sábado, 7 de janeiro de 2017

Pequenas coisas

Tenho para mim que assim com um Estado funcionante se vê no fluir das rotinas do quotidiano e não nas grandes realizações, também as "pequenas coisas" definem o que de mais interiorizado os governantes têm no pensamento. Se são boas, alteram, melhorando, o caminho, se são más, mostram o que "freudianamente" lhes vai na alma. Exemplos casuísticos? Basta a rubrica "Altos e Baixos" do EXPRESSO de 30/12. No primeiro caso, o do ministro Pedro Marques, bastou alguém pensar em retirar uma "burocracia" da carta de condução e tudo melhora sem que quase dêmos por isso. Pelo contrário a "boca" do ministro Santos Silva classificando de "feira de gado" a Concertação Social, é "trágica". Bem pode ele tentar justificar-se, falando de "apanhados" mas o problema é que os cidadãos, ao saber do facto, não querem saber da distinção entre público e privado, assim como pouco lhes importa se é legal  se a consideram  imoral. Imediatamente a exclamação que melhor lhes soa é esta: estes senhores bem falam e elogiam o valor da concertação mas, no fundo, é isto que pensam dos actores que lá estão, seja como gado ou como negociantes do mesmo.
E lá se vai idoneidade do político e a confiança do cidadão! E, com estas "pequenas coisa" ( mais uns pózinhos da "nova ignorância"), lá se vai indo o sistema democrático, lentamente e em agonia quase invisível...

Fernando Cardoso Rodrigues

P.S. esta carta foi enviada, em 30/12, ao EXPRESSO para eventual publicação. Não a mereceu em 7/1/2017.

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