sábado, 28 de janeiro de 2017

O DN, o Público e os donos

O panorama actual da Comunicação Social portuguesa (só?) é altamente preocupante. Não é só a dispensa de vozes incómodas (Público, DN e outros mais), já aflorada na Voz da Girafa em diversos posts recentes. É também o afunilamento de espaço para a opinião dos leitores ou, mesmo, o seu aniquilamento, como agora no DN, e que tem merecido de muitos dos nossos “contribuidores” gritos de revolta aqui expressos.
Com o envio ao Público do meu texto “Jornalismo (s)em crise”, que aqui publiquei em post de 20 de Janeiro, e que, obviamente, não mereceu publicação, pensei ter ficado definitivamente banido naquele jornal. Era minha intenção continuar a enviar-lhes textos como se nada de anormal se tivesse passado, como aí escrevi. E assim fiz. Para meu grande espanto, vi hoje dado à estampa o último que lhes enviei, “Princípios para quê”, e que já aqui tinha publicado ontem.
Quiseram demonstrar-me que estou enganado, que sou conspiracionista e que, naquela redacção, reina o pluralismo? Ou mostrarem-me que têm ouvido selectivo, só ouvem o que lhes apetece? Enfim…

Quanto ao DN, reproduzo abaixo a carta que lhes enviei hoje:
Senhor Director,
Não sou leitor habitual do seu jornal. Ainda assim, não me coíbo de juntar a minha às vozes que sei se lhe têm dirigido verberando a extinção “administrativa” da secção que albergava as cartas dos leitores.
Ponto prévio e assente: o DN pertence aos seus patrões e ninguém do exterior tem direito consagrado a exigir-lhes a publicação do que quer que seja, a não ser, talvez, pelo direito a resposta.
Quero, pois, manifestar-lhe a minha compreensão pela maneira como cumpre as suas funções: está a cumprir as ordens do patrão, não é? Explícitas ou subentendidas, está claro. Manda quem pode e obedece quem deve. E o senhor deve. É funcionário, ganha a remuneração de que certamente necessita, procura merecê-la. Vislumbro, contudo, um pequeno senão, certamente compensado também pela remuneração que aufere: a ser verdade tudo isto, o senhor é Director do jornal mas, na realidade, não o dirige, não o comanda. Sem dar por ela, foi despromovido a director dos leitores. Nesses sim, manda. O problema é seu. Mas os seus dirigidos, os leitores, afinal, parece que não gostam do chefe. E isso é mau.

Receba os meus cumprimentos.

6 comentários:

  1. Não direi que é bom, nem sequer muito bom, digo que é excepcional! Parabéns!

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  2. José, o meu abraço de parabéns pela excelente missiva que em seu,em meu e creio em nome de todos nós, fez o favor de entregar ao DN.

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  3. Meus caros Francisco e Luís,
    Agradeço sinceramente as vossas palavras.
    Um forte abraço para ambos.

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  4. Caro José, as perguntas que faz no último parágrafo do seu texto ao blogue, são absolutamente pertinentes.Ouvido selectivo? Conhecimento do "perfil" de quem escreve? Ou outras? Vou sugerir ao Dr. Fábio Ribeiro que faça um novo estudo para explicar o assunto... Eu tenho algumas ideias e pode ser que as possamos discutir, juntamente com outras, no próximo "Encontro de Leitores" em Março. Abraço pela suas coerência e pertinência.

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  5. Caro Fernando,
    Bela ideia. Anseio pela discussão que, certamente, viremos a ter no próximo Encontro. E é bom nunca esquecer que discutir é criar.
    Grande abraço.

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  6. Pois... é mais difícil gostar de quem não gosta de nós...

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