terça-feira, 10 de janeiro de 2017

OUTRAS PALAVRAS

Trago caladas no peito
palavras que não conheço.
Afetos sem nome 
como amoras maduras
prontas a colher.
Nesta imensidão de mim,
escondidas nos recônditos da alma,
tenho guardadas,
quais tesouros,
estas palavras ainda por inventar.
Corro para aquele mar que só eu vejo.
Hipnótico e sedutor
conduz-me a ti
e eu vou…
Neste bailado de ondas e marés
seguras o meu corpo,
e nele nascem
 claras e cristalinas
estas palavras em forma de sorriso.
Soltam-se da garganta numa língua que desconheço,
com a transparência de diamantes ao luar
e a delicadeza de abraços infantis.
Dancemos então…
embebidos no néctar deste tango
agora inventado,
e deixemos que o amor aconteça,
hoje,
amanhã
outro dia,
aqui…
ou nalgum anel,
de um qualquer Saturno distante.
© Graça Costa


1 comentário:

  1. Gostei mais dos dois poemas anteriores, porque, para a minha sensibilidade, as palavras foram melhor escolhidas, talvez por serem mais sensíveis, ou seja menos agrestes para exteriorizar sentimentos. De qualquer forma, aparentemente, dentro doutra corrente, um bom poema.

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