quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uma carta especial para o DN


Apresento-vos o  meu contributo,  que foi a tempo de ter chegado ontem:


Exmo. Senhor Director do Diário de Notícias,

Aqui vai uma reflexão da minha autoria , partilhada há tempos, nos meandros perversos de uma rede social.

Fala-se dos media, dos jornalistas, da opinião de cidadania, do desprezo pela omissão a que V.Exas. nos encarceraram.

“Os jornais perderam todo o interesse. Servem para alimentar egos de mensageiros, moços de recados, uma que outra diva em ascensão ou queda, alguns distraídos que persistem, ingénuos até ao abismo.
Resta um punhado de jornalistas de referência, que mesmo num esforço de memória será difícil nomear. Quando o último for corrido da redacção  - faltará muito pouco – essas salas estarão povoadas de assalariados mal pagos, com os joelhos constantemente a tremerem nos medos de terem de voltar novamente para casa dos pais.
Para que isso não aconteça fazem tudo o que lhes mandam, até mentir, forjar, procrastinar, vender a alma.
A Censura seria uma virgem imaculada e puríssima, se se fizessem comparações com os requintes da manipulação de quem – anónimos de rosto desconhecido e sem nome que se saiba – orquestram os fios das marionetas que põem no palco dos jornais dos tempos de agora.
Qual é a verdade? Onde está a verdade? Perguntas definitivamente sem resposta.
Se por um lado estas são as dúvidas do leitor, por outro, os que enviam opinião de cidadão, gostariam de serem considerados e tratados com, no mínimo, urbanidade.
A realidade é que os jornais não precisam de nós para nada. E nem nos querem ver!
A arbitrariedade com que publicam-não publicam opiniões de cidadania, as escolhas que fazem, a qualidade dos temas, dos assuntos, a boa escrita, a oportunidade, “sempre os do costume”, é a prova do desleixo, da omissão, quase antipatia, da pouca consideração que nutrem por nós.
Estamos perto do momento em que pouco mais que uma frase perdida de contexto, numa esquina recôndita de um jornal, será publicada: parece que chegou esse momento baixo. E o certo é que não podemos fazer absolutamente nada por isso!”

Todos desconhecemos o futuro, mas leva a crer que se são estes os caminhos das linhas editoriais, é bem possivel que mais cedo do que tarde, acabem num convénio de surdos-mudos, a falarem para as vossas sombras projectadas nas paredes, convencidos de serem tribunos a executarem discursos de excelência.

É pena!

Na realidade e sendo assim, o vosso contributo para a dissolução rápida do paradigma da vida democrática, causará danos irreparáveis, o que parece ser o vosso desejo,  talvez no secretismo da construção de uma qualquer ainda desconhecida nova ordem mundial.
Tenha o meu apreço, ou talvez não, dependendo do acto de contrição que ainda pode praticar, na humildade de uma lucidez que seria muito ambicionada.

Luis Robalo

6 comentários:

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