sábado, 28 de janeiro de 2017

Amor em lugar do ódio



Ainda a propósito da morte de Mário Soares, li nestas cartas para a imprensa que quem manifestar a opinião que ele teve grandes culpas no processo da descolonização, quer se trate de ex-combatente no ultramar ou retornado, leva logo com o rótulo de "saudosista do ódio". Pois quero que fique bem claro, que não sendo retornado nem ex-combatente no ultramar, comungo da mesma opinião dessa gente e garanto que o sentimento que sinto por ele não é nem nunca foi de ódio. Posso não ser da mesma família política de "a" ou "b", posso não ser simpatizante do clube "c" ou "d", mas nunca fui odioso contra ninguém nem sequer anti qualquer coisa. Pura e simplesmente serei um "não" isto ou aquilo, mas sentir ódio por alguém, nunca. E sabe a razão? Pura e simplesmente que só quem tem ódio dentro de si próprio, consegue imaginar que quem pensa diferente é odioso. Ou teremos regressado ao tempo da censura e de mentalidade pidesca para ser-se censurado por ter uma opinião diferente? Daquele que não é por nós, é contra nós? Aceite este conselho amigo: isole-se, faça um exame de consciência, fale a sós com Ele, abra o coração, deite esse ódio todo cá para fora transformando-o em amor e vai ver que irá passar a olhar para o seu semelhante de forma diferente. Quem lhe deixa este conselho, confessa-lhe que aos olhos de alguns, também tem defeitos, por exemplo, não sou agnóstico sou um simples crente, espécie em vias de extinção. Jorge Morais 

Publicada no DESTAK em 26-01-2017 e no DN-M em 28.01.2017

3 comentários:

  1. Não me vou referir aos comentários porque não os conheço. Vou sim expressar que os verdadeiros culpados da guerra colonial ( é assim que sempre lhe chamei) foram Salazar e Caetano. Se Mário Soares teve culpas ( e teve algumas, por certo) foram pontuais e as inevitáveis num processo e num tempo tão difíceis.
    Quanto aos "crentes" serem uma espécie em vias de extinção, não é o que me parece ver no mundo de hoje. E olhe que com imensos deles é o tal ódio que verbera ( e bem) que os enforma e bem manifestam... O que ouço a Donald Trump, na tomada de posse, é reclamar um "Deus americano" e o "Alahu Akbar" nojento que os torcionários entoam, enche-nos os ouvidos a toda a hora. E, recuando um pouco, os mais de trezentos anos de Santa(!) Inquisição ainda se ouvem "ao longe. E esses não reivindicam a sua crença?...

    Fernando Cardoso Rodrigues
    (Cidadão português que cumpriu serviço militar obrigatório na ex-colónia portuguesa de Moçambique, como alferes miliciano médico entre 1973 e 1975)

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  2. Quanto a Obama, amigo Fernando, estamos em desacordo.Mas em muitas outras matérias, concordamos. Por exemplo nestas que expressa neste seu comentário. Até vou mais longe, eu que sou critico de Mário Soares em diversos assuntos, nestes, da guerra colonial e da descolonização, digo que em relação ao primeiro; não teve culpa nenhuma.Quanto ao segundo, fez o que foi possível.

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  3. Lamentavelmente, só ontem vi o seu comentário e desde logo decidi responder-lhe. Quando dei por ela, já tinha duas folhas A4 cheias e ainda não tinha acabado. É que sobre a responsabilidade de Mário Soares, lembrei-me da sua força para derrotar o PCP quando viu que o PS ia ser comido por eles (palavras dele). Sobre a culpa ser de Salazar/Caetano, lembrei-me do insuspeito e patriota Norton de Matos que queria passar a capital do país para Angola. Sobre meter Trump na conversa da crença, lembrei-me do Papa Francisco e da Madre Teresa. Sobre as mortes há trezentos anos na S.I., lembrei-me dos cristãos mortos há milhares de anos com as perseguições no Império Romano até aos nossos tempos em Eritréia e Cuba para lhe dar apenas dois exemplos. Falando em mortes, não esqueço os comandos da Guiné que lutaram nas nossas fileiras e que foram abandonados e fuzilados. Na longínqua ilha de Timor, onde prestei o serviço militar com muita honra e sem vergonha nem complexos, lembrei-me que nem a sombra da bandeira os timorenses pisavam, e com Timor tinha ocupado uma página onde falava dos duzentos mil mortos (pela certa alguns meus conhecidos) e que devia envergonhar os culpados (deixe lá o Salazar). Como vê, só com os tópicos, já onde esta vai. No entanto, há uma pergunta que lhe quero deixar e sei que me irá responder. Se tivesse feito o serviço militar obrigatório em Moçambique como diz, mas como soldado maqueiro, teria terminado o seu comentário como terminou? Peço-lhe apenas um SIM ou NÃO. Jorge Morais

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