terça-feira, 31 de janeiro de 2017

PORQUE NÃO CONSIGO CALAR

Quase diariamente nos cruzamos com histórias de maus tratos, de abandonos, violência, escravidão em que idosos são ignorados pelas famílias, maltratados em lares, abandonados nos hospitais, dando uma imagem de um país que perdeu a decência.
Estes casos não são “simples” casos de maus tratos a seres humanos; são uma variável assustadoramente constante do actual paradigma societal em que vivemos, no qual o valor da vida é algo descartável, ajudando a potenciar fenómenos de desumanização de insensibilidade social.
Quando vejo coisas destas na supostamente "desenvolvida Europa" de que fazemos parte, e que gira em torno da materialidade e do consumo, fico cada vez mais com a certeza que temos tanto a aprender com alguns povos ditos subdesenvolvidos, onde a idade é reverenciada e considerada o cerne da cultura, dos afetos, da cidadania e da organização social.
Opinião polémica?
Talvez. Mas creio, modestamente, com matéria para reflexão, sobretudo quando a nossa terra volta a ser notícia e mais uma vez pelas piores razões.
Ontem perdi a fome ao ver as imagens da forma inacreditável forma como vi seres humanos portadores de deficiência serem tratados numa cidade do nosso país.
Ouvi o senhor presidente da Câmara local a dizer que tinha que ouvir as duas parte e apeteceu-me bater-lhe. Dar-lhe a ele e a quem directa ou indirectamente pactua com aquela realidade, umas valentes bofetadas, bem como dizer-lhe umas quantas verdades.
Hoje foi na minha terra. A informação ainda é pouca e não faço juízos de valor precipitados mas algo tem que ser feito.
Coisa mais triste.
Até quando ?
Graça Costa

8 comentários:

  1. Só seres humanos e sensíveis se incomodam com estas situações que estão para lá do admissível e são mesmo criminosas e não precisa ouvir as duas partes para sentir que assim são. Contudo, a insensibilidade reinante, especialmente nos repensáveis e que têm obrigação de agir, acolhe com alguma indiferença estas monstruosidades. Muitas das pessoas que coordenam a nossa sociedade, estão indiferentes à desgraça dos outros, porque são egocêntricas e só lhes interessa o seu bem-estar. Lamentavelmente é o mundo que temos, mas não devemos de deixar de lutar contra todas estas brutalidades, porque essa é uma razão para viver. Obrigado à Graça por ajudar a trazer este cenário a um conhecimento mais alargado.

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  2. A sua opinião não é nada polémica, Graça! discordo um pouco da opinião do amigo Tapadinhas quando enfatiza os responsáveis, os decisores. Eles limitam-se a agir segundo a insensibilidade quase geral. É nesta matéria como noutras. Por exemplo; o abandono e outros maus tratos de animais e a conspurcação da via pública. Nestes casos, eu defendo campanhas de sensibilização e depois ( contra a opinião de muita gente de esquerda, onde me incluo) a repressão. Pura e dura. Infelizmente, há muita gente que só lá vai com o chicote.

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    1. Caro Amigo Francisco - Há graus de responsabilidade e quem não tem estrutura moral , ética, técnica ou sensibilidade, não devia estar a desempenhar cargos de responsabilidade social. Pode-se dizer, que em democracia, quem escolhe tem responsabilidade. Existe alguma verdade nisso, mas muita gente que vota, não o faz conscientemente e muitas vezes o faz por promessas que depois não são cumpridas, até porque eram incompatíveis. No essencial estamos de acordo e isso é que é importante.

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  3. Obrigada Joaquim pelo seu contributo - estes casos são crime e como tal têm que ser tratados. Acho mesmo que em determinados casos deveriam ser punidos, tanto as entidades como os familiares, quando se prove serem coniventes e há-os muito.
    Nos casos em que é o nosso dinheiro que subsidia estas entidades, IPSS, a mão deveria ser forte e implacável.

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  4. caro Francisco, grata pela sua opinião - remeto-o para o comentário anterior onde reitero o que penso. Concordo consigo - primeiro sensibilização, depois punição / repressão, mas nos casos dos lares , sensibilização não...controle apertado da emissão dos alvarás, seus promotores e pessoal técnico / auxiliar - com todo o respeito pelos animais, pessoas, são pessoas.

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  5. É verdade. No essencial estamos de acordo. E acabo também por concordar com as vossas achegas.

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  6. da discussão nasce a luz quando todas as partes são educadas e bem intencionadas caro Francisco.
    Um dia feliz para si.

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