domingo, 13 de março de 2022

Pode ser-se anti-Putin sem glorificar a NATO?


Respondo à pergunta do título: pode. Considero Putin um criminoso perigosíssimo, mas não quero sentir-me coagido a fechar os olhos aos tremendos erros e faltas de cumprimento por parte da NATO e de grande parte dos seus países-membros, com os EUA à cabeça, sobretudo depois da queda da URSS. Não tenho espaço para os enumerar, mas todos os de boa-fé os conhecem.

É curioso que, em Portugal, a discussão da “questão ucraniana” esteja sub-repticiamente a deslizar para a acusação polarizadora do “quem é por quem”, como se, assim, se atenuasse a catástrofe humanitária já iniciada e com tendência para crescimento exponencial. A brutalidade da agressão russa à Ucrânia suscita alguma discussão? Não a mim. Mas existe o risco dos que sentem algumas dúvidas quanto ao comportamento da NATO serem acusados de “aliados do inimigo”, como fatal resultado de um imaginário plebiscito moldado em “pensamento único”.

Ficando-me por João Miguel Tavares e António Barreto, já vamos nos “russófilos”, “iliberais”, “espíritos perturbados”, “gente menor”, “charlatães do pensamento”. Ainda não chegámos às “bruxas”, mas talvez convenha começar a caçá-las…


Público - 14.03.2022 (truncado das partes sublinhadas).

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