem tem ódio dentro de si próprio, consegue imaginar que quem pensa diferente é odioso. Ou teremos regressado ao tempo da censura e de mentalidade pidesca para ser-se censurado por ter uma opinião diferente? Daquele que não é por nós, é contra nós? Aceite este conselho amigo: isole-se, faça um exame de consciência, fale a sós com Ele, abra o coração, deite esse ódio todo cá para fora transformando-o em amor e vai ver que irá passar a olhar para o seu semelhante de forma diferente. Quem lhe deixa este conselho, confessa-lhe que aos olhos de alguns, também tem defeitos, por exemplo, não sou agnóstico sou um simples crente, espécie em vias de extinção. Jorge Morais **

Publicada no DESTAK em 26-01-2017 e no DN-M em 28.01.2017 – Hoje, 31.01.2017 no JN



Comentários:


Fernando Cardoso Rodrigues: 28.01.2017
Não me vou referir aos comentários porque não os conheço. Vou sim expressar que os verdadeiros culpados da guerra colonial ( é assim que sempre lhe chamei) foram Salazar e Caetano. Se Mário Soares teve culpas ( e teve algumas, por certo) foram pontuais e as inevitáveis num processo e num tempo tão difíceis.
Quanto aos "crentes" serem uma espécie em vias de extinção, não é o que me parece ver no mundo de hoje. E olhe que com imensos deles é o tal ódio que verbera ( e bem) que os enforma e bem manifestam... O que ouço a Donald Trump, na tomada de posse, é reclamar um "Deus americano" e o "Alahu Akbar" nojento que os torcionários entoam, enche-nos os ouvidos a toda a hora. E, recuando um pouco, os mais de trezentos anos de Santa(!) Inquisição ainda se ouvem "ao longe. E esses não reivindicam a sua crença?...
Fernando Cardoso Rodrigues
(Cidadão português que cumpriu serviço militar obrigatório na ex-colónia portuguesa de Moçambique, como alferes miliciano médico entre 1973 e 1975)



Francisco Ramalho: 28.01.2017-01-31
Quanto a Obama, amigo Fernando, estamos em desacordo.Mas em muitas outras matérias, concordamos. Por exemplo nestas que expressa neste seu comentário. Até vou mais longe, eu que sou critico de Mário Soares em diversos assuntos, nestes, da guerra colonial e da descolonização, digo que em relação ao primeiro; não teve culpa nenhuma.Quanto ao segundo, fez o que foi possível.


Jorge Morais: 30.01.2017
Lamentavelmente, só ontem vi o seu comentário e desde logo decidi responder-lhe. Quando dei por ela, já tinha duas folhas A4 cheias e ainda não tinha acabado. É que sobre a responsabilidade de Mário Soares, lembrei-me da sua força para derrotar o PCP quando viu que o PS ia ser comido por eles (palavras dele). Sobre a culpa ser de Salazar/Caetano, lembrei-me do insuspeito e patriota Norton de Matos que queria passar a capital do país para Angola. Sobre meter Trump na conversa da crença, lembrei-me do Papa Francisco e da Madre Teresa. Sobre as mortes há trezentos anos na S.I., lembrei-me dos cristãos mortos há milhares de anos com as perseguições no Império Romano até aos nossos tempos em Eritréia e Cuba para lhe dar apenas dois exemplos. Falando em mortes, não esqueço os comandos da Guiné que lutaram nas nossas fileiras e que foram abandonados e fuzilados. Na longínqua ilha de Timor, onde prestei o serviço militar com muita honra e sem vergonha nem complexos, lembrei-me que nem a sombra da bandeira os timorenses pisavam, e com Timor tinha ocupado uma página onde falava dos duzentos mil mortos (pela certa alguns meus conhecidos) e que devia envergonhar os culpados (deixe lá o Salazar). Como vê, só com os tópicos, já onde esta vai. No entanto, há uma pergunta que lhe quero deixar e sei que me irá responder. Se tivesse feito o serviço militar obrigatório em Moçambique como diz, mas como soldado maqueiro, teria terminado o seu comentário como terminou? Peço-lhe apenas um SIM ou NÃO. Jorge Morais




















5 comentários:

  1. Antes de mais, peço-lhe desculpa por ter desistido de voltar ao seu "post" após ter ido lá duas vezes depois de o ter comentado. Bom mas isso está ultrapassado com a sua repetição e sou-lhe grato por ela.
    Vamos então às sua objecções. Tentarei ser telegráfico para não maçar, Deixando um pouco de lado o juramento de Trump ( e os outros presidentes dos EUA), a Bíblia (logo um texto tão simbólico)..., tem razão em lembrar-se do Papa Francisco e da Madre Teresa mas já não o poderia acompanhar se referisse PioXII ou o Cardeal Cerejeira ( ou vai dizer-me para "deixar esses homens "para lá"?)". Tem também razão ao relembrar-me as perseguições aos cristãos em todos os tempos mas, talvez por isso, julguei que eles fossem sinceros quando criaram a doutrina (não fui eu que o disse) que "devemos dar a outra face" ou "é mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus"e depois (muitos e muitos anos depois)... lá veio a Santa Inquisição. Terminado esta parte, eu falei de Crentes e referi muçulmanos ( não o são?) e sobre isso... nada da parte do Jorge!
    E agora a GUERRA COLONIAL. Sabe, o Jorge diz-me para deixar o Salazar em paz mas é um favor que não lhe fazer porque as causa das coisas estão a montante das consequências e se o "homem" ( e Marcelo Caetano) tivessem feito o que deviam os comandos nativos da Guiné não teriam existido ( o que não desculpa que tenham sido chacinados) ou seja, foram enganados criminosamente porque foi muito perverso ter formado tropas nativas para combater os seus irmãos (veja as coisas ao contrário, a Guiné a utilizar portugueses do continente num grupo armado...).
    Termino respondendo à sua pergunta final, embora discorde dos termos em que a põe. Não se coloca uma questão intimando uma resposta de Sim ou Não, não concorda? Mas vamos lá então ( intuindo eu que julga já a ter para si...) e a resposta é: se tivesse sido soldado maqueiro, julgo que o meu comentário seria, ipsis verbis, o que escrevi. Pensa que estou a titubear? Não, simplesmente sei que, citando Ortega y Gasset, sou " um homem e a minha ciscunstância" e por cultura e vida eventualmente diferentes podia não pensar o que penso. Satisfeito?
    Mais uma vez desculpar-me-á o não o ter lido há dias e sou-lhe sinceramente grato pelo seu comentário.
    PS: julgo que não se tenha importado por o ter tratado somente pelo seu nome próprio mas entendo este blogue como um local aberto mas respeitador onde o tom coloquial e informal me parece adequado. Faça o mesmo comigo, por favor.

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    1. Pag. 1/2

      Começo pelo seu fim do seu "telegrama": soa-me bem ouvir apenas o meu nome próprio, soa-me mal tratar os outros da mesma forma. É uma questão de sonorização apenas e que acredite me incomoda pois reconheço que não deixo o meu interlocutor à vontade, mas será uma questão que um especialista terá resposta.

      Quanto ao tamanho da resposta, estou mais descansado pois usando o quebra-página, não atiro as cartas dos companheiros para as mensagens antigas.

      Como crente me confesso que me referia antónimo de agnóstico, sabendo bem que crentes são também os muçulmanos, mas pensei que para bom entendedor, meia palavra bastaria quando referi em vias de extinção e segundo dados estatísticos é a religião cristã/católica e não a muçulmana que essa vai de vento em popa. De qualquer forma, o que se condena, são os fanatismos, e esses, no mundo actual, são aqueles sabemos. O Fernando, volta a dar maus exemplos da Igreja Católica e como não podia ser Salazar, veio o amigo dele Cerejeira. Olhe, dou-lhe outro mau exemplo: Padre Melicias que de franciscano não tem nada (conheço o currículo dele mas os mais atentos sabem coisas que não constam lá). Depois, saltou para a Guiné e mais uma vez os culpados são os mesmos. Então a população ultramarina não era portuguesa? Quer-me por a ver o filme ao contrário trocando fardas e tropas daqui e dacolá? Quem acha que a descolonização foi bem feita, tem que assumir as consequências e não culpar outros. Pensa que me esqueço da maneira como foram recebidos os desertores alegando que eram contra a guerra? Como grandes heróis. Sabe quem fez bem tendo mais tarde desempenhado altos cargos, recebido condecorações, reformas que nem sabia de quê? Quem fugiu para Argel e na rádio noticiava da seguinte maneira: acabou de chegar ao porto de Luanda mais um barco de assassinos . Quer que eu esteja do lado desta gente? Não estou, ponto. Claro que já sei a resposta: são difamações. Como são outras que não trago para aqui, mas que tenho bem gravadas na minha memória visual, ponto final

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    2. Pag. 2/2
      Para terminar e sobre a minha pergunta para a qual pedi um SIM ou NÃO, respondeu-me da seguinte forma e vou colar "Mas vamos lá então ( intuindo eu que julga já a ter para si...) e a resposta é: se tivesse sido soldado maqueiro, julgo que o meu comentário seria, ipsis verbis, o que escrevi. Pensa que estou a titubear? Não, simplesmente sei que, citando Ortega y Gasset, sou " um homem e a minha ciscunstância" e por cultura e vida eventualmente diferentes podia não pensar o que penso. Satisfeito?" . Não. Não estou satisfeito, mas antes, e para evitar mal entendidos, dois exemplos em forma de esclarecimento e não pense que são complexos de inferioridade.
      •No seu artigo de 29 Janeiro "Quimeras", refere, e muito bem, a sua profissão de médico, que entendo não podia ser outra maneira para que quem não soubesse, ficar a saber que se tratava duma pessoa por dentro do assunto e não um curioso que escreve qualquer coisa por escrever. Apoiado.

      •Noutro artigo, outro companheiro para defender o seu próprio comentário, viu-se na necessidade de esclarecer que era obrigado a saber do que falava, pois tinha formação e experiência profissional enriquecida durante uma vida profissional dedicada ao ensino. Apoiado.


      E isto vem a que propósito? O Fernando, pessoa que conheço muito superficialmente, salvo erro em duas ou três ocasiões, no nosso 3º Encontro e nos lançamentos do livro, primeiro no Carmo e a Segunda na livraria no Dulce Vita nas Antas, deu no entanto para ficar bem impressionado pois deu para perceber que não era uma pessoa com peneiras. Daí, e vamos aos "finalmentes", foi como se tivesse levado um soco no estômago quando no seu primeiro comentário, mesmo no fim, escreve: "Cidadão português que cumpriu serviço militar obrigatório na ex-colónia portuguesa de Moçambique, como alferes miliciano médico entre 1973 e 1975".

      A minha indignação, foi ter puxado dos galões de alferes e do canudo de médico, quando teria bastado, ex combatente, ou então,cumpri o SMO . . .

      Portanto, a minha pergunta tem razão de ser: se tivesse sido soldado maqueiro . . .

      Pode acreditar que foi uma autentica decepção vê-lo a pôr-se em bicos dos pés. Desculpe a minha franqueza, mas se há coisa que nunca fui, foi bajulador e já não tenho idade para mudar.

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  2. Só agora li estes comentários. E como da primeira vez tinha comentado o comentário do amigo Fernando, agora "limito-me" a subscrever-lhe este.

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  3. Jorge, é para mim uma surpresa vê-lo dizer que "puxo do canudo e dos galões"! Nem imaginei que a sua interpelação do sim e não, tinha essa intenção ( julguei que era o conteúdo do comentário e não a assinatura)! Embora não goste de mim próprio (acho-me "pateta") por lhe explicar, só lhe digo que assinei assim porque era também assim que me apresentava aos superiores hierárquicos (exactamente assim!), por imposição do Exército.Ou não era igual consigo? E depois, galões porquê?! Canudo porquê?! Se fosse maqueiro era como tal que me identificaria! E... em bicos de pés?!!!! Valha-nos o bom senso! Quanto ao, por si sugerido, "ex-combatente" nunca o colocaria porque tem conotação que não apoio e mesmo porque não fui para Moçambique para combater. Fui obrigado e lá desempenhei o meu múnus de médico o melhor que pude e soube até regressar ao meu país e aos meus.

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